Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens

Triste voltar à realidade

19 de junho de 2011
0
Por Ana Laura Mosquera (escrito em 12/06)

Tinha decidido não escrever texto nenhum hoje, mas depois da última conversa do dia, com o Gabriel, estou aqui. Foi quando reproduzi a mesma frase dita tantas vezes depois de chegar em casa agora à noite que ele me sugeriu escrever “uns dois parágrafos”com esse título. Eu aceitei. Vamos ver no que vai dar...

Depois de tantos shows, teatros, canjas na balada, palestras e pizzas colaborativas, como resolvi chamar, acabou. “Tudo acaba”, lembro de uma das também constantes frases do menino, de Sobre mendigos, meninos e poetas. O Festival para mim começou na sexta, por força de assuntos acadêmicos e garganta inflamada. A correria foi grande. Para minha primeira cobertura, acho até que exagerei. Quis cobrir performances que nem conhecia e intervenções às quais nem chegaria a tempo.

Domingo à noite, no mínimo levemente depressivo. A segunda promete chegar cheia de obrigações, cobranças e afazeres. Mesmo “caindo de sono”, resolvi aceitar o desafio que parece ser pensar qualquer coisa. Em pouco mais que dois parágrafos, acabo parabenizando toda a galera da organização do Festival, me orgulhando em começar a fazer parte do e-colab em um evento como esse e dizendo que quero sempre ir no Canja. “Poderia ter todo fim de semana”, alguém disse. Mas e o resto, como fica? Triste voltar à realidade, né?
Leia mais...

Canja Vibe

11 de junho de 2011
0

Olhos hipnotizados, homens e mulheres
Por Ana Laura Mosquera
Foto: Bruno Christophalo

Logo no início da noite, o bar ainda bastante vazio, duas mulheres desfilavam seus longos cabelos, penas e véus ontem pelo Jack. Eu sinceramente pensei que fossem do grupo de teatro. Além do que, estavam cobertas demais para o que seria uma dança de ventre. OK, também confesso que subestimei tanta produção para uma simples dança. O que não era nada simples, afinal. Em uma mistura de dança do ventre com dança tribal, em uma união de passos suaves e outros levemente rústicos, a intervenção começou. Com um pouco mais de ousadia, veio a moça com a espada. Em movimentos clássicos da dança sensual, executa todos de forma bastante delicada. Conseguiu prender a atenção de todos, com seu carisma, olhar e seus longos cabelos. São olhos hipnotizados por todo o lugar, homens e mulheres atraídos pelo charme e pela beleza da apresentação.



Primeiras e outras impressões
Por Ana Laura Mosquera
Foto: Bruno Christophalo

O teatro já havia começado quando o Gabriel veio me avisar. A performance é algo tão sutil em meio a shows de bandas e dança, que quase perdi o início. E assim a apresentação se desenvolveu. Um amigo ao meu lado perguntou “Você tá pensando no texto?” E eu disse “Tô”. Mas a única coisa que vinha na minha cabeça eram palavras jogadas, muitas dúvidas e receio.

Ao final, fui parar em uma espécie de camarim bem improvisado do artista Chico Peres, do Grupo Futuro Telescópio. Enquanto sua amiga ainda tirava a maquiagem dos olhos dele, conversamos. Fui honesta. Quando me dispus a cobrir o teatro da noite, esqueci que o que conhecia era um teatro mais tradicional e não performático. Desconhecia mais ainda as grandes produções e seus autores. Era uma leiga em meio a tantas informações embutidas nas performances. Por fim, Chico me esclareceu algumas coisas. Ele estava vestido como Hugo Ball, representante do dadaísmo, precursor da arte performática e fundador do clube noturno Cabaret Voltaire, na Suíça, em 1915. Estávamos frente a uma première do artista de Karawane, poema de Ball de 1917, escrito em alemão e com palavras inventadas. Enquanto as palavras apareciam no telão, ao som de uma trilha tensa e crescente, o homem balbuciava questionamentos humanos e os tais termos inventados, ora ao vivo, ora em gravações.

Com quase toda a maquiagem tirada (“Você quase arrancou minha sobrancelha agora”, brinca com a amiga) prestes a ir embora, percebi. E logo perguntei “Você não estava na palestra sobre Vegetarianismo hoje à tarde?” Ele confirmou... Chico tinha sido fundamental para a solução da minha última questão, quando disse “Social”.

(...)

Passos de barulhos metálicos pelo chão. Assim o homem entrou se arrastando e continuou pelo pequeno espaço à nossa frente. Cada passo transmitia certa agonia, completada pelas olheiras e a face pálida do “sofredor”. Sem falar da corda no pescoço. De início, não sabia se era alguém enforcado ou, acreditava menos, um escravo conduzido por um “dono”. Minha discreta incerteza se confirmou. Era um escravo.

Já sem maquiagem, como um "homem comum", fui mesmo atrás de Roger Lima, quase saindo do Jack. Mesmo com pressa, não hesitou em largar suas coisas num canto e conversar um pouco. Me explicou que aquele personagem era Lucky, de Samuel Beckett (pai do "teatro do absurdo"). Em “Esperando Godot”, Lucky é escravizado por Pozzo e conduzido por uma corda, obedecendo cada ordem do patrão. Lucky, e Roger, desatam então a falar rápida e ininterruptamente: críticas ao sistema capitalista, à escravidão... poucos param para ouvir.

Eu pergunto, por fim, ao artista do Grupo Solar “Você acha que as pessoas aqui têm conhecimento de Samuel Beckett, do 'teatro do absurdo' ou só eu não sei (risos)?” E ele responde firmemente “Com certeza a maioria não.” E eu insisto “Então por que essa apresentação, aqui, hoje?” E ele finaliza dizendo que a idéia é que cada um tenha suas impressões sobre o ato. A idéia geral foi passada.

Balaio Urbano
Por Beatriz Almeida


Banda Maraca Manca: reggae paulistano do bom

Multiplicidade, efusão, adrenalina, sujeira, raiva; traduzidos no som de quem faz questão de afirmar de onde vem. “A gente é de São Paulo.” Repetiu – uma, duas, três vezes o vocalista “Gonzo” que comanda a Maraca Manca desde 1998 e subiu ao palco diante de corpos contidos e rostos curiosos no terceiro dia de festival Canja.

A plateia do Jack, aquecida pelo teatro, parecia recém-acordada quando a banda entrou no palco. Atentei ao palco na procura de dreads ou de camisa do Bob Marley. Mas não havia nenhum elemento clichê do reggae. A banda aparentava o pop. Simpatia vocalística e poucos elementos visuais.

Começa o som e em três ou quatro minutos já dá pra sentir profissionalismo e personalidade do grupo. O som é diversificado. Lembra a capital. Traz a sutileza de Bob Marley e Peter Tosh. Leva pro agressivo hip hop paulistano. Reggae roots com elementos de rock e mpb, percussão que oscila entre o metálico e o toque seco do mangue beats. O percussionista surpreende com instrumentos de improviso e completa o som mesclado e desalinhado que a banda transmite.

Formada em 98 por amigos que tinham a pretensão de compartilhar o verdadeiro balaio de influências e ritmos trazidos da rua, a Maraca Manca traz para o palco a questão social e a multiculturalismo da cidade grande. "Reggae com elementos de São Paulo. Reggae urbano, é isso que a gente tenta trazer." No palco o resultado é um som pulsante, com boas ideais, desses que mantém o público concentrado mesmo com o repertório quase autoral. Importante, em meio a tanto barulho por aí, saber garantir autenticidade. Vindo de quem é quem é bom, cover é brinde.

Prazer em acordes e notas
Por Soraia Alves

Onze de junho, Jack Pub, onze e meia da noite. Estava ali pela única coisa que poderia ter feito com que eu saísse de casa em uma noite gelada às vésperas de uma prova no sábado de manhã: música boa. E a noite foi de esperas e perguntas respondidas.

A primeira pergunta ao ver o tímido movimento no pub foi: será que o Jack vai lotar? Não lotou, mas o número de pessoas presentes foi o suficiente para dar um ar aconchegante ao lugar. A próxima pergunta: quando vão tocar El Paso! e Projeto Projeto Homem Bomba?

Depois de uma intervenção da Academia de Dança de Bauru, com coreografias no estilo tribal e dança do ventre. Depois de todo o groove da experiente banda Maraca Manca (SP) e seu frontman que faz jus ao termo. Depois de mais uma intervenção, agora de um “Homem Surreal” do Grupo Futuro Telescópio, que não poderia ser descrito de outra forma. Depois de mais alguns minutos de reggae discotecado acompanhando as imagens psicodélicas do telão que escondia o palco, chega enfim a vez de ver e ouvir a banda Projeto Homem Bomba. Tanto já havia acontecido, e muito mais ainda estava por vir.

A banda é da casa, o público são os amigos e surge mais uma questão nessa cabeça aqui: será que a platéia curte mais um som amigo ou as apresentações, com o tempo, caem na mesmice? Caio Pink, João Megale, Lucas Montinho, João Perussi, Bruno Candeiras, Diogo Japa e Bruno Nantes mostram que música boa nunca enjoa.

A mensagem é clara já na primeira música: “chora esse cavaco”, pede o vocalista Pink ao amigo Megale, que atende ao pedido e mostra que difícil vai ser ficar parado até o fim do show. Olho para o canto esquerdo do palco para ver o batuque da percussão, e a imagem de um triângulo, típico instrumento nordestino se destaca. O que vem por aí? Vem mais música e as composições da banda começam a chamar minha atenção. Como não reparar em uma letra que diz “amar só por amar é ver sem enxergar”?

Animação e boas letras, a coisa pode melhorar? Pode, com “o samba não morre só porque você não quer sambar” sendo cantado pela galera. Mesmo os que não conheciam a música pegaram o refrão de primeira. E a mesma galera que canta, avança para perto do palco, e coloca o corpo pra mexer, os braços pro alto, surgem até passos coreografados. É tudo contagiante... E vem América, e vem Valéria, e imagino quantos não se perguntaram quem é essa Valéria que ganhou uma música tão boa em sua homenagem?

E será que acabou? Que nada, tem troca de instrumentos entre vocal e percussão. As guitarras ficam mais pesadas, galera não para. É muita energia e a prova são as peças de roupas de frio que, pouco a pouco saem dos ombros para rodar nas mãos. E ainda tem participação especial do MC amigo “pra fazer o maracatu com rap”, diz Pink. O amigo consegue animar aquilo que já parecia o ápice. O som é tão intenso, que me perco: bato cabeça ou sambo no pé? Com Projeto Homem Bomba vale os dois.

O amigo sai de cena e vem a música que encerra um show que não deixou nada a desejar. Na letra, um chamado para se ver o por do sol. Na platéia, a vontade de dizer: “fiquem homens bombas. Toquem até o sol nascer”.

Mas ainda é noite, e ela não acabou. Mais uma intrigante intervenção, agora com “O Monólogo de Lucky”, do Grupo Solar. Olhada rápida na parede para ver o símbolo do Festival Canja escrito em luzes e sombras. No relógio, quase quatro da manhã,o que faz muita gente ir pra casa antes de ver o Grand Finale.

No palco entram quatro rapazes estilosos vindo de uma (longa e perdida) viagem de Santo André a Bauru. El Paso! vai tocar. O último show da noite começa com a música Mulheres Voadoras. Não vi mulheres voando, mas vi as baquetas de Rafael Cab voarem. Vi Anderson Ventura abusar das distorções em sua guitarra. Vi André Oliveira não só cantar, mas também solar a guitarra. Vi Oscar Santana dedilhar com prazer as quatro cordas de seu baixo. Aliás vi, com muito prazer a apresentação de uma banda que toca com e por prazer, e sentir isso de um músico não tem preço.

Entre letras que falam de ódio e amor, meus ouvidos despertam para frases como “a queda não tem altura” e “ao menos justifique a mudança”. Música tocada que toca a gente, outra coisa que não tem preço.

O número de pessoas vai diminuindo, o frio vai aumentando, mas a explosão daquela bateria não deixa meus pés ficarem parados. E quando penso que sou a única resistente ao sono, ao frio, e ao horário vejo sombras na parede se contorcendo. Mais gente está curtindo, mais gente curtindo com prazer aqueles rapazes que tocam com paixão.

O show chega ao fim e o papo rápido com Oscar só confirma minha teoria do “prazer desses caras em fazer música”. Em poucos minutos, o baixista fala três vezes “a música acima de tudo”.

Entre esperas e perguntas, a resposta é realmente: música acima de tudo.

Vibe energética - El Paso!
Fotos e texto por Bruno Cristophalo

El Paso. O nome me chamou a atenção, pois eu curto muito uma banda de lá e achei que pudesse ser uma das influências. Mas isso é assunto pra outro post...

Começando o show da banda de Santo André, percebi que na minha frente havia uma energia forte. Melodias bem construídas, com ritmos às vezes fora de compasso e cheias de quebradas ditavam a pegada da El Paso.

As letras as vezes dramáticas demais e o vocal talvez tenham me desanimado um pouco, mas o que me prendeu mesmo foi a musicalidade intensa dos caras. Tocavam com um sorriso no rosto, mesmo com poucas pessoas resistindo ao horário já tardio e ao frio que já começava a bater no Jack.



“O som acima de tudo”, com as letras servindo apenas para preencher todos aqueles riffs que mudavam de cadência a todo instante, atrapalhando o ritmo das cabeças e pés batentes que acompanhavam o quarteto em frente ao palco.

Queens of the Stone Age é o que faz a cabeça de todos eles, me contou o baixista
Rodrigo “Oscar” Santana, alguns minutos após seus dedos frenéticos pararem de galopar as quatro cordas de seu instrumento. Achei massa e percebi que aquela guitarra que crescia durante as músicas levando tudo consigo me lembrava algo.

O último acorde chega e a alegria dos quatro continua lá, o agradecimento sincero encerra a apresentação e a André Oliveira, Anderson Ventura, Rodrigo Santana e Rafael Cab, os membros da El Paso, ouvem os aplausos de quem ainda estava lá curtindo o som.

A movimentação se encerra por um breve instante.

Desce a cortina e o ska volta aos PA’s para encerrar a noite Vibe do Festival Canja 2011, a primeira que rolou no Jack Pub.
Leia mais...

Softwares, música e piração

Por Luana Rodriguez

Quando cheguei atrasada na Unesp, na manhã fria de sexta feira, acreditei que iria perder o início da oficina de vídeo em tempo real. Engano meu. O que encontrei foi uma porta fechada e algumas pessoas ansiosas para que a oficina começasse.

Não deu nem 5 minutos e os responsáveis pela oficina chegaram. “Desculpe o atraso, meu ônibus acabou chegando às 9:00 horas”, disse o VJ Filipe Peçanha, antes de começar as explicações que todos aguardavam.

Dentro da sala, estavam 7 pessoas. Um estudante de Rádio e TV, uma menina que fazia Relações públicas, duas pessoas formadas em artes, uma graduada em jornalismo, eu e Filipe Peçanha, oficineiro do dia. Depois de se apresentar e saber conhecer um pouco dos interessados em sua fala, o VJ graduando da Ufscar, sintetizou em poucas palavras o que seria a oficina e qual o seu trabalho. Segundo ele, o trabalho do VJ é captar a peculiaridade da banda a partir daí fazer um trabalho forte, juntando a música com o banco de dados e as imagens. “Eu fico ouvindo música, controlando as imagens, mixando e gravando”, afirmou.

A partir disso foram duas horas repletas de vídeos psicodélicos, com músicas fortes, cores vivas e alternância de ritmos, que em determinados momentos me passavam a sensação de vertigem. Até a projeção do vídeo de Iron Man, da banda Black Sabbath foi lembrada. E, entre um nome importante e outro como Oskar Fischinger, Hans Richter e Norman McLaren, mencionados por Filipe, uma viagem no tempo foi feita para explicar a história das projeções audiovisuais.


Para ilustrar a fritação (coloque em tela cheia, e enjoy)

Quando se aproximava do meio-dia, entre olhares atentos e caras de sono, Filipe anunciou o fim da primeira parte da oficina. Antes de liberar a galera para o almoço, o VJ pediu as impressões das pessoas presentes e anunciou o que seria a segunda parte da oficina: um projeto para aprender a fazer projeções usando o Canja como referência.

Carolina Dias, estudante de RP que estava presente na sala, disse na hora do intervalo que havia gostado das explicações e matado sua curiosidade em relação as mixagens de som e imagem. “Eu gostei de verdade da oficina, queria saber como é esse lance de mixagem de vídeos que é muito louco e entendi como funciona”, esclareceu a estudante que depois disse que não voltaria para a segunda parte da oficina.

De volta ao mundo perdido, tive por alguns minutos a sensação de que não teria segunda parte alguma. Passaram-se quinze minutos, não havia sinal de ninguém e sala para onde estava programada a oficina começou a encher de estudantes que não participariam do projeto de editoração vídeos. Depois de um tempo, Filipe retornou a sala, mas ninguém que estava presente no período da manhã tinha voltado.

A oficina recomeçou com um público totalmente novo. Eu era a única exceção. Logo de cara, o VJ lançou aspectos técnicos e práticos sobre a projeção e mixagem. “No básico, básico, um projetor e um computador” afirmou Filipe em meio a desenhos de ângulos e coisas parecidas.

Logo depois, nos foi apresentado o programa para editoração, o Resolume. Como parte do projeto começamos a mexer naquele programa totalmente novo, pelo
menos pra mim. Quando já estava no fim das explicações sobre como usar o resolume, os participantes da primeira parte da oficina chegaram, atrasados, obrigando Filipe a recomeçar as explicações.

Ao som do Projeto Homem Bomba, me aventurei naquele programa, e aí começou a piração. O choque de cores e a velocidade das imagens que eu projetava umas sobre as outras era tamanha que me fazia viajar por entre as idéias.

Quando a oficina chegava ao fim, fui conversar com Filipe sobre seu interesse pela projeção. Ele me contou que decidiu ser VJ no momento em que descobriu seu gosto por audiovisual e que decidiu não fazer engenharia. Me disse também que a apresentação mais louca que ele fez foi para o encerramento de um encontro de cinema e, que as maiores dificuldades na projeção está em armazenar um grande banco de dados. “Outra dificuldade está no espaço. O local pra projeção tem que ter tela e planejamento”, complementou.

Ao final da oficina o resultado foi bastante positivo, a galera, embora tenha achado o
programa bem confuso de inicio, conseguiu se adaptar ao software e eu que não sabia nada sobre edição de vídeo, posso dizer que agora sei um pouco mais do que nada.

Leia mais...

Vegetarianismo: “sutilizando” alguns hábitos

10 de junho de 2011
0

Por Ana Laura Mosquera
Fotos: Grupo AGR

Certa vez, o historiador Leandro Cruz (mais conhecido como nosso quase jornalista “Tiozão”), após me mandar um texto seu sobre a história da nossa comida, me lançou a seguinte questão: é mesmo natural a gente comer carne, se nossa mandíbula “sofre” ao triturar um simples pedaço de bife? Conversamos um pouco depois disso, simpatizei com algumas idéias, mas a empolgação passou rápido. De um modo um pouco mais sutil, Fernando Perri, psicólogo, instrutor de Yoga e adepto do Vegetarianismo, me lançou outra questão hoje. Mas essa fica pro final.

A palestra sobre “Vegetarianismo e Meio Ambiente” não recebeu tantos ouvintes, talvez por causa do horário, talvez pelo tema abordado. Como iniciou o próprio Fernando, o público que mais freqüenta suas palestras é o que menos “precisa”: eles mesmos, os vegetarianos, que ainda são uma “minoria esmagadora” entre nós.

A verdade é que, para adeptos da causa, meros simpatizantes ou carnívoros convictos, Fernando conseguiu conduzir o encontro de maneira muito agradável, até engraçado, às vezes. Talvez o “saber-lidar” de psicólogo e a filosofia zen do Yoga tenham contribuído para a conversa fluir bem. “Não estou aqui para convencer ninguém a ser vegetariano, embora gostasse muito que todos fossem”, diz ele, rindo.

Passando por um rápido histórico de desde quando só nos preocupávamos com a preservação do mico-leão-dourado, como brinca, Fernando chega aos dias de hoje, onde “se fala dos impactos ambientais de tudo, menos da alimentação”. Começando pela questão da água até chegar à do excremento dos animais, cita os prejuízos ambientais da alimentação da maioria, sem deixar de brincar mais uma vez: “É o primeiro slide que vejo com esse título: excremento”.

Em meio a sugestões de vídeos, filmes e documentários, alerta: “Se todos consumissem produtos animais na alimentação, como fazem os americanos, brasileiros, chineses e europeus, precisaríamos de dois planetas Terra para a produção deste alimento.”

Por fim, um passo a passo para quem quer tentar o Vegetarianismo. A primeira dica é “sutilizar” uns hábitos, como inserir cereais e mais vegetais na dieta, não cortar a carne de uma só vez. “Antes de pensar em retirar alguma coisa, concentre-se em acrescentar.”

Anoto tudo rapidamente, como uma aluna de cursinho, sem vergonha de ninguém. É... esse texto está longe de ser uma apologia ao Vegetarianismo. Nem poderia. Sou carnívora. Então, no instante final, ele lança: “Qual é a parte mais difícil em se tornar vegetariano?” “Acesso a restaurante”, alguém grita. “Preparação dos alimentos”, outra pensa. “Social.” Com um simples aceno de cabeça, Fernando conclui sua palestra: “Quando você resolve ter um tipo de vida um pouco alternativo, você tem que ter paciência.” Sem nem saber, acabou respondendo minha única questão.

Para saber mais...

www.svb.org.br (Sociedade Vegetariana Brasileira)

Blog do “Tiozão”:


Leia mais...

Compacto Arte #1

7 de junho de 2011
0
A sala de reuniões ficou linda. O corredor ganhou cores e forma. Mãos, rostos, personagens. Parecem se comunicar com o observador. O olhar atento avalia o ambiente: sábado, oito da noite e entre cervejas e pinceladas a música ainda é audível. Som que lembra a rua. Rap, reggae urbano, rock rápido. Entra e sai de gente. Cheiro de spray, jornal, fita crepe, adesivo. Espaço urbano; dentro de casa.
Curiosidade de jornalista não falha. Arrisco: “O que vai ser aí?”. O artista rascunha. Acha graça na pergunta. “Ah, isso aí a gente nunca sabe né?” Sérgio Oliveira é residente do Mary Dota e é grafiteiro de anos pra cá. Não demora muito e vai trabalhar com arte no exterior. Ele brinca com o esboço. Arrisca um olho com o spray. Logo o branco gélido dá lugar a um rosto enigmático. Logo ao lado, Celso Oliveira projeta a linguagem de sinais na parede. Pronto. Tá registrada a mensagem.

Era quase meia noite quando deixei a sede do Enxame coletivo. O Compacto Arte reuniu cerca de 30 pessoas entre artistas e entusiastas. Estudantes de arquitetura, design e artes e gente que vive de arte, curiosos ; de Marília, ou de “5 ruas ali pra baixo.” Tem espaço para todo mundo. União dessas, que só a arte promove. Lugares inusitados que deram lugar à sutis intervenções. Outras escancaradas e indecifráveis. Parede por parede. Qual é sua arte?

Vídeo: Neurônio Produtora.


Leia mais...

Festival da Rádio – impressões sobre o segundo dia.

26 de maio de 2011
0

Grande Guilhermão

por João Paloso

Eram umas quatro e vinte da tarde quando eu cheguei no Guilhermão.
Disseram que ia ter um tal de 'Festival de 20 anos da rádio'...
Cheguei lá... Mas não tava rolando nada... Acho que era muito cedo.
Bom, resolvi esperar... Sentei e acendi um cigarrinho.
Comecei a brisar...
Esse lugar é muito da hora para meditar... refletir...
Delirei de forma tão intensa que acabei pegando num sono...
Tive um sonho diferente...

Sonhei que estava numa pescaria... Uma pescaria de protesto...
Alunos protestando contra a construção de um lago e uma ponte, localizados num local completamente inútil da faculdade... E parece que a diretoria dessa faculdade tinha gasto uns 13 mil reais nessa bosta, alguma coisa assim...

Acordei assustado e ví uma mulher enorme correndo para todos os lados.
Me parece que ela estava fugindo de três homens malucos...
Era uma mulher realmente muito sedutora.
Hipnotizava e enlouquecia os homens.
Ela tirou uma maçã do sutiã. Os caras ficarão loucos.
Mas não, ela não deu pra eles... Guardou tudo pra si... Mordeu a maçã do pecado. Foi um verdadeiro pecado o que ela fez... Até eu queria comer ela (a maça ou a mulher?)
Foi um espetáculo.

Já era hora da festa começar.
Ia rolar uma premiação...
Os apresentadores explicaram os critérios de avaliação.
Um dos critérios era 'musicalidade', acho que é isso...
Bom, é o que se espera para uma banda, fala ai? Musicalidade pelo menos...
Olhei para o lado e vi que os jurados estavam dormindo...
Acorda ae, pow! A festa já começou (essa parte é zueira)
A galera colou em peso. As bandas concorrentes da noite eram Projeto Homem Bomba, Monte de Bossa, Deck 66, PsychoRoots, RoL, Estereoterapia e Samanah.
Tinha várias exposições artísticas na entrada...tava muito louco... Exposições interativas muito doidas. Além de algumas rodas de discussão e outras rodas também...
Estávamos ali, ocupando a universidade, ou, como diria a Laís,


“Ocupaculturando” a universidade
por Laís Bellini

O segundo dia do Festival Cultural 20 Anos da Rádio Unesp FM foi o primeiro que concentrou a galera no espaço da própria universidade. Um evento raro e que atraiu um público variado. Cada banda se apresentou com 3 músicas, uma autoral, uma cover e uma a escolha da própria banda. Com uma apresentação teatral e um som no violão, o evento começou. Fora do Guilhermão, anfiteatro onde rolava o som, muita coisa acontecendo: maquiagem, arte no retroprojetor, caricatura, exposições, pintura coletiva, enfim, muita coisa acontecendo mesmo! Aliás, essa pintura coletiva eu achei demais! Foi a primeira coisa que eu vi quando cheguei. Havia dois desenhos de digitais para serem formadas por stencil, mas ao invés de passarem um pincel ou um spray lá pra definir a “digitalzona” no papel de trás, os artistas pediam para a galera sujar os dedos com uma tinta vermelha e passar a própria digital nos espaços. Quando
pronto, o desenho representava várias digitais em uma só! A minha digital ficou lá, em vários pedacinhos!

Vamos ao concurso das bandas! A minha impressão foi que todas as bandas tremeram na base
na primeira música. Normal né, não é todo dia que bandas de Bauru têm a chance de disputar uma gravação em estúdio! Eu ficaria realmente nervosa se estivesse cantando ou tocando algum instrumento...

A partir da segunda música, todas se soltaram e foi bom demais, apesar do som que estava meio comprometido por causa do próprio lugar do evento. O Guilhermão, como disse uma amiga minha que estava do meu lado, “leva o som pra dentro e não pra fora”. Ou seja, o som não se espalhava, ficava contido no palco, fato bem ruim para um Festival com concurso entre bandas. No mais, foi tudo bem legal, a galera da faculdade curtindo um som e aproveitando o espaço que devemos sempre ocupar, afinal, ele é nosso, é de todos!


fotos: Diogo Zambello


Leia mais...

Pelas ruas, pela arte

18 de maio de 2011
0
Foto por Amandla Rocha


Uma porta na rua chama a atenção. Lugar acesso na rua semi escura, mais baixo que a calçada e com paredes de vidro subindo pelos dois andares, transparecendo gibis, livros, revistas, VHS, discos, sapatos e roupas. A porta é só um convite para entrar em contato com peças em extinção cultural.

No fundo da loja, uma escada caracol conduzindo para 80 minutos de lavagem cerebral entre almofadas, pufs, araras cheias de roupas, vinis e pôsteres nas paredes, uma fita zebrada amarela e preta na barra de concreto que divide ao meio o teto baixo do 2º piso da Loja Extinção.

Tão aconchegante quanto se reunir com os amigos para assistir um filme em casa. Tão ou mais, dado o ambiente e a programação.

A ocasião é o novo projeto audiovisual do Enxame em parceria com o Empório Cultural Extinção, o CinExtinção. A idéia é exibir filmes, documentários e animações que estão fora dos grandes circuitos. E pra quem já logo pensa em “Laranja Mecânica”, a proposta dessas sessões são ainda mais distintas. A estréia trouxe “Exit Through the Gift Shop”, um documentário sobre um cara, uma filmadora e a arte de rua. Anos dedicados à street art, subindo em edifícios ao redor do mundo e se arriscando por uma obra que no dia seguinte pode já não estar mais lá.

A lavagem cerebral ficou mesmo por conta de Banksy, documentarista do (falso documentário ou não) “Exit Through the Gift Shop” e grande expoente britânico da street art, que deixou as cabeças que compareceram ao Extinção à um turbilhão com tanta genialidade. Genialidade que promete se repetir nas próximas exibições do CinExtinção que ocorrerão semanalmente no Empório Cultural.

Nesta quinta, o CinExtinção traz o documentário "Music is the Weapon" ("Música é a Arma"), sobre o multi-instrumentista Fela Kuti. A direção é de Stéphane Tchal Gadjieff e Jean-Jacques Flori.
Leia mais...

Quando o Valvulla sujou o Shiva Bar - Quarta Dimensão

13 de maio de 2011
4


Às vezes a canção rebuscada, com métricas rígidas e lirismo profundo é importante, fazem a gente refletir, ficar quieto. Às vezes... não adianta. Simplesmente porque queremos somente um power-trio (guitarra, baixo e bateria), poucos acordes, berros e ficar doidão com o som.

Esse é o estilo da banda Valvulla, de Vila Velha, Espírito Santo, que se apresentou ontem (12/05) na inauguração do projeto Quarta Dimensão no Shiva Bar. Mergulhados em referências do rock das décadas de 60 e 70, Valvulla mostra um rock cru, direto, de garagem. Como credencial têm a abertura do show do Placebo, em 2005, quando foram finalistas do concurso Claro que é Rock.O som não é nada de original, se comparado a Sex Pistols, The Clash, Stooges  e Ramones. Mas, em tempos de acesso total a tudo, relembrar vale tanto quanto criar. Não há problema em homenagear o já feito, em recriar o original.

Um exemplo de citação aos ídolos é a fixação com o ano de 1977, ano de auge do punk-hardcore, Sex Pistols, Guerra Fria, rebeldes, drogas, faça-você-mesmo, loucuras. Veja: o baterista responde por Renato 77, o nome da turnê atual do grupo é “Inner Man – tour 1977” e eles possuem uma música chamada... 1977. Isso que é homenagem.

“É isso que a gente quer. Rock de três acordes, simples, sujão mesmo”, conta o guitarrista Will. Fora do bar e sentado ao meio-fio com o restante da banda, ele lembra que a antiga formação do Valvulla tinha um vocalista “meio bossa nova”, incompatível com o estilo atual que a banda encontrou no atual frontman, João Lucas.
Sempre ajeitando os cabelos para frente do rosto e gritando sem parar, ele segura a barra nos vocais. O baixista Danilo, usando óculos escuros quadrados bem Mod (a banda inteira o é), viaja com as linhas de baixo, joga o instrumento para todos os lados e leva perigo para as cabeças das espectadoras mais próximas (relato da colaborada do E-colab, Beatriz Almeida).

O show começou cedo, meia-noite, mas o bar já estava lotado. No repertório: covers de Beatles pré-Rubber Soul (“Eight days a week” e outros), Stones (“Route 66”), Stooges (“No fun”),Velvet (“I’m waiting for my man”, que fritação linda) e Júpiter Maçã com faixa condizente à ocasião, (“Um lugar do caralho”).

E era mesmo. Tijolinhos expostos davam aconchego, simplicidade. As flores, os tapetes e os Ganesh na parede se multiplicavam sugerindo tranquilidade. “O espaço é do caralho, não tem isso em Vila Velha ou mesmo em Vitória”, diz surpreso o baterista Will.

O Valvulla fez 16 horas de viagem de Vila Velha a Bauru. O tempo ocioso não foi de todo mal, durante a saga do ônibus a banda compôs a música “Saint Paul”, homenagem ao Estado que estão percorrendo, e que foi acrescentada às seis músicas do EP Inner Man. Três delas podem ser escutadas no Myspace do Valvulla.

Banda de rock é isso mesmo. Longas viagens de ônibus, levando instrumento nas costas, sentado na guia para dar entrevista... sempre tomando uma cerveja barata. E que isso (o rock) nunca acabe.

Por Renan Simão


Um rolê do caralho!
Quantas dimensões superadas numa só noite! Se você procurava “um lugar legal” pra “dançar” e “escabelar”, que “tem um som legal”, “que tem gente legal”, “onde as pessoas sejam loucas” o Shiva era o role!  “Um lugar do caralho”, como diria Júpiter Maçã! Mas não foi ele quem brilhou na primeira noite do Quarta Dimensão no ShivaBar. A banda Válvula, do Espírito Santo rodou quilômetros pra chegar em Bauru, subir no palco e mandar ver! Entre muitas autorais, ouvimos Beatles e Júpiter Maçã, e aquele era o “lugar do caralho”!

Não dá pra não falar da discotecagem do Árido Groove. Eu to começando a me deixar levar pela presença do som dos caras pra pensar se eu vou ou não num role. Não conheço a banda?! Ah, mas vai ter Árido Groove, a noite vai ser boa! Os caras envolvem os clássicos com as bandas que estão começando agora, precisando de divulgação, a seleção das músicas é única, eles são diferenciados!

A noite rolou até umas 5 da manhã. Entrada de graça até meia-noite, cerveja gelada, gente maluca, gente feliz, gente. Tinha muita gente! E tava quente, ninguém parou de dançar, ninguém parou de beber, ninguém se sentou, ninguém queria ir embora. Quinta não era um dia de compromissos.

Por Laís Bellini
Fotos: Vitor Garcia
Leia mais...
Próxima Anterior