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Light Stencil: Impressão nas imagens, imagens de impressão

2 de junho de 2014
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Light Stencil, Paulo Brazyl

Texto e Imagens: Keytyane Medeiros


Na Virada Cultural Paulista 2014, os eventos estavam bastante espalhados pelo SESC, pelo Teatro Municipal e pelo Vitória Régia, é claro. Uma das características da Virada Paulista em Bauru é que ela efetivamente, não vira. Isto é, não vira a noite com vários eventos culturais distribuídos pela cidade e não é por falta de espaço adequado, mas talvez, por falta de público.

Não que o bauruense não compareça aos eventos culturais, mas alguns quase sempre estão menos ocupados do que deveriam. Um exemplo bastante claro foi a performance de Light Stencil no Teatro Municipal, neste sábado a noite, 31 de maio, com a presença do fotógrafo Paulo Brazyl.


O fotógrafo, premiado em projetos pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, levou aos expectadores da noite, uma mostra de seus trabalhos com Light Stencil. A técnica, criada pelo francês Fabrice Witter em 2012, consiste em deixar a câmera com longa exposição, de 30 a 45 segundos, num cenário noturno, e em frente à câmera, posicionar uma prancha vazada com uma imagem que vai ser projetada por um flash de luz na fotografia, registrando assim, tanto o cenário noturno, quanto à imagem da prancha.

Paulo ainda conversou com os participantes, deu detalhes de como funciona a técnica, quais as dificuldades encontradas por ele para registrar projeções em paisagens mais conturbadas, como não aparecer os movimentos do fotógrafo, entre outros. Após a mostra, vários aspirantes e entusiastas da fotografia ainda conversaram com Paulo Brazyl e tiraram dúvidas sobre outros procedimentos. A promessa de uma das produtoras da Virada Cultural e representante do Teatro Municipal é trazer Brazyl para ministrar uma oficina de Light Stencil no segundo semestre. Estaremos aguardando para aprender mais sobre essa impressionante e bela técnica de fotografia. A projeção de uma imagem, a concretização de símbolos não reais em fotografias palpáveis. Impressionante ;)


Para ver imagens de Light Stencil, clique aqui
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É o Rap: Gangsta Paradise em Bauru!

27 de maio de 2014
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Texto: John Cristian
Imagens: Lucas Jordão

Neste sábado, dia 24 de maio, Bauru foi palco para grandes nomes do Rap Nacional, como Ndee Naldinho, Realidade Cruel, Consciência X Atual e Consciência Humana. 

Nas pickups estava o DJ Bola 8 (Realidade Cruel) tocando várias lendas do Rap Nacional. Também participaram da festa vários grupos do interior paulista como Abanka Forte, que é da casa, QOES de Penápolis, Expresso Verdade de Marília, Mr. Giba e X da Questão de Sorocaba e lá de Três Corações, Minas Gerais, veio o grupo M.Niggaz.

É o Gangsta Paradise!!! 

Nossa equipe procurou conversar com alguns grupos que se apresentaram nesta que é a 9º edição do evento para sacar o que aconteceu por lá.

“Tem que ter compromisso e seriedade no bagulho, se for pra somar, é nois memo vagabundo” 

M. Niggaz (3 Corações - MG)
M.Niggaz abriu o evento, com bastante presença de palco, chamando a atenção e mostrando que o pessoal de Minas não veio para brincadeira: trouxe letras fortes e positivas. O grupo, que está desde 1996 no movimento Hip Hop, nã tinha se apresentado em Bauru ainda, e pelo que disseram, gostaram muito da recepção da cidade. Perguntamos para Romilson, integrante do grupo, como o Rap mudou na sua vida. “Se eu não tivesse me envolvido nesse movimento, com certeza eu não tava aqui hoje, eu tava pro outro lado metendo o louco... Ou tava preso, ou tava morto”, respondeu. Já QOES, de Penapólis, roubou a cena com estilo. Entrou no palco com máscaras de palhaço, toucas como assaltantes, tacos de beisebol e lenços tampando boa parte do rosto. Visual completamente agressivo, deixando todos surpresos ao cantar músicas que falam sobre Deus e paz. As aparências enganam! Segundo um dos membros do grupo, Jefferson, “o visual mostra a visão que o pessoal de fora [do rap] tem do rap. Na letra a pessoa vai entender que o rap não é aquilo que ela pensa. Esse é o verdadeiro rap gangsta, mostrar pra molecada os dois lados, o que vai e o que não vai acontecer, e não passar as caminhadas erradas.” 


“Inspiração pra um rap a cada metro quadrado” 
Consciência X Atual

Abanka Forte, único grupo bauruense a se apresentar na noite, existe há menos de um ano e é formada por Thiago de Tarcius e Vinicius Thomas nos microfones, além do DJ Ding nas pickups. Os caras da Abanka também rodaram todas as quebradas de Bauru colando cartazes e falando com a galera sobre o evento, além de vender ingressos e divulgar nas redes sociais. Como recompensa de todo o suor gasto, o grupo prestigiou a Casa Muamba Music cheia. 


Sempre com muita humildade, os integrantes de Abanka nos responderam algumas perguntas: 

E-colab: Qual a sensação de dividir palco com Realidade Cruel, Ndee e todos os outros em um evento desse porte? 

Abanka: Tem grande importância, desde pivete ouvindo os cara no radinho da sua casa, e hoje com internet da pra ver uns clipes e documentários também, só que a gente não sabe a verdade. Hoje estamos tendo oportunidade de olhar no olho dos caras e conhecer qual é a pessoa deles. Só temos a agradecer pela festa e pela oportunidade 

E-colab: Em pouco tempo vocês conseguiram um espaço enorme no rap, tem gente que tá há mais tempo e não teve a oportunidade que vocês tiveram hoje. Tem algum conselho para quem tá começando, ou já tá no rap há algum tempo? 

Abanka: Sim, qualquer um é capaz, tem que estar sempre ciente que é só correr e acreditar no seu sonho, independente do que os outros falam, tem que fazer acontecer! 

Douglas (Realidade Cruel)
Falando com os grupos que não são de Bauru, mas que participaram do evento, ficou fácil perceber que Bauru está se destacando cada vez mais no movimento Hip Hop estadual. O próprio DJ Bola 8 (Realidade Cruel) disse que Bauru é “muito louco”. O público do evento está de parabéns, todos em paz, cantando com o coração! Bauru sempre fortalecendo a cena do Rap Nacional, e mostrando para todos que o Rap não incita a violência e criminalidade, pelo contrário. Todos os grupos que se apresentaram citaram Deus, ou no meio do shows ou nas mensagens. Consciência X Atual citou Salmos 23 inteiro durante o show e o próprio Douglas disse que só Jesus Cristo seria a Salvação, e que aprendeu isso tarde, mas aprendeu. 

Pra quem queria ouvir Rap de verdade, não faltou opção no evento. Só monstros do Rap Nacional reunidos em um único lugar, e com certeza, foi um dos maiores eventos de rap que Bauru já teve!


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Primeiro de maio foi dia de Rock, bebê.

2 de maio de 2014
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Texto: Keytyane Medeiros
Fotos: Keytyane Medeiros e Robinson Oliveira

Primeiro de Maio é um dia de lutas, é o Dia Internacional do Trabalhador. Dia do antigo proletário e hoje assalariado dos grandes centros urbanos. A data é fruto de reivindicações iniciadas em 1886 em Chicago a fim de diminuir a carga horária de trabalho para 8 horas diárias. E na Segunda Internacional Socialista de 1889, em Paris, a data foi aprovada como dia de lutas e conquistas.

Há quem prefira se reunir para discutir as condições laborais em sindicatos e há grupos que preferem comemorar, celebrar a conquista desta data. Independente das críticas anuais, a Central Única de Trabalhadores (CUT) de Bauru, ano após ano, realiza uma festa no Vitória Régia. 

As críticas à CUT são inúmeras e quase sempre pesadas. Mas neste ano, a organização trouxe uma importante pauta para o evento: a democratização da comunicação como o desafio do século. Uma barraca foi montada para recolher assinaturas para a criação de uma Lei de Mídia Democrática e constantemente anunciada no palco. Finalmente, os movimentos sociais não ligados à comunicação perceberam o risco que corremos com a concentração da mídia e tomaram para si mais esta pauta. Ponto positivo.

Jota F e Betin MC. Foto: Robinson Oliveira
Realizado em parceria com a Prefeitura Municipal, a programação do Dia do Trabalho começou às 10h no Vitória Régia e contou com apresentações de teatro e dança. Pela tarde, houve shows do Josiel Rusmont e também o jovem rapper Betin MC, uma das apostas do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop.

A partir das 16h30 rolou apresentação do grupo cover de Creedence Clearwater Revival, Midnight Special. O grupo já é conhecido na cidade e é um dos maiores covers da banda no país. Apesar do frio de outono, o Vitória estava cheio e o público se dividiu entre o rock e o samba já que em outro ponto do parque estava rolando um encontro de sambistas da cidade promovido pelo Coletivo Samba.

A partir das 17h30 quem entrou no palco foi André Turco, artista conhecido na cidade. André e seus convidados tocaram músicas conhecidas como “O nosso amor a gente inventa”, do Cazuza e vários outros sucessos do Legião Urbana. Apesar da boa vontade, infelizmente os cantores não tinham tanta presença de palco, o que fez com que o público os acompanhasse, mas não enlouquecesse ao longo das canções.

Às 19h houve o Ato Público promovido pela CUT e o vereador Roque Ferreira (PT) tomou a cena. Inicialmente vaiado pela plateia, Roque falou sobre a luta pela democratização da mídia, sobre melhores investimentos na educação pública, genocídio da população jovem negra como política de “um governo fascista de Geraldo Alckmin” e sobre a redução da maioridade penal. Ao longo do discurso, a reação do público foi mudando e se tornando bastante controversa, ora apoiando as falas ora repudiando-as. Sob aplausos de alguns cidadãos e dos representantes dos professores da APEOSP, Roque deixou o palco e deu lugar aos próximos shows.


Em seguida, veio Kiko Zambianchi cantando sucessos da geração do rock dos anos 80 no Brasil. Sucessos do Legião Urbana, Capital Inicial e até músicas do Black Sabbath. Em seguida, Marcelo Nova empolgou o público – e fico feliz em dizer – não o chocou, moralmente, ao cantar “Eu não matei Joana D’arc”, “O ponteiro tá subindo” e “Pastor João e a Igreja do Invisível”. Sua performance, animada, provocadora e postura de vira-lata do rock, como ele mesmo se entitula, é um bom exemplar dos anos 80. Boa escolha da CUT. 

Já Nasi surpreendeu. Não cantou músicas da carreira solo, decepcionando os fãs e sua voz não estava nos melhores dias. No auge de uma das principais músicas da carreira do IRA! “Um girassol sem sol”, subitamente, a luz do palco acabou. Gritos de “Toca Raul” e “Vamo acender um!” tomaram o Vitória Régia. A luz voltou, mas muitos já tinham ido embora depois de mais de 20 minutos de espera. Nasi encerrou o show e o Primeiro de Maio da CUT de discussões importantes sobre comunicação, educação e maioridade penal. E claro, um bom e velho rock no Vitória.

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Trocando Ideia: Renan Inquérito

25 de abril de 2014
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Integrante do grupo de rap Inquérito e autor do projeto #PoucasPalavras, Renan Inquérito conversou com a equipe do e-Colab sobre Sarau, Rap e cultura Hip Hop. A troca de ideias foi nessa quinta-feira, 24 de abril, no 3º Sarau de Arte Urbana realizado pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop em parceria com a Oficina Cultural Glauco Pinto.

e-Colab: Você começou em 1999 com o Inquérito e de lá pra cá, muita coisa mudou. Como essa mudança refletiu no cenário do Hip Hop e dos saraus urbanos no interior de São Paulo?

Renan Inquérito: Mano, mudou pra caralho né?! (risos) Tudo mudou, o mundo mudou, as pessoas, a velocidade com que a informação circula, isso muda tudo. Por exemplo, eu ia na galeria, juntava dinheiro três meses pra comprar um vinil importado que custava 50 dólares. E naquele vinil tinha uma música do 2pac (Tupac Shakur, considerado o maior rapper da história) cantada de um lado e o instrumental do outro. E eu pegava o instrumental pra mandar meu rap. Custava dólar, era mó caro. E agora? agora você vai na internet, “baixar todas bases instrumentais do 2pac”, brum. Então mudou, é mais fácil agora. Digamos assim, antes era rua de terra, agora é asfaltadinho, tem ciclovia, faixa para pedestre. Só que outra coisa, abriu pra todo mundo: ruim, bom. Então, da mesma maneira que ampliou os horizontes, a qualidade ficou um pouco prejudicada, mas eu acredito que a qualidade vai sempre superar a quantidade.

Aí o rap também mudou. Veio os rótulos: underground, bate cabeça, gangsta, começamos a ver outras fitas. Era tabu falar de dinheiro no rap, de mulher. Os caras falava que o cara que tinha um UNO era um boy! Quando falava de mulher, a letra era machista pra caralho, até hoje é ainda assim, eu acho, mas mudou. A mulher se impôs no bagulho também. Nós vimos também que tempo não é nada. Tem cara que tá há 20 anos, e tá há 20 anos atrapalhando. Podia ser um produtor, um jornalista, um fotógrafo, não dá pra todo mundo ser MC. A gente precisa de professor de história, só que ele ser do movimento hip hop, de médico do hip hop, de presidente do hip hop. 

e-Colab: Apesar da base do rap ser a poesia, para compor uma música, tem que pensar nos beats, no flow, etc. Então, pra você, existe alguma diferença no processo de produção de uma poesia que vai ser lida e de uma letra de rap?

Renan Inquérito: A poesia, assim como o rap tem que ser livres. Os concretistas, Haroldo de Campos, Décio Pignatari, são mestres, mas parecia que queria dificultar o bagulho: tinha uma equação matemática para entender o poema! Tinha que ter um formato, tipo uma caixinha. Só que o rap extrapolou o lance da caixinha. Só podia fazer música, quem entendia de música. E o moleque da quebrada que nunca teve a oportunidade de estudar um instrumento, mas queria fazer música? O rap democratizou isso. Muita gente no começo falou “o rap não é música”, porque o rap era efeito de qualquer jeito, mas a gente foi provando, foi pondo qualidade, porque começou precário, era batendo na lata (bate no fogão e faz uma rima). Era lata de lixo na São Bento. Hoje é MPC. Hoje tá aí, pra todo mundo.

e-Colab: Numa entrevista da Bravo! você fala um pouco sobre a auto-estima da periferia. Como você acha que a auto-estima da população que mora na periferia se transformou ao longo do tempo, com a prática dos saraus, que tão estourando agora lá em São Paulo e com o rap, que tá aí desde os anos 80?
Renan Inquérito: O rap trouxe autoestima pro cara da periferia, porque ele parou de ter vergonha de usar a roupa que ele usava, de falar onde morava, de usar o cabelo dele. Porque somos um país um miscigenado, aquela mistura, mas nem tanto….eu vi um trabalho de um cara que analisou todos os censos do IBGE e ele elenca todas as cores que aparecem: mulato, bege, cor de burro quando foge! Nós temos uma crise de identidade fudida no Brasil. E o rap deu esse orgulho pra nós, ta ligado? Quando o cara canta “essa é a vida de muitos em São Mateus, pequeno e pobre, humilde, mas um bairro meu” e eu pensei “caralho, o meu também!”. O rap traz aquela coisa do pertencimento, do lugar. Mas isso se perdeu um pouco, quando o rap se popularizou, virou um produto e se perdeu. E aí entra o Sarau. O Sarau foi uma ambulância, um balão de oxigênio, porque os caras achavam que não tinha mais que fazer letra importante. “Só rimar qualquer coisa, pro rap ser dançante”, ouvi muito isso. Então nós achamos um monte de coisa, que tinha que esvaziar o conteúdo, aumentar a velocidade. E o Sarau veio trazendo conteúdo. E os moleque que fazia conteúdo e perderam espaço, onde eles iam mandar suas rimas? No saraus. Então o sarau ajudou muito o rap e vice-versa. Quem era público do sarau? Os manos do hip hop, ou você acha que tinha um monte de poeta na periferia?! Não tinha e pelo problema da autoestima, o cara não acreditava que podia escrever. Então o cara ia lá e mandava seu rap. Então, num primeiro momento quem ajudou os saraus foi o hip hop. E hoje, o hip hop que ajudou o sarau é ajudado pelo sarau. E não tem mais como separar, misturou tudo.


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Vitória Régia Agridoce

28 de maio de 2013
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Por Marina Fornasier

O novo projeto da dupla Pitty e seu guitarrista, a banda Agridoce, marcou presença na Virada Cultural Paulista 2013 em Bauru. O grupo subiu ao palco por volta da 1 hora da manhã após problemas técnicos de som, o que não interferiu na beleza do show e na euforia do público. A mistura de sons de diferentes instrumentos e o jogo de luzes, como ao final da música "Dançando", causaram muita emoção durante o show, as pessoas que assistiam demonstravam bem isso, deixando o atraso do show e as falhas no som de lado.

Agridoce é um projeto paralelo da Pitty junto com Martin. Eles resolveram criar este projeto contendo músicas folks, inspiradas nas composições de Leonard Cohen, Nick Drake, Jeff Buckley e Elliott Smith.

O show aconteceu no último sábado, dia 25 de maio, no Parque Vitória Régia.

Saiba mais sobre como foi o show aqui.

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Doce insosso



Fotos e texto por Keytyane Medeiros

Nunca gostei muito das músicas da cantora Pitty, embora minhas amigas e até mesmo minha mãe sempre ouvissem e cantarolassem o batido "quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra". Nunca foi meu estilo favorito, mas nunca tive algo contra a baiana que sempre pareceu bastante simpática. Ok, não tenho teto de vidro, e por isso mesmo resolvi dar uma chance ao projeto paralelo da cantora, o grupo "Agridoce", em parceria com o guitarrista, Martin Mendonça. O grupo se apresentou na Virada Cultural 2013 no Vitória Régia, local de maior destaque para os eventos culturais realizados na cidade.

Após meia hora de problemas com o som, afinal "quem nunca?", segundo a própria cantora, o show começou. O palco externo do Vitória estava lotado. Impossível andar para qualquer lado, e mesmo quem garantiu seu espaço antes da apresentação passou por apertos.

No site do projeto, a dupla diz ter referências de Jeff Buckley e Eliott Smith. Ótimas referências, pensei. "A força da Pitty, seu talento multiinstrumentalista com xilofone, piano e violão devem deixar as canções mais bonitas, com variações de ritmo e sentimento", pensei na sexta-feira a noite, antes do início da Virada. Infelizmente, no palco não vi a paixão ou a melancolia sincera dos cantores americanos, ou sequer a força da cantora. Vi apenas seu domínio técnico sobre os vários instrumentos que tocou, o que já é muito, mas é aquém do que eu esperava do que seria um show da famosa e querida Pitty.

O grupo começou com a música mais famosa do Agridoce, chamada "130 anos" e logo depois cantaram também alguns covers. Não sei como o show terminou, sai antes e não por causa da hora, mas pela antipatia que criei pela banda após o comportamento ríspido ao tratar dos assuntos relacionados ao som. Problemas técnicos acontecem e é por isso que existe a passagem de som antes das apresentações, feita com horas de antecedência.


Não estou isentando a produção da Virada Cultural por possíveis e naturais erros, mas também não ignoro que a reação da banda foi no mínimo, desproporcional ante à dedicação da equipe de som, que além de tentar resolver os tais problemas de sábado a noite, conseguiu proporcionar dois dias de bons shows no Vitória Régia.

Pois bem, sigamos a vida. Agridoce, doce ou insossa, sigamos.

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Miscelânea Dia das Mães - Fotos

14 de maio de 2013
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O Clube do Vinil Edição Especial Dia das Mães aconteceu neste domingo, 12 de maio no Atelier Miscelânea em Bauru. Rolou música, vídeos,projeções audiovisuais, oficina de grafite e comes e bebes.

Confira abaixo a cobertura fotográfica de Julia Gottschalk.

http://www.flickr.com/photos/e-colab/sets/72157633494049284/show/

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Cine em Extinção

21 de março de 2013
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Texto por Vítor Peruch
Fotos por Marcelo Cabala


Ao chegar à rua Cussy Jr, atente-se a uma pequena loja, ao lado de um prédio, com paredes de vidro viradas para rua e contendo dentro uma espécie de Sebo, de bazar. Uma loja que vende mais do que discos, roupas, CDs, livros e filmes, vende também um pouco do seu charme, do seu jeito e dos ideais de Aran, o dono da loja, que chegou a Bauru há 20 anos, em 1993. 

Quando Aran chegou em Bauru, com ele veio também a proposta do grupo artístico, autônomo e autoral Autoboneco, que nesses 20 anos vem lutando para estimular a produção e a difusão cultural na cidade, através de oficinas, fanzines, mostra de filmes, festivais e apresentações de música. 

A loja “Extinção” surgiu em novembro de 2003, e vende raridades que podem agradar facilmente qualquer um que goste de música, como por exemplo, um vinil cor azul bebê, do Dire Straits, Brothers In Arms que eu só não levei pois não tinha um real no bolso, e outros milhares de discos. 

E apesar de tudo que pode ser encontrado na parte de baixo da loja, o que continua por surpreender e elevar o local acontece na parte de cima. Subindo as escadas, aos sábados, às 19:30, acontece o encontro do Cine Extinção, um evento que ocorre desde maio de 2011 e que tem o intuito de compartilhar uma vertente do cinema que se distingue da maneira que for possível do que já está consagrado, batido. Não que os filmes que Aran busque passar sejam para “quase ninguém entender”, ou então que ali não apareçam clássicos, como Aran comenta, mas o intuito é outro, compartilhar de algo que é raro de ser encontrado,  que está mesmo em extinção, mas que também se enquadre no apreço de Aran. “É bem pelo meu gosto, mas varia bastante, cara. Varia até por que às vezes eu quero assistir alguma coisa, filmes que eu não lembro direito. Mas geralmente são filmes de arte, filmes underground, filmes que não são convencionais, produções pequenas, é bem variado”, comentou Aran, que também faz cinema artesanalmente. 

O filme do sábado, dia 16 de março era “Conexões Desconexas” de Werner Penzel e Nicolas Humbert, considerado pela bem-conceituada revista francesa Cahiers du Cinema, em 2000, entre os 100 mais importantes documentários já realizados, e conta com o músico Fred Frith se encontrando com músicos de vertentes diferentes e compondo músicas de diversas maneiras diferentes, utilizando os instrumentos e as ferramentas mais variadas. O filme foi anunciado na página do Facebook do Cine Extinção como “INVENÇÃO PESSOAL, FREE JAZZ, FREE CINEMA & OS VANGUARDISTAS POSSÍVEIS SENSIBILIZADOS”, mas eu realmente não esperava encontrar um filme que fizesse enxergar o artista por um prisma bem diferente do que é passado pelo filme. 

Como um documentário de música, obviamente, a importância que devemos dar ao som durante o filme é enorme, porém em “Conexões Desconexas”, a presença de ruídos diferentes, entram em congruência com os excelentes instrumentistas que estão no filme. O barulho de um despertador, de um violino, de uma goteira, de um sax ou então da movimentada guitarra de Fred dão ao filme uma mística incrível, que aumenta ainda mais com o barulho também do ventilador da sala do Cine Extinção. 

Fred Frith em um momento do filme fala a outro amigo músico sobre o que ele pretende com sua arte, com seu trabalho, e comenta algo como “Eu não espero que minha música mude o mundo, quando era jovem poderia até pensar assim, e por isso não sou um pessimista, porém, hoje o que busco é atingir pessoas, indivíduos. Se uma pessoa após o meu concerto vem até mim e me elogia, diz que se comoveu com o que assistiu e que aquilo mudou e tocou ela de alguma forma, eu já me sinto realizado, e isso acontece muitas vezes”, apesar de não transcrever a frase de maneira integral, acredito que seja algo bem próximo a isso, me recordo pois no momento em que o multimusicista disse isso, acredito que eu tenha conseguido entender um pouco, mas bem pouco da essência não só do filme e de Fred Frith, mas também do Cine Extincão, do local, da loja, de Aran, das oito pessoas que estavam ali, e principalmente do grupo Autoboneco que luta para difundir a cultura e que às vezes consegue tocar pessoas com seus eventos, como aconteceu naquele sábado. 



O Cine Extinção ocorre aos sábados, às 19:30, na loja Extincão, localizada na R. Cussy Jr, 8-17. 

Contato: facebook.com/extinção 
facebook.com/autoboneco 
autoboneco.org


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Não faltou nobreza

5 de março de 2013
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Texto por Pâmela Antunes
Fotos por Julia Gottschalk

O segundo dia do 5º Grito Rock Bauru começou no Bosque Geisel com o Grito Hip Hop. Foi depois do espetáculo “Árvore de Mamulengos” da Companhia Primeiro Ato da cidade de Valparaiso/SP que as atenções foram voltadas para a quadra do bosque onde foi montado o palco para as apresentações dos Rappers, Mcs e grupos de dança.


Rap Nobre foi um dos artistas que passou pelo palco. O rapper bauruense que já foi integrante do grupo Della Honra, mas hoje está em sua carreira solo. Sua apresentação aconteceu depois que os meninos do Fabrica de Rima já tinham mandado seu som, dos b-boys arrasarem no freestyle onde até rolou freest bol (freestyle com bola) e do JF ter passado sua mensagem com sua música.



Foi dando um salve para todos que começou seu show, e logo apresentou o Mc Pin que veio diretamente de Piracicaba integrante do grupo De Buenos Crew e o Mc e beatmaker Felipe Canela, abriu espaço para quem quisesse subir ao palco e cantar junto com eles, e não demorou muito, Mc Betinho subiu rimou e improvisou. Continuou sua apresentação com mais três raps e não teve vergonha que dizer quando esqueceu a letra.


Foi humildemente que se despediu dizendo que está meio parado com seus raps, mas continua na luta.

O CurtaBauru e o e-Colab são parceiros do Grito Rock Bauru 2013 e estão fazendo a cobertura integrada dos eventos.


Confira a cobertura fotográfica na nossa página do Facebook!
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Favelado consciente: gansgta

18 de fevereiro de 2013
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Por Keyty Medeiros 
Fotos por Marcelo Cabala e Artur Faleiros


Loira, piercing no nariz, shorts amarelo e a pergunta cretina no meio do Exílio Art Pub: “Quem é Coruja?”. Seria uma pergunta rotineira, se a casa recebesse naquela noite o rapper mais famoso das quebradas de Bauru. Agora, quase 5h da manhã, com sono e alguma dor nos pés, arrisco uma resposta depois daquele show. Não é a primeira vez que falo com Gustavo Gomes de Sousa, e tão pouco espero que seja a última, mas dessa vez, o Coruja está diferente. O jeitão marrento e a sinceridade na fala continuam os mesmos, o que mudou foi o teor de suas canções.


O show funcionou como uma prévia do lançamento do novo EP do rapper. Segundo Magu, o produtor do Acesso Hip Hop, o disco com as novas canções deve ficar pronto apenas no segundo semestre de 2013, e a julgar pelo show no Exilio, promete trazer um Coruja mais agressivo, maduro e consciente. Na noite de 16 de fevereiro, o que se viu foi um protótipo de gangsta. E dos bons.

Ao cantar quase enfurecido o trecho “favelado sim, e com orgulho”, o moleque de 18 anos arrepiou a minha espinha crescida e desenvolvida às beiras do Capão Redondo (SP). Agora com remixes que lembram o estilo pesado e agressivo típico dos gangsters brasileiros, o moleque falou na alma tão fundo quanto costumava fazer com os samplers jazzisticos com linhas de samba do primeiro CD. Sem dúvida, a força do rap está na mensagem imediata, na realidade rasgada de palavrões e malícia de mundo, e já era possível notar isso com Racionais, Facção Central e com o saudoso Sabotage. O rap do Coruja não é diferente. É cheio de raiva, ressentimento, fé.


Competindo com uma banda cover do Queen (mais uma, entre tantas!) no Jack Music Pub e com a nova agitação noturna da Duque de Caixas, Thigor MC subiu ao palco com sua voz de cantor gospel e deu ao show o tom provocante do R&B. Coruja retomou seu lugar e, apesar de quase ninguém conhecer as novas canções, causou pelo resto da noite. Repetiu algumas vezes um pedido de desculpas para as pessoas que ficaram fora da casa por conta do espaço restrito. Com a consciência do garoto excluído e certo de todos os rolês de rap que deixou de ir por falta de grana, Coruja frisou que o intuito desse evento, a cinco reais na portaria, era não deixar o hip hop morrer em Bauru, fosse no centro, zona leste ou zona norte.

Mais claro e objetivo do que nunca, completou “isso não depende do Magu, do Coruja ou do Canela. Isso depende de vocês.”. Coruja não é mais um menino deslumbrado com suas próprias rimas, é um artista em formação, convencido de seu potencial, da força de seu trabalho e da magia das suas palavras. CorujaBC1 está crescendo. 

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Na vibe certa

23 de janeiro de 2013
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Texto e Fotos por Julia Gottschalk

Show no Jack anima a noite de sexta-feira em Bauru

Quando a banda Samanah disse na página do evento no Facebook que o Jack ficaria pequeno eles não estavam brincando. A banda, que já possui um leque grande de fãs fiéis na noite bauruense, levou o Jack Pub à provavelmente sua lotação máxima nessa última sexta-feira.

A Banda Soul Station abriu a noite timidamente, chamando uma vez ou outra as pessoas para dançar perto do palco. Mas a noite começou a ficar realmente agitada quando Coruja BC1 foi convidado a subir ao palco pela banda. O cantor deu uma pequena demonstração de seu talento, deixando bem claro que para ele a rima é uma forma de expressão tão natural quanto a própria fala.



Ao entrar no palco, Samanah conseguiu deixar o Jack menor ainda quando seus fãs deixaram de lado o costumeiro espaço entre a banda e o público.  O grupo que já é famoso na cidade costuma trazer um número grande de pessoas para seus shows, apesar disso um número grande de pessoas além dos costumeiros fãs também vieram e aprovaram.


O rapper fez participação especial no show dos amigos

A mistura de talentos no Jack Pub essa sexta foi com certeza a criação de uma vibe perfeita para todos que estavam lá. Para ver mais fotos do show, acesse nossa página no facebook!  


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“Troca o disco!”

20 de dezembro de 2012
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Último Clube do Vinil de 2012 dá canseira na vitrola 

Texto e fotos por Higor Boconcelo

Entre os recém chegados, é grande o número que estranha o clima da cidade de Bauru. Também, é comum a situação climática se tornar pique deserto por aqui: faz aquele frio de manhã, manhã que parece durar até às dez horas quando o calor começa pra valer. E que calor. Em época de final de ano, geralmente é seguido de chuva.

Embora irrite um pouco não só aos que aqui estão de passagem, assim como quem aqui pertence, o clima bauruense não impediu que fosse realizado ontem a última edição do Clube do Vinil do ano, uma parceria entre o Enxame e o ateliê Miscelânea. 

Discotecagem livre
Entre ameaças de chuva e apocalipse, os convidados deveriam trazer seus vinis, como sempre, e em seguida montar uma playlist colaborativa que iria badalar o ambiente a noite inteira. 

Aliando a estrutura aconchegante do lugar e uma vitrola funcionando perfeitamente, tudo o que era necessário para o bom fluxo da noitada acontecer, que a princípio parecia ser difícil, mas logo mostrava-se o contrário, era escolher uma faixa dentre milhares de vinis de artistas de todos os segmentos. De coletâneas estilo Som Livre à The Who, Ramones e Fagner. 

Em poucos minutos o quintal do ateliê já estava tomado tanto por quem queria curtir a noite de quarta-feira, quanto pelo som daquele aparelho oriundo da década de 50, cuja qualidade era comprovadamente superior às fitas cassetes e compact discs. 

A certeza irrefutável era que este seria o último do ano, mas há quem se intrigasse com a hipótese de ser o último da existência humana. “Mas e aí, quais são seus planos para o dia 21 de dezembro?”, ouço perguntar um visitante. “Ô mundo bom de acabar!”, ouve-se em alto e não tão bom som. Enquanto a música rolava e o mundo na boca dos visitantes acabava, era de se notar de que a melhor maneira de isso acontecer deveria ser em festa. Ou, este era somente mais um dos pensamentos jogados ao ar que se misturava às ondas emitidas pela vitrola e pela caixa.

De qualquer maneira a noite valera aos presentes e à vitrola, que hoje devem desfrutar de uma boa ressaca, seja no trabalho ou em qualquer cômodo da casa. E o calor que se dane. 


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Muito além do curau e da pamonha

5 de novembro de 2012
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Esse texto foi originalmente publicado no site do Circuito Paulista de Festivais Independentes (CPFI)

Por Jaderson Souza
Fotos por Fora do Eixo

Realizado pela primeira vez em Piracicaba, o Festival Cultura Regional e Artes Urbanas (Curau), tem, como uma de suas características, a diversidade. Reunindo diferentes gerações para acompanhar as apresentações no Largo dos Pescadores, às margens do Rio Piracicaba. Mas as manifestações culturais não se resumem apenas à música e à dança.

A gastronomia é um elemento cultural importante dentro do festival. Entrando na cozinha, pode-se conferir a variedades de bebidas e comidas servidas ao público, mostrando que Piracicaba vai além do curau e da pamonha, já largamente difundidos. Tem risoto verde, panqueca de berinjela e o charuto, prato árabe que leva arroz, soja, cenoura, cebolinha, salsinha e molho de tomate, envoltos por uma folha de repolho. Os ingredientes do charuto (e das outras comidas) são orgânicos, cultivados sem a utilização de fertilizantes, pesticidas ou agrotóxicos. Fazem parte de um modelo de agricultura diferente do famigerado agronegócio.

“As pessoas, às vezes, não sabem como está difícil conseguir cultivar todos esses alimentos”, diz Morgane Retière, uma francesa que está há três anos trabalha com agricultura no Brasil. O cultivo de cana de açúcar e o crescimento da cidade são fatores determinantes para que a plantação de outros alimentos se torne mais escassa. Ainda assim, Morgane ressalta que a intenção é produzir os pratos com o máximo de alimentos cultivados na região de Piracicaba, dando oportunidade para que o Festival fortaleça não apenas às apresentações, mas a cidade como seu todo.

Para fazer crescer a agricultura familiar local é preciso de apoio. É isso que faz a Rede Guandu, uma ONG que incentiva o consumo de alimentos de forma sustentável. O projeto funciona como uma ponte entre pequenos produtores rurais e consumidores. Mayra, uma das voluntárias do projeto, fala que a intenção é mostrar às pessoas que o alimento veio de um lugar; existe um processo que se inicia no cultivo e termina na aquisição do alimento pelo consumidor.



A cachaça piracicabana também se faz presente com uma aquarela de sabores. Além da branquinha, tem a pinga com carvalho, cabreúva, sucupira, carqueja (a mais ardida), anis, entre outras.

Flávia é uma das pessoas que ajudam na produção e comercialização das bebidas. O negócio, também feito em regime de agricultura familiar há seis anos e tem caráter artesanal. A família mora em um sítio na cidade vizinha de Charqueada onde eles têm todos os ingredientes e equipamentos para produzir as pingas.

Por essas, a gastronomia se torna um elemento especial da tradição piracicabana. Toda uma cultura de produção do alimento que não fica restrita somente ao consumo e nem apenas ao curau e à pamonha.


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Rima de roda, roda de rima

30 de outubro de 2012
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Por Pâmela Antunes


No último domingo (28) aconteceu a 3° edição do Rima de Roda no parque Vitória Régia. A tarde estava ensolarada com a temperatura acima de 35° graus, mas o calor não atrapalhou ninguém. O parque estava cheio de famílias, casais de namorados, o pessoal dos malabares e a galera que veio para curtir o evento foi chegando aos poucos.



O Rima de Roda é um projeto totalmente independente é uma realização do grupo de rap Fábrica de Rima, que é composto por Jack One, Luiz Felipe, Valter Fernandes, Thiago Zone, Renan Pedrolo, Adriano Magri, Fabio Guerra e João Vitor. Objetivo principal é relevar novos talentos bauruenses, mas também a troca de conhecimento entre os artistas e o publico a interação cultural e o entretenimento.  “A gente estava vendo que em Bauru tem bastante projetos, mas nada constantes que o pessoal podia se organizar e  dizer o dia que vai ter o evento, então todo mundo da Fábrica de Rima criou esse projeto”, disse Mc Thiago Zone, integrante do grupo. "Quinzenalmente, a gente vai pra algum lugar daqui, e hoje a gente escolheu o Vitória Régia por ser um local mais acessível para todo mundo - ainda mais sendo algo sem apoio filantrópico ou de alguma ONG”.

Para acompanhar o MC’s e os rappers, havia dois violões e a galera fazendo beat box. A roda estava aberta para quem quisesse mostrar seu trabalho, podia ser um rap pronto ou uma rima improvisada. Durante a tarde, passaram vários artistas pela roda, um deles foi Dom Black, com seu som que acabou de sair do forno, a música “Artista Independente”. O grupo Fábrica de Rima também se apresentou e mandaram seus raps “Os tempos mudaram”, “Rap Forte”, entre outros.



O momento que mais animou foi a batalha de MC’s - foram sete batalhas incluindo a final. A criatividade rolou solta e não tem essa de "ser amigo", o que vale é ter a melhor rima. Para participar cada Mc colaborou com R$ 2,00 e o vencedor ficou com a grana arrecadada. A final foi entre Da Brisa e New onde o Da Brisa levou a melhor e o dinheiro.

A falta de apoio, caixa de som, palco e microfones não foi problema, pois galera estava em peso mostrando que em Bauru o rap tem força. Para quem não pode fortalecer e comparecer, daqui 15 dias tem de novo. O Rima de Roda sempre acontece no Vitória Regia do lado direito do parque embaixo das árvores, para ficar por dentro quando vai ser a próxima é só curti a pagina do grupo no Facebook onde eles criam o evento e divulgam.

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ATENTADO É O ESCAMBAU, AQUI A EXPLOSÃO É EM SEU OUVIDO

11 de outubro de 2012
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Por Jayme Rosica
Fotos por Thaís Farias

É 1, é 2, é 3....e a explosão!! Sexta-feira, Jack Music Pub, Projeto Homem Bomba subindo ao palco. BOOM sonoro!!

O primeiro show da banda após o lançamento oficial de seu EP que ocorreu no Teatro Municipal foi uma festa das boas. Portaria free para quem se inscreveu previamente e breja bem barata, ingredientes capazes de deixar qualquer rolê muito, mas muito interessante. A noite contou inclusive com a participação especial de Picolé, ex-integrante que mandava o famoso cavaco na banda.

Velha conhecida das festas de república bauruenses, os caras mandam muito bem na performance ao vivo, uma apresentação com técnica e entrosamento, que garantem uma fluidez sonora exemplar.

Eles mostram grande criatividade nas composições próprias e grandes sacadas nos covers encaixados no repertório, o que garante ao show uma sequência bem estruturada.

O som contagia, faz mexer os pés, o corpo, a cabeça...

O lançamento recente do EP: Consiencia Leve, só afirma o que qualquer um já sabia: esses caras tem qualidade e potencial para explosões cada vez maiores.

Assim esperamos, salve os homens bomba e a explosão de notas lançadas aos nosso ouvidos.


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Na toca do Coelho Branco

8 de outubro de 2012
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Texto e fotos por Laís Semis



Me senti intimidada quando Raíssa, ao levantar do gramado, me olhou profundamente com seus questionamentos - logo ela, que costuma me deixar sempre à vontade. “Você mora aqui? AQUI? Aqui é Bauru? É aqui que você mora?”.

O cenário ao nosso redor é inusitado. Cerca de 30 caras de chuteiras, capacetes e ombreiras gigantes estão reunidos. Entre eles, passam roqueiros de todos os tipos. AC/DC cover na concha do Vitória Régia. Os times conversam. “Heeeey”, eu ouço pela esquerda enquanto tento entender as estratégias do jogo. No mesmo gramado, outras pessoas se destacam: vestidos de preto e branco, fora de moda. Os apitos que ouço não são dos meninos jogando bola.

Finalizando a Oficina “Bauru Através do Espelho”, de Verônica Veloso, que aconteceu durante a semana do FACE (I Festival de Artes Cênicas de Bauru), os participantes foram explorar os espaços públicos, interagindo com as pessoas e o espaço em si e questionando a relação entre os dois.

E, como Alice, eles falavam sozinhos e se perguntavam confusos: “O que te move? O que te impulsiona? O que move é o que te impulsiona?”. Numa tarde assim, Alice diria “estranhíssimo. Cada vez mais estranhíssimo”. Mas o quê exatamente? Ela não saberia dizer o que ao certo seria estranho nessa totalidade maluca.

Pisquei.

E quando abri os olhos, os três meninos voltavam molhados no meio da platéia roqueira da concha acústica a espera do show começar. Correndo por toda a extensão do Vitória, quem decidiu acompanhar curiosamente a intervenção foi convidado a tomar um pouco esse lugar de Alice e sair atrás do Coelho Branco pra saber onde eles iam apressados, mesmo sem ter sido convidado de fato a participar da corrida.




Entre malabares, rimas de hip hop, jogadores, roqueiros, crianças e casais iam descobrindo o parque, subindo em árvores e brincando em balanços, como se o Vitória fosse o quintal de casa.



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Guerra e Paz

5 de outubro de 2012
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Texto por Aline Antunes
Foto por Guilherme Coloiso

A Guerra de Pietrovit na Praça da Paz.



Na sexta-feira a temperamental primavera completava uma semana. A noite fria e de muito vento não espantou as famílias com crianças pequenas e os muitos outros marmanjos do espetáculo “A Guerra de Pietrovit” que aconteceu na Praça da Paz.

E o que foi o FACE?
“Inundar cada espaço, colocar o Homem face a arte, contaminar todo público! FACE - Bauru, o Festival de Artes Cênicas de Bauru, uma realização do Protótipo Tópico, tem sua primeira edição neste ano de 2012.”

O grupo de teatro Protótipo Tópico além de encabeçar o festival, também foi responsável por parte do conteúdo das apresentações, contando com a parceria de grupos vindos também de Londrina e São Paulo.

A peça com ar de circo tinha três atores no elenco, mas eles não se resumem a isso, e muito menos ao palco e linóleo. Interagindo com o público surgiram diversos “Matadores” e “Morredores”. Não sabia o que mais me confundia, os palhaços correndo pelo público, ou as crianças correndo pelo palco.



A Guerra de Pietrovit conta a história de guerras. Guerras frias e quentes, que a partir de um jogo cômico de palhaço nos trazem situações do cotidiano que detalham as batalhas do dia a dia.

O festival FACE trouxe uma oportunidade de conhecer melhor grupos artísticos dentro da cidade de Bauru, fortalecendo assim a cena cultural. A atração teve entrada franca, se você resistisse ao churros da Praça da Paz o custo da noite seria zero.



Vitória, Glória!
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Também quero entrar nessa dança!

1 de outubro de 2012
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Por Giovanna Diniz
Fotos por Paulo Infante




Sempre achei que a dança contemporânea fosse algo ininteligível. Mas nesse ano comecei a pesquisar mais sobre esse ramo da dança, assisti mais espetáculos e participei de oficinas que me fizeram mudar de ideia. Dança contemporânea é sobre liberdade. É sobre conhecer o próprio corpo, o espaço, o que está ao redor. É o improviso carregado de sentidos, é libertar-se dos movimentos mecânicos do cotidiano. Mas, mesmo assim, é trazer um pouco de si para a dança. É a coreografia do impulso, do instinto. Como disse a professora Sara Mazon, “as regras servem para serem quebradas”. 

No entanto, a dança contemporânea não é só introspectiva. Ela requer conexão com o outro, confiança e desprendimento. Houve um momento durante a oficina "Expressão e Movimento", que compõe a programação do FACE (Festival de Artes Cênicas de Bauru) onde puder ver isso claramente: aprender os movimentos com a professora até que não era difícil, mas na hora de interagir com os outros, havia uma preocupação em focar no parceiro de dança. Apesar de tudo, era só se soltar. A música ditava o ritmo do movimento. E que repertório! Ao som de Norah Jones, Cranberries, Beirut e até mesmo músicas indianas os alunos iam aprendendo a brincar com o próprio corpo, às vezes interagindo com os outros, às vezes com objetos como blusas e sacolas ou até mesmo sozinho, usando a própria imaginação. 

Afinal, o que se sabe sobre dançar? Como o próprio nome da oficina dizia, é uma “expressão corporal”. Mas, além disso, é uma forma de comunicação. Reduzimos tanto o que sentimos e o que queremos expressar em palavras que às vezes esquecemos que existem outros canais que também podemos usar. E no caso da dança contemporânea, o bailarino passa muito mais do que uma mensagem. Está ali sua vivência, sua experiência. O espectador desse tipo de arte deve esquecer qualquer julgamento de certo e errado, como o próprio bailarino fez. E até, se ele quiser também pode arriscar e entrar na dança, como eu fiz! 

“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.” (Friedrich Nietszche)



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Na vibe perfeita

24 de setembro de 2012
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Por Pâmela Pinheiro Antunes
Fotos por Julia Gottschalk

Não tinha lugar melhor para acontecer o show da banda Cultivo do que na República Tijuca do Morro, com seu ambiente orgânico, a céu aberto, com algumas árvores e um quintal de terra. Tudo a ver com a banda, que em suas músicas fala sobre a natureza, amor, compromisso social, simplicidade e espiritualidade. O show aconteceu no último sábado (22). 

Além da república já ter seu clima natural, a decoração também estava caprichada. No palco havia uma bandeira da banda, uma samambaia pendurada e a luzes verdes iluminando a noite sem estrelas. É claro que não podia faltar o bar, que estava vendendo cerveja, pinga de sabor, refrigerante e água. O público também entrou na vibe hippie. As meninas de saia longa, vestido e rasteirinha, e os meninos de bermuda, chinelo camisa xadrez.



O evento foi uma realização do Bar da Rosa, e também contou com a presença da bauruense Samanah como banda de abertura, que subiu ao palco às 19h14, com um repertório diferente de suas apresentações, com músicas de grandes nomes do reggae como Bob Marley, Mato Seco e também mandaram um som de Jorge Ben Jor. A banda é formada por Thales Mendes (vocal e guitarra base), Arthur Romonio (guitarra solo), Josluí Bulhões (contrabaixo) e Vinícus Pereira (bateria), porém o guitarrista oficial não pode estar presente, então tiveram a participação especial do guitarrista Fred de apenas 16 anos, que mostrou muita habilidade, inclusive mandando um blues improvisado, e do tecladista Fluvio Parigi que faz parte da banda Projeto de Homem Bomba. A apresentação acabou às 20h02 e foi um esquenta da regueira que estava para rola. 

Às 20h38 começou o show da banda Cultivo que é composta por Danilo Beccacia (guitarra), Angela Beatriz (vocal), Cristian Jonatan (bateria), Kris Korus (baixo), Pedro Angi (voz e violão) e Vitor Lorenzoni (saxofone). A primeira a música foi “Light da Fya” a segunda “Quem somos nós” a terceira “Povo da terra” e assim foi. Com mais de duas horas de apresentação vinte e seis músicas, onde cantaram sucessos dos três álbuns “Árvore Urbana” (2006) “Orgânico” (2009) e “Um pouca de cada” (2010) além de músicas inéditas do Cd que estão gravando e o som do Bob Marley o não ficou de fora. A galera dançava muito, envolvida pelo ritmo e letra das canções. Foi uma grande viaje para uma dimensão de bem estar, harmonia e positividade. Para finalizar “Sol / Deus É Vida” onde o vocalista Pedro Angi pediu para que o público falasse a frase “Eu sou manifestação viva do amor” como um mantra de energia positiva e seu pedido foi atendido.

Um show inesquecível com sensações indescritíveis. Como dizia o sábio Marley, “o Reggae não é para ouvir, é para sentir.”
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