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C'est fini

30 de setembro de 2013
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Texto e fotos por Julia Gottschalk


Ontem acabou o Festival FACE, que muito mais do que trazer belíssimas peças e workshops reviveu em mim (e espero que em outros) a paixão por essa  arte tão bela e tão nobre.  O festival cumpriu com a proposta de trazer várias formas de expressão teatral, e a que o encerrou foi uma divertida peça clown, Fontainebleau, da Bella Cia.














     Nessa peça os dois palhaços pintores, Claude Monéio  e Auguste Fenoir partem de uma interação com a plateia ao lado de fora do teatro, para a floresta de Fontainebleau em busca de inspiração para pintar. No caminho brincam com o idioma francês e até usam a “tecla sap” de um controle remoto para chegar ao português.   Ao chegar à floresta os pintores encontram a belíssima Floris Arbre e passam a procurar a melhor forma de pintá-la.

Durante os 50 minutos de peça os palhaços desmaiam, dançam e até mesmo incorporam artistas, poetas e escritores. 

O FACE chegou ao fim, mas  a última peça de certa forma despertou algo, pelo menos em mim. Um sinal, dois sinais, três sinais. Faz muito tempo que esses três toques não fazem mais parte da minha vida. Os anos de palco, coxia e ensaios já se foram... O amor pela arte não, nunca irá.  

Ontem pensando no festival fiquei ligeiramente triste, triste, pois eram poucas as pessoas que estavam lá prestigiando os atores, a técnica, os organizadores. Bauru é uma cidade tão grande e nos dois dias que compareci ao Festival (e me arrependo de ter sido apenas dois), o Teatro Municipal não chegava nem a metade de sua capacidade de lotação. Sábado e Domingo, um festival amplamente divulgado, e de graça. São peças vindas de diversos lugares, atores com anos de carreira, pessoas nos permitindo desfrutar da arte, essa arte que alimenta a alma, essa arte que preenche a vida.


Quem sou eu para julgar o não comparecimento de fulano ou ciclano? Ninguém. Mas uma coisa posso dizer, quem não foi, perdeu.  E quem venha o terceiro Face, maior ainda, talvez com duas semanas e espero que dessa vez com muito mais público! Parabéns ao Protótipo Tópico e a todos que organizaram e tornaram esse festival possível. E que o e-Colab tenha oportunidade de estar junto mais uma vez ano que vem! Até a próxima!
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O que fazer com o que Kafka fez com a gente

29 de setembro de 2013
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Texto e fotos por Julia Gottschalk

Qual a influência da literatura na sua vida?  Para o personagem de Gerrah Tenfuss em “O que fazer com o que Kafka fez com a gente”, a obra do autor Tcheco tem papel dominante em sua vida, mais que isso, o personagem se enxerga como o próprio Kafka e deixa boa parte de sua vida ser guiada pelas obras do mesmo.


Um cenário simples e um palco escuro contribuem para valorizar ainda mais a impecável atuação solo de Gerrah Tenfuss.  Em um curto tempo de peça consegue envolver  o público na vida do personagem que, ao descobrir uma foto de Kafka em uma revista literária, percebe que é muito parecido com ele, se identifica com a obra e torna-se escritor.




Com estreia em 2010, peça é a encenação do conto de Jair Ferreira do Santos,  presente no seu livro Cyber Senzala .A apresentação de Sábado foi parte da programação do penúltimo dia do FACE, e aconteceu no Teatro Municipal de Bauru.

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Rebeca #FACE 2013

28 de setembro de 2013
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Por Amanda Fonseca
Foto: Divulgação Cia Estúpida de Teatro

Rebeca
O bicho
Cabeça
Janeiro
Cu
Água
Laser
58
Pessoas
O palco
Cadeiras
1974
Buceta
Senhora
Não, não estou sob efeito do álcool
Freiras
Assanhada
Peitos
Bundas
Água
Dança
Louca
Surto
Não, não estou sob efeito de drogas
Ruídos
Pés
Tambor
Rádio
Batom
Vermelho
Cérebro
Pane
Surto
Não, eu não bebi e nem fumei
ESTÚPIDO, ESTÚPIDO! C’est fini!
O espetáculo acabou.

*texto sobre a peça “Estúpido” da Cia. Estúpida – Londrina (PR), que ocorreu hoje, sexta-feira, 27, no Teatro Municipal de Bauru. O espetáculo fez parte da programação do 2° Festival de Artes Cênicas de Bauru, FACE.

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Estupidamente prazeroso #FACE2013



Texto e fotos por Giovani Tabaquim

Dando continuidade ao 2º Festival de Artes Cênicas de Bauru, conhecido como FACE, o Teatro Municipal teve a alegria de receber o grupo Cia. Estúpida, na última sexta-feira, dia 27/09. Vindos de Londrina, no Paraná, os jovens da trupe protagonizaram com muita dedicação e excelência a peça "Estúpido", uma verdadeira cachoeira de sentimentos, anseios e perturbações mais profundos do instinto do ser humano. Segundo o próprio site do evento, um dos pontos de partida deste trabalho foi o universo do neurocientista Oliver Sacks.

Com uma plateia composta por jovens, adultos, idosos, famílias e casais, a fila para assistir a peça era consideravelmente extensa, e conforme ia se aproximando o horário do espetáculo, mais e mais pessoas começavam a aparecer. Aparentemente, muitos se conheciam, pois a toda hora eram vários cumprimentos entre as pessoas presentes.

Depois, uma parte do público teve a chance de assistir a peça em cima do palco, formando uma roda que deixava os atores no meio de tudo, o que deu uma verdadeira experiência 360 graus para eles, e uma sensação de proximidade colossal para os espectadores, que pareciam que iam tocar os artistas. Só que, devido à grande quantidade de pessoas e também pela falta de espaço dentro do palco, alguns tiveram que ficar sentados nas poltronas do teatro. Mas isso não foi nenhum problema, e todos aproveitaram a noite da melhor forma possível.

A peça foi composta por diversas mini-histórias, que retratavam entre outras coisas, a necessidade do ser humano de se libertar, de trazer à tona seus verdadeiros desejos e vontades, coisa que está cada vez mais difícil nesta sociedade contemporânea em que vivemos. Escutamos vozes, somos pressionados, e temos que fazer coisas que não queremos. Como mostrado na peça, muitas vezes as pessoas querem somente se soltar e liberar algo que está preso de si, de diversas formas, tais como as mostradas no espetáculo.

Uma das histórias que mais chamaram a atenção foi a de Rebeca (leia um poema sobre a peça aqui), uma menina que nasceu com uma grave deficiência mental, e também é péssima em coordenação motora, o que a faz, na teoria, um ser humano totalmente desprezível para a sociedade. Porém, é mostrado que ela tem um estado de espírito, vivacidade e alegria de viver, em seu contato com a natureza e com tudo que à cerca,. Isso nos leva a pensar nos valores que damos para determinados aspectos, em detrimento a outros, e na forma que a nossa sociedade está moldada

Perturbador, instigante, aflitivo, delicioso de assistir, "Estúpido" foi uma experiência maravilhosa para todos que tiveram o prazer de estar lá, e de certa forma, se identificar com o que foi passado.



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O Bloomday em Bauru

26 de setembro de 2013
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Por Pâmela Antunes

O 2° FACE Bauru (Festival de Artes Cênicas) teve sua abertura oficial nesta quarta-feira (25), mas a programação começou no do dia (24) com a oficina e workshop de ferramentas consciente de criação de movimento, coordenada pela bailarina Marília Coelho, que segue até o dia (26) no Espaço Protótipo.


No segundo dia de oficina, Marília ensinou os conceitos de ação, espaço, e design do corpo. Foi com muito domínio que ela passou aos participantes os movimentos e ações que eles tinham que realizar, sempre pedindo um exercício depois de cada explicação. Uma oficina bem dinâmica com um resultado bonito de se ver.


O espetáculo que iniciou o 2° FACE Bauru, foi Cortejo Bloomsday, inspiradora obra de James Joyce, Ulysses, romance com mais de 900 páginas que se passa em apenas um dia do ano 1904 em Dublin, Irlanda. A encenação aconteceu no MIS (Museu da Imagem e do Som) pela SP Escola de Teatro. 




O Cortejo de Bloomsday contou com a intervenção do público do começo ao fim, sendo que os atores foram buscar a platéia na rua enquanto aguardavam o início da peça, e seguiram em vários espaços do MIS onde as cenas aconteceram.


Com uma versão muito bem humorada, que retirou várias gargalhadas, fez cada um que estava presente sentir na pele o dia incomum que o protagonista Leopoldo Bloom passou sofrendo alucinações, bebedeira, fantasias e a traição da sua mulher.

Foi em grande estilo que o FACE teve sua abertura oficial.

Confira a programação completa no site http://www.facebauru.art.br/





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II FACE Bauru começa amanhã: programe-se!

24 de setembro de 2013
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Com a proposta de “colocar-se dentro da existência” humana, a segunda edição do FACE, Festival de Artes Cênicas de Bauru, traz diversas oficinas e espetáculos ao longo desta semana.

As atividades começam amanhã, 25 de setembro e vão até domingo dia 29, com ocupações de espaços públicos e centrais da cidade, como o Espaço Protótipo, recém inaugurado, o Teatro Municipal e o Museu de Imagem e Som.

O projeto foi idealizado por artistas independentes e produtores culturais da cidade como o Espaço Protótipo. A programação conta com espetáculos como “Estúpido”, da Cia Estúpida de Londrina (PR), “Fontainebleau” da Bella Cia, de São Paulo e “O que fazer com o que Kafka fez com a gente” da Gerrah Tenfuss de São José do Rio Preto, entre outras belíssimas peças.

Além disso, o evento traz dois workshops profundos: Clown e Ferramentas Conscientes de Criação de Movimento, ambas ministradas com teor teórico-prático para estudantes de artes cênicas e atores, mas também abertas ao público interessado.

Uma novidade deste ano é o “Entroncamento” atividade realizada em conjunto com o Protótipo Tópico e Gerrah Tenfuss, que terá como foco a revitalização do centro histórico da cidade.

Para saber mais detalhes da programação, acesse o site do evento e confirme presença no Facebook!
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Na toca do Coelho Branco

8 de outubro de 2012
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Texto e fotos por Laís Semis



Me senti intimidada quando Raíssa, ao levantar do gramado, me olhou profundamente com seus questionamentos - logo ela, que costuma me deixar sempre à vontade. “Você mora aqui? AQUI? Aqui é Bauru? É aqui que você mora?”.

O cenário ao nosso redor é inusitado. Cerca de 30 caras de chuteiras, capacetes e ombreiras gigantes estão reunidos. Entre eles, passam roqueiros de todos os tipos. AC/DC cover na concha do Vitória Régia. Os times conversam. “Heeeey”, eu ouço pela esquerda enquanto tento entender as estratégias do jogo. No mesmo gramado, outras pessoas se destacam: vestidos de preto e branco, fora de moda. Os apitos que ouço não são dos meninos jogando bola.

Finalizando a Oficina “Bauru Através do Espelho”, de Verônica Veloso, que aconteceu durante a semana do FACE (I Festival de Artes Cênicas de Bauru), os participantes foram explorar os espaços públicos, interagindo com as pessoas e o espaço em si e questionando a relação entre os dois.

E, como Alice, eles falavam sozinhos e se perguntavam confusos: “O que te move? O que te impulsiona? O que move é o que te impulsiona?”. Numa tarde assim, Alice diria “estranhíssimo. Cada vez mais estranhíssimo”. Mas o quê exatamente? Ela não saberia dizer o que ao certo seria estranho nessa totalidade maluca.

Pisquei.

E quando abri os olhos, os três meninos voltavam molhados no meio da platéia roqueira da concha acústica a espera do show começar. Correndo por toda a extensão do Vitória, quem decidiu acompanhar curiosamente a intervenção foi convidado a tomar um pouco esse lugar de Alice e sair atrás do Coelho Branco pra saber onde eles iam apressados, mesmo sem ter sido convidado de fato a participar da corrida.




Entre malabares, rimas de hip hop, jogadores, roqueiros, crianças e casais iam descobrindo o parque, subindo em árvores e brincando em balanços, como se o Vitória fosse o quintal de casa.



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Guerra e Paz

5 de outubro de 2012
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Texto por Aline Antunes
Foto por Guilherme Coloiso

A Guerra de Pietrovit na Praça da Paz.



Na sexta-feira a temperamental primavera completava uma semana. A noite fria e de muito vento não espantou as famílias com crianças pequenas e os muitos outros marmanjos do espetáculo “A Guerra de Pietrovit” que aconteceu na Praça da Paz.

E o que foi o FACE?
“Inundar cada espaço, colocar o Homem face a arte, contaminar todo público! FACE - Bauru, o Festival de Artes Cênicas de Bauru, uma realização do Protótipo Tópico, tem sua primeira edição neste ano de 2012.”

O grupo de teatro Protótipo Tópico além de encabeçar o festival, também foi responsável por parte do conteúdo das apresentações, contando com a parceria de grupos vindos também de Londrina e São Paulo.

A peça com ar de circo tinha três atores no elenco, mas eles não se resumem a isso, e muito menos ao palco e linóleo. Interagindo com o público surgiram diversos “Matadores” e “Morredores”. Não sabia o que mais me confundia, os palhaços correndo pelo público, ou as crianças correndo pelo palco.



A Guerra de Pietrovit conta a história de guerras. Guerras frias e quentes, que a partir de um jogo cômico de palhaço nos trazem situações do cotidiano que detalham as batalhas do dia a dia.

O festival FACE trouxe uma oportunidade de conhecer melhor grupos artísticos dentro da cidade de Bauru, fortalecendo assim a cena cultural. A atração teve entrada franca, se você resistisse ao churros da Praça da Paz o custo da noite seria zero.



Vitória, Glória!
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Miséria: a tia, a pereira, a praça, o fim de tarde e festival

Por  Higor Boconcelo


Por  Higor Boconcelo 
Fotos por Higor Boconcelo e Paulo Infante

Não poderia a organização do FACE, o Festival de Artes Cênicas de Bauru, ter escolhido lugar melhor para encerrar o evento se não a Praça Rui Barbosa, localizada no centro da cidade. Certo que não é um local comum para se encerrar festivais, ainda mais de arte cênicas; mas, se a própria visa imitar, projetar ou incitar a uma interpretação da chamada realidade, não existiria cenário melhor. 

Certamente a população de pombos, desabrigados e outros poucos munícipes, que normalmente habitam o ambiente aos domingos a tarde, estranhou a movimentação daquele fim de tarde. Quase cinco horas e ali estava erguido um cenário peculiar, onde o ferro dava forma a uma árvore, carregada de frutas. Atrás, artistas já se posicionavam. Logo chegava o público daqueles atores, avisados ou não, cerceando o cenário com aquela expressão de interrogação, suitando perfeitamente para a ocasião.

Por Higor Boconcelo
A canção que seguia, acompanhada de instrumentos de percussão, anunciava o nome da árvore, sua dona e da atração. A Pereira da Tia Miséria, diriga pelo núcleo londrinense Ás de Paus, trazia todos seus intérpretes sobre pernas-de-pau, maquiagem pesada e figurino caprichado, nos bons moldes do teatro de rua. 

A primeira a ser nos apresentada é a árvore, que logo é escalada por dois pivetes de mais de dois metros de altura, sedentos por alguma(s) daquelas pêras suculentas de papel dobrado. Em seguida, carrancuda, surge Tia Miséria, expulsando-os de lá juntamente com seu cão, nomeado de Sem Nome. O drama da velha senhora (“embora não pareça, eu sou mulher”) se resume à busca de seu filho perdido, Fome, conhecido do mundo inteiro, que some sem deixar pistas de onde quer que vá parar. No desenlace da trama, Tia Miséria divide sua lamúria entre as buscas do filho, tocar os fedelhos de sua árvore, proteger suas frutas, impor-se sobre seu cão amigo e a ajudar a um pobre mendigo. Sua rotina muda ao topar com a Morte, “naturalmente necessária para um mundo em que novas possibilidades não param de nascer”. Ao sofrer a ameaça de ser levada com a nova amiga, a velha carrancuda arma um de seus truques, prendento até a Morte em sua querida árvore. A pereira da Tia prendia ali, naquele fim de tarde, a única certeza da humanidade. Tia Miséria a libertaria, somente na condição de que esta pudesse escolher o momento em que sairia às voltas com aquela que a encurralou. 

Por Paulo Infante
Entre as subidas e as decidas dos artistas de suas pernas-de-pau, a peça ali logo terminava, assim como o destino de seus personagens, a tarde, e o FACE - não sem antes passar o chapéu. Canção e aplausos assustaram aos pombos, e como ao fim de todo bom teatro, das crianças, estarrecidas, pouco se ouvia.

“Da abóbora faz melão, do melão faz melancia. Da abóbora faz melão, do melão faz melancia...”.

Por Paulo Infante


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Também quero entrar nessa dança!

1 de outubro de 2012
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Por Giovanna Diniz
Fotos por Paulo Infante




Sempre achei que a dança contemporânea fosse algo ininteligível. Mas nesse ano comecei a pesquisar mais sobre esse ramo da dança, assisti mais espetáculos e participei de oficinas que me fizeram mudar de ideia. Dança contemporânea é sobre liberdade. É sobre conhecer o próprio corpo, o espaço, o que está ao redor. É o improviso carregado de sentidos, é libertar-se dos movimentos mecânicos do cotidiano. Mas, mesmo assim, é trazer um pouco de si para a dança. É a coreografia do impulso, do instinto. Como disse a professora Sara Mazon, “as regras servem para serem quebradas”. 

No entanto, a dança contemporânea não é só introspectiva. Ela requer conexão com o outro, confiança e desprendimento. Houve um momento durante a oficina "Expressão e Movimento", que compõe a programação do FACE (Festival de Artes Cênicas de Bauru) onde puder ver isso claramente: aprender os movimentos com a professora até que não era difícil, mas na hora de interagir com os outros, havia uma preocupação em focar no parceiro de dança. Apesar de tudo, era só se soltar. A música ditava o ritmo do movimento. E que repertório! Ao som de Norah Jones, Cranberries, Beirut e até mesmo músicas indianas os alunos iam aprendendo a brincar com o próprio corpo, às vezes interagindo com os outros, às vezes com objetos como blusas e sacolas ou até mesmo sozinho, usando a própria imaginação. 

Afinal, o que se sabe sobre dançar? Como o próprio nome da oficina dizia, é uma “expressão corporal”. Mas, além disso, é uma forma de comunicação. Reduzimos tanto o que sentimos e o que queremos expressar em palavras que às vezes esquecemos que existem outros canais que também podemos usar. E no caso da dança contemporânea, o bailarino passa muito mais do que uma mensagem. Está ali sua vivência, sua experiência. O espectador desse tipo de arte deve esquecer qualquer julgamento de certo e errado, como o próprio bailarino fez. E até, se ele quiser também pode arriscar e entrar na dança, como eu fiz! 

“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.” (Friedrich Nietszche)



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