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Light Stencil: Impressão nas imagens, imagens de impressão

2 de junho de 2014
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Light Stencil, Paulo Brazyl

Texto e Imagens: Keytyane Medeiros


Na Virada Cultural Paulista 2014, os eventos estavam bastante espalhados pelo SESC, pelo Teatro Municipal e pelo Vitória Régia, é claro. Uma das características da Virada Paulista em Bauru é que ela efetivamente, não vira. Isto é, não vira a noite com vários eventos culturais distribuídos pela cidade e não é por falta de espaço adequado, mas talvez, por falta de público.

Não que o bauruense não compareça aos eventos culturais, mas alguns quase sempre estão menos ocupados do que deveriam. Um exemplo bastante claro foi a performance de Light Stencil no Teatro Municipal, neste sábado a noite, 31 de maio, com a presença do fotógrafo Paulo Brazyl.


O fotógrafo, premiado em projetos pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, levou aos expectadores da noite, uma mostra de seus trabalhos com Light Stencil. A técnica, criada pelo francês Fabrice Witter em 2012, consiste em deixar a câmera com longa exposição, de 30 a 45 segundos, num cenário noturno, e em frente à câmera, posicionar uma prancha vazada com uma imagem que vai ser projetada por um flash de luz na fotografia, registrando assim, tanto o cenário noturno, quanto à imagem da prancha.

Paulo ainda conversou com os participantes, deu detalhes de como funciona a técnica, quais as dificuldades encontradas por ele para registrar projeções em paisagens mais conturbadas, como não aparecer os movimentos do fotógrafo, entre outros. Após a mostra, vários aspirantes e entusiastas da fotografia ainda conversaram com Paulo Brazyl e tiraram dúvidas sobre outros procedimentos. A promessa de uma das produtoras da Virada Cultural e representante do Teatro Municipal é trazer Brazyl para ministrar uma oficina de Light Stencil no segundo semestre. Estaremos aguardando para aprender mais sobre essa impressionante e bela técnica de fotografia. A projeção de uma imagem, a concretização de símbolos não reais em fotografias palpáveis. Impressionante ;)


Para ver imagens de Light Stencil, clique aqui
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Contação além da praça

7 de junho de 2013
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Texto e fotos por Higor Boconcelo


      Continuando as atividades da ocupação cultural na praça Rui Barbosa, que ocorreu na última quarta-feira (05/06),  dentro da programação da SEDA 2013, foi apresentado o  espetáculo Uma História de Quem Fomos e Somos, da Cia. Mondó Comunicação Teatral.

    Pouco antes de anoitecer, as Brunas Machado e Moscatelli já haviam armado todo o cenário de sua peça. Objetos típicos da cultura indígena e apitos que imitavam assovios de passarinhos foram colocados em torno de um círculo, onde as duas artistas, já caracterizadas, tomaram seus lugares quando o sol já se punha.

   Acomodados em pufes, almofadas e tapetes, ou até mesmo a vontade no chão da praça, o pequeno público presente tem sua atenção captada pela história de duas garotas que, em seus sonhos (ou não), visitam e entram em contato com a cultura indígena, seus mitos e costumes.

   Entrando na temática do Dia Mundial do Meio Ambiente, a peça emocionou os presentes por tratar de amor e respeito à natureza, por inspirar uma paixão há muito esquecida – pela maioria. Ignorando o nervosismo de atuar em uma praça pública – e movimentada –  as Brunas encantaram as crianças presentes.

  A peça se encerra cantando ao público milhares de nomes de tribos indígenas, passando uma mensagem importante, mas de fácil entendimento. Mensagem que não é lembrada no dia-a-dia pela maioria, mas graças as artistas, com uma agenda cheia de apresentações em diversas escolas, irá marcar muitas crianças além daquelas que deram sorte ao passar com a mãe pela praça Rui Barbosa, em um fim de tarde qualquer. 
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Boneco Gira Boneco e faz dar muita risada

1 de maio de 2013
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Texto e foto de Higor Boconcelo


Pouco depois do jantar e a criançada dando baile nos pais, avós, tios ou seja lá de quem tenha sido a ideia de levá-las para sair. Claro que só ficam descarregadas quando estão com sono, e no que dependeu da peça que subiu ao palco do Teatro Municipal de Bauru na última quinta-feira, isso ficou longe de acontecer.
Dentro da programação do Boneco Gira Boneco, Festival Internacional de Teatro de Bonecos organizado pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e parceiros, a peça El Gran Delirio de Anacleto e Cascarrabias foi trazida diretamente da vizinha Argentina para integrar os diversos espetáculos que por aqui rolaram.

De autoria da Cia. Los Bufones, a peça conta a história do palhaço Anacleto e seu inseparável amigo extraterrestre Cascarrabias. Aventureiros, a dupla navega pelo oceano quando são atacados pelo pirata Mala Pata, que por fim, sequestra Anacleto.
Em meio aos risos da plateia e das tentativas de Marcelo Pablo Fernandéz fazer-se entender pelo público (tanto infantil quanto adulto), a peça prossegue com a odisseia de Cascarrabias em busca do amigo raptado.

Autor da peça e fundador da Los Bufones, Marcelo é formado em Artes Plásticas pela escola Nincei (Província de Buenos Aires), e também autor, diretor e produtor. Além disso, é da arte titereira que parece ter mais orgulho: conta que das meias furadas de sua avó, idosa vaidosa e que vivia a passear, fez suas luvas de bonequeiro.

Nem a dificuldade da língua estrangeira fez com que a peça não fosse bem recebida – o que o idioma limitava, a interpretação (vocal) de Marcelo transpassava. Mais digna que os aplausos calorosos que o artista recebeu, só a noite de sono dormida por aquelas crianças.
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Esse texto não é sobre tristeza

26 de abril de 2013
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Texto e fotos por Higor Boconcelo

“Pode entrar, estão todos lá pra cima”, anuncia o simpático porteiro. Pra quem chega de supetão, tal calmaria em meio ao caos da cidade assusta. À direita, um vasto terreno com árvores, barracões e bancos de madeira – vista agradável aos olhos. Em frente, uma grande capela. À esquerda, pavilhões com escritas que os identificam entre gênero me fazem lembrar onde eu estou. 
  
Dentro da programação do Boneco Gira Boneco, Festival Internacional de Teatro de Bonecos que a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) está promovendo em Bauru, houve espaço na tarde da última segunda-feira para que um espetáculo acontecesse na Vila Vicentina, asilo da cidade. 

 Construído em 1940, o abrigo atua sob a prática da caridade cristã, abrigando qualquer idoso necessitado que tenha mais de 60 anos, em regime de internato. A entidade realiza todo ano uma grande festa para arrecadar fundos, evento tradicional na cidade. É um dos únicos dias no ano em que os idosos veem o espaço lotado.

A peça estava sendo montada num salão em frente ao refeitório do abrigo, onde poltronas estofadas e cadeiras não menos confortáveis já estavam a postos, formando um grande círculo. Do espetáculo, apenas uma mesa com objetos cobertos em cima era o que precisava ser montado, o que já emanava mistério suficiente. Pouco a pouco, os idosos iam chegando.


Eram diversos, mesmo que não numerosos. Homens e mulheres das mais diferentes raças e idades iam se acomodando – enquanto uns lançavam expressões de surpresa e estranhamento, outros, acomodavam ali somente o corpo, não a cabeça, cujos olhos mostravam estar em outro lugar. Será que eram bons ouvintes como eram bons contadores de histórias?



"¿No lo entiendes? No hay problema"


A organização então os apresenta Wilson Ruiz de Castro, colombiano diretor da Cia. Titirimimo e mestre em artes cênicas pela Universidade Nacional da Colômbia. Com um portunhol que certamente não era totalmente compreendido pelo público, Wilson introduz sua peça, Sancocho de Cola.

O nome nada mais é que um prato típico da Colômbia, que reúne o rabo do boi e legumes em um refogado. O que teria a ver a receita com a peça, afinal? A ligação se dava por uma lenda do país que envolve o prato e três personagens distintos: Juan, Chuchu e Maria. A peça conta suas trajetórias e rumos pelo qual seguem em seu vilarejo, que carrega um espírito de egoísmo, vaidade e avareza. 

A técnica de Wilson consistia em manusear brinquedos típicos de sua terra natal: casinhas de cerâmica, animaizinhos de plástico e luvas desenhadas. A simplicidade ganhava a atenção de seu público de idade avançada, mas muito mais além dos instrumentos estava a capacidade de atuação do artista.

O colombiano levava os idosos aos risos e sustos com suas palhaçadas, gritos e expressões. Trazia os dispersos de volta para a realidade e os transportava para a de sua história, girava os cabelos, usava das
mais diversas macaquices para compor o conjunto de sua arte. Riram bastante. Ao final, quando o artista sai de sua mesa e roda no centro do círculo dançando, mostrando a arte de sua terra, prestam atenção –  mesmo  que já tenham visto de tudo na vida, não viram nada. O término segue com aplausos entusiasmados. 

Há de se imaginar que aquelas pessoas viveram e vivem dos mais diversos dramas em suas vidas. O fim de algo que, mesmo num curto momento, trás alegria, também é motivo de lamentação. Mas a esperança é o que mantém o sorriso de muitos naquele abrigo. Sem pressa, retornam para os seus afazeres. Alguns cumprimentam o artista, outro vai conversar com o simpático porteiro. A rotina dos idosos continuará, a vida seguirá – para onde já é questão de perspectiva. 


Quer visitar os idosos da Vila Vicentina? Não hesite, eles vão adorar! Saiba como pelo telefone (14) 3103-0055
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Linha, sombra e madeira

22 de abril de 2013
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III Festival Internacional de Teatro de Bonecos começa em Bauru

 Texto e fotos por Higor Boconcelo



 

É empolgante a situação em que Bauru se encontra quando se trata de promulgação cultural. Seja por iniciativas de grupos privados, com ou sem fins lucrativos, ou até mesmo pela ação da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), a cidade tem sido frequentemente adubada de boas opções de lazer, mesmo que isso não dê fim as reclamações de cidadãos chatos (mais educado chamar assim), que continuam afirmando que “em Bauru nunca há nada para se fazer”. Deixemos a falácia de lado e vamos ao que interessa: no último sábado foi apresentada a primeira peça do Festival Boneco Gira Boneco, terceiro Festival Internacional de Teatro de Bonecos que a SMC promove.

O espetáculo aconteceu no Teatro Municipal, e a abertura ficou por conta de um personagem já conhecido de feição e cara pintada para os bauruenses de longa data. Carlos Alfredo Fogaça era figura garantida no Calçadão da Batista de Carvalho nos anos 80, que alegrava aos transeuntes (sempre em correria) com suas palhaçadas. Suas não, Carlos não. Era Palhaço Paraqueda, a maior referência de artista titereiro (que lida com bonecos de animação) que a população conhece – dançava sempre com sua companheira, uma mulata de madeira e vestido vermelho.

Sua introdução ao espetáculo principal da noite foi breve, sim, mas sem deixar de arrancar as costumeiras risadas. Nada difícil para quem há décadas trabalha a arte. Talvez o difícil para o Palhaço Paraqueda foi segurar a emoção do que veio depois: a organização o presenteou com um prêmio-homenagem (uma caricatura do próprio Paraqueda pendurado por fios de fantoche fazia parte do que mais parecia um troféu), agradecendo por tudo que fez e por todos a quem divertiu. Feita a homenagem, entrou em cena o próximo espetáculo. No escuro.



Faça-se a luz! Calma, nem tanta!

A cabine que jazia no palco mostrou-se ao público de maneira pronta e rápida, uma vez que as cortinas que iam se abrindo nada mais iriam revelar. Vale citar a cara de surpresa e estranhamento das crianças, mesmo que isso seja sempre subentendido. Mais que rapidamente, o dramaturgo e diretor uruguaio Rafael Curci e o ator Lucas Rodrigues surgem para explicar o que estava prestes a acontecer naquele palco. “Pedimos que desliguem celular e tudo que faça iluminação no palco, assim como pedimos também para não usarem flashes nas fotos e tomarem cuidado com a luz laranja de suas câmeras”, avisa Lucas. Juntos formam a Cia. Fios de Sombra (São Paulo-SP), formada em 2011, que conta também com a bailarina e atriz Paloma Barreto, ausente nesse espetáculo. Logo que os dois entram na cabine a escuridão toma conta do Teatro.

Assim que o espetáculo começa, é possível notar uma coisa: não é todo dia que um trabalho desses aparece em Bauru. A técnica dos artistas, talvez inédita para a maioria do público presente, consistia em usar figuras (ora de PVC, ora transparências) e partes do corpo para montar cenário e personagens da peça, iluminados de dentro da cabine, refletindo a arte de maneira ímpar na tela da cabine. Complicado? Obviamente, mas o resultado é tão genuíno que a atenção de seu público não desvia-se do que está sendo exibido. No caso, a primeira peça da compania, Anjo de Papel.

A história gira em torno de Clara, uma senhora sem-teto que vive numa espécie de lixão de papel. Seu maior sonho era ser mãe, mas a única coisa que tinha na vida era um par de tesouras. Sendo assim, Clara passava a maioria de suas horas recortando bonequinhos de papel, dos mais diferentes formatos e tamanhos. Nariguda e de cabelos crespos, Clara vive uma transformação em sua vida quando, “num belo dia”, um pequeno anjo feito de papel cai onde a velha senhora mora. Como sua asa se encontra quebrada, Clara decide adotar o anjo e cuidar do pequeno. A partir daí, a história dos dias de Clara e do anjo é narrada de forma leve, com a voz do narrador quase que fazendo carinho nos ouvidos do público. O desenrolar da peça não será contado aqui na esperança de que algum dia todos os leitores irão assistir a esse trabalho.
 
 
Mesmo com um vocabulário denso e complicado para crianças de pouca idade (“mãe, o que é semear?”), a peça encanta tanto os pequenos quanto os adultos. É uma amostra do que a criatividade humana é capaz, e também do que podemos esperar do festival Boneco Gira Boneco.

Conheça melhor o trabalho da Cia. Fios de Sombra e da peça Anjo de Papel assistindo ao vídeo abaixo.



A programação completa do Festival encontra-se disponível aqui.

 Confira também a cobertura fotográfica!
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Que ofereça arte, riso e Hip-Hop

5 de março de 2013
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Teatro popular abre segundo dia de apresentações do 5° Grito Rock Bauru 

Texto e fotos por Higor Boconcelo

A conexão entre o Hip-Hop bauruense e o Bosque da Comunidade do Geisel vai muito além da ligação evento-palco – seu público usa do espaço ocupado nos eventos do movimento para se expressar além da rima. B-boys que não sossegam, dançam em todas as batidas (live ou playback); jovens jogam basquete ao mesmo passo que reencontram antigos aliados e sob a sombra das árvores casais e famílias aproveitam de saudável sombra em meio à selva urbana. 



Arrisca-se dizer que a tarde do último sábado traria mais do mesmo para o público que compareceu afim de assistir aos MCs, se não fosse pela interferência de algo incomum aos eventos de Hip-hop no Bosque: teatro popular.

A convite da organização do 5° Grito Rock Bauru, a companhia de 1° Ato trouxe de Valparaíso/SP para o Grito Hip-Hop seu espetáculo “Árvore de Mamulengos”, teatro daqueles impossíveis de se adivinhar quando começa, mas quando se dá conta o fenômeno da arte independente já chamou sua atenção. 

Batuques e o canto dos atores convidaram o público presente a achegar-se, “trabalho honesto, de teatro popular”, cursando por entre as árvores e arrebatando a atenção das crianças eternamente enquanto durasse a apresentação. Num cenário composto por fitas que davam forma a um circo e blocos de madeira, os espectadores foram convidados à história de Marquesinha, obrigada pelo pai a casar-se com Cabo Fincão, policial, julga-se cabra arretado, e seria se não fosse por João Redondo, dono do coração da garota e culpado pelos gritos de “corno” que emergiam da plateia. 

A comédia trazida de forma natural pelos personagens e desenrolares da trama trouxeram para o evento algo mais que alegria. Em tempos onde a cultura é estimulada de forma insatisfatória pela administração da cidade, o 5° Grito Rock mostra, mais uma vez, como é possível (e prazeroso) trazer cultura de forma democrática à população. Pode ser que haja entre os presentes naquela tarde uma divergência entre gosto musical, mas em uma coisa todos pareciam concordar: é difícil não gostar de teatro.




O CurtaBauru e o e-Colab são parceiros do Grito Rock Bauru 2013 e estão fazendo a cobertura integrada dos eventos.

Confira a cobertura fotográfica completa aqui!
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Uma “Amostra” do interior

4 de fevereiro de 2013
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Este texto também está disponível no Overmundo.

Texto por Higor Boconcelo e Artur Faleiros
Fotos por Artur Faleiros 

“Bauru tem quase 400 mil habitantes e somente de um ano pra cá a cidade tem começado a aprender à gostar de teatro”, conta Thiago Neves, produtor e organizador da XII Mostra de Teatro Paulo Neves, que ocorreu entre os dias 22 de janeiro e 03 de fevereiro. O evento leva o nome do pai do produtor, profissional do teatro respeitado na cidade, dono de uma carreira de mais de 45 anos e com um curso livre de teatro há mais de 20. Foram 15 espetáculos exibidos em 21 sessões, com mais de cem atores envolvidos e um público estimado em 4 mil pessoas. 

Certamente há uma explicação para o que Thiago aponta estar acontecendo na cidade. Produtores e profissionais do ramo teatral trouxeram vários festivais periódicos para Bauru durante o ano passado. Apresentações em eventos como FACE (Festival de Artes Cênicas), FETUSC (Festival de Teatro da USC), FETUSP (Festival de Teatro da USP), FESTINBAU (Festival de Teatro Independente de Bauru) são exemplos do que os amantes bauruenses de teatro puderam prestigiar em 2012.

Os eventos puderam abranger uma variedade de diversos gêneros teatrais com teatro de rua e performático, que destoam do estilo italiano, clássico com palco e platéia que os públicos estão acostumados. 

E se ocorre o aumento do público, também o faz na formação dos profissionais da cidade. Grande maioria dos artistas que atuaram na Mostra Paulo Neves foram e são alunos do curso; dentre as quinze peças apresentadas no festival, cinco foram autorais: duas dos núcleos curitibanos Núcleo Móvel de Investigação Cênica e e Uma (Certa) Cia. Cênica, e três de autoria dos alunos de Paulo, “geniais, por sinal”, segundo o senhor de 80 anos que acompanha de perto o teatro na cidade há anos. Paulo tem sua formação voltado no teatro político e claro que não é à toa. Teatro é coisa séria que promove, potencializa e reverbera as discussões cotidianas.

O Teatro têm por excelência a atuação de grupos. O que vêm acontecendo em Bauru é sintomático. Diversos grupos sentem a necessidade de ampliar seus públicos e possibilidades. Nos últimos anos empreendedores locais e artistas botaram a mão na massa e se colocaram a elaborar um calendário cheio de atividades com festivais, mostras, oficinas e muito mais. E não para por aí, além dos festivais específicos das linguagens é cada vez mais comum se deparar com intervenções e apresentações de teatro em sarais, ruas e festivais de outras linguagens que abarcam a integração das artes!

O valor desse fortalecimento é maior do que as bilheterias podem expressar. O número de festivais na cidade, o incentivo dos grupos, coletivos, cursos e a consciência da importância da relação com o SESC e Poder Público deixa cada vez mais evidente a costura de uma rede local que adminstra a formação de público, artistas, produtores e gestores culturais. O melhor de tudo é que a partir dessas iniciativas (como o Curso Livre de Teatro, a Mostra e os Festivais) o teatro bauruense conquista cada vez mais espaço, legitimidade e força para crescer. É a partir das iniciativas autônomas (e de grupos/coletivos) que garantimos nossos espaços, nossa voz representada e a nossa vida sendo contada por novos jovens. Personagens que vivem cada vez mais intensamente e têm a missão de traduzir o mundo a cada dia em narrativas próprias e autorais com as verdades que vêm do âmago de cada um e de cada cidade viva que pulsa pelo interior do país. Viva o teatro, viva a liberdade e a possibilidade de fazer!
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Graças ao Javanês

30 de janeiro de 2013
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Texto e Fotos por Pâmela Antunes

A XII Mostra de Teatro Paulo Neves começou dia 22 de janeiro e vai até o dia 3 de fevereiro passando pela Casa de Cultura Celina Neves e Teatro Municipal. 
Nessa segunda feira (28) foi apresentada a peça “O homem que falava Javanês” do autor Lima Barreto  numa adaptação de CalebPratrício e direção de Marco Giafferi com elenco: Anderson Silva, Caleb Patrício, Claudio de Souza, Denilson Neto, Irene Santiago, Jose Saturno, Juliana Almeida e Thalles Mandelli. 


O espetáculo aconteceu no Teatro Municipal, com público bom e um clima agradável, as 20h20. Uma comédia satírica, narrada por Castelo, um Bacharel em direito que estava na miséria que conta a seu amigo Castro como conseguiu um alto cargo público federal, se passando por professor de javanês mesmo não sabendo a língua. Foi aprendendo o alfabeto em javanês e decorando alguns autores que consegui enganar o Barão de Jacuecanga. A sorte esteve ao seu lado, ganhou a confiança e simpatia do Barão e assim conseguiu grandes cargos além de uma bela herança. 



A peça faz críticas às pessoas que se aproveitam de amizades e influências para conseguir empregos ou promoções mesmo não estando aptas. Para conferir a programação completa da IV Mostra de Teatro Paulo Neves basta acessar o evento no Facebook. Os ingressos são vendidos na Casa de Cultura Celina Neves (rua Gerson França 6-66) ou no local da peça.

Para ver mais fotos da apresentação, acesse nossa página no Facebook!
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Guerra e Paz

5 de outubro de 2012
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Texto por Aline Antunes
Foto por Guilherme Coloiso

A Guerra de Pietrovit na Praça da Paz.



Na sexta-feira a temperamental primavera completava uma semana. A noite fria e de muito vento não espantou as famílias com crianças pequenas e os muitos outros marmanjos do espetáculo “A Guerra de Pietrovit” que aconteceu na Praça da Paz.

E o que foi o FACE?
“Inundar cada espaço, colocar o Homem face a arte, contaminar todo público! FACE - Bauru, o Festival de Artes Cênicas de Bauru, uma realização do Protótipo Tópico, tem sua primeira edição neste ano de 2012.”

O grupo de teatro Protótipo Tópico além de encabeçar o festival, também foi responsável por parte do conteúdo das apresentações, contando com a parceria de grupos vindos também de Londrina e São Paulo.

A peça com ar de circo tinha três atores no elenco, mas eles não se resumem a isso, e muito menos ao palco e linóleo. Interagindo com o público surgiram diversos “Matadores” e “Morredores”. Não sabia o que mais me confundia, os palhaços correndo pelo público, ou as crianças correndo pelo palco.



A Guerra de Pietrovit conta a história de guerras. Guerras frias e quentes, que a partir de um jogo cômico de palhaço nos trazem situações do cotidiano que detalham as batalhas do dia a dia.

O festival FACE trouxe uma oportunidade de conhecer melhor grupos artísticos dentro da cidade de Bauru, fortalecendo assim a cena cultural. A atração teve entrada franca, se você resistisse ao churros da Praça da Paz o custo da noite seria zero.



Vitória, Glória!
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Miséria: a tia, a pereira, a praça, o fim de tarde e festival

Por  Higor Boconcelo


Por  Higor Boconcelo 
Fotos por Higor Boconcelo e Paulo Infante

Não poderia a organização do FACE, o Festival de Artes Cênicas de Bauru, ter escolhido lugar melhor para encerrar o evento se não a Praça Rui Barbosa, localizada no centro da cidade. Certo que não é um local comum para se encerrar festivais, ainda mais de arte cênicas; mas, se a própria visa imitar, projetar ou incitar a uma interpretação da chamada realidade, não existiria cenário melhor. 

Certamente a população de pombos, desabrigados e outros poucos munícipes, que normalmente habitam o ambiente aos domingos a tarde, estranhou a movimentação daquele fim de tarde. Quase cinco horas e ali estava erguido um cenário peculiar, onde o ferro dava forma a uma árvore, carregada de frutas. Atrás, artistas já se posicionavam. Logo chegava o público daqueles atores, avisados ou não, cerceando o cenário com aquela expressão de interrogação, suitando perfeitamente para a ocasião.

Por Higor Boconcelo
A canção que seguia, acompanhada de instrumentos de percussão, anunciava o nome da árvore, sua dona e da atração. A Pereira da Tia Miséria, diriga pelo núcleo londrinense Ás de Paus, trazia todos seus intérpretes sobre pernas-de-pau, maquiagem pesada e figurino caprichado, nos bons moldes do teatro de rua. 

A primeira a ser nos apresentada é a árvore, que logo é escalada por dois pivetes de mais de dois metros de altura, sedentos por alguma(s) daquelas pêras suculentas de papel dobrado. Em seguida, carrancuda, surge Tia Miséria, expulsando-os de lá juntamente com seu cão, nomeado de Sem Nome. O drama da velha senhora (“embora não pareça, eu sou mulher”) se resume à busca de seu filho perdido, Fome, conhecido do mundo inteiro, que some sem deixar pistas de onde quer que vá parar. No desenlace da trama, Tia Miséria divide sua lamúria entre as buscas do filho, tocar os fedelhos de sua árvore, proteger suas frutas, impor-se sobre seu cão amigo e a ajudar a um pobre mendigo. Sua rotina muda ao topar com a Morte, “naturalmente necessária para um mundo em que novas possibilidades não param de nascer”. Ao sofrer a ameaça de ser levada com a nova amiga, a velha carrancuda arma um de seus truques, prendento até a Morte em sua querida árvore. A pereira da Tia prendia ali, naquele fim de tarde, a única certeza da humanidade. Tia Miséria a libertaria, somente na condição de que esta pudesse escolher o momento em que sairia às voltas com aquela que a encurralou. 

Por Paulo Infante
Entre as subidas e as decidas dos artistas de suas pernas-de-pau, a peça ali logo terminava, assim como o destino de seus personagens, a tarde, e o FACE - não sem antes passar o chapéu. Canção e aplausos assustaram aos pombos, e como ao fim de todo bom teatro, das crianças, estarrecidas, pouco se ouvia.

“Da abóbora faz melão, do melão faz melancia. Da abóbora faz melão, do melão faz melancia...”.

Por Paulo Infante


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1200 e lá vai bolinha

17 de setembro de 2012
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Por Keytyane Medeiros

O calor de mais de trinta graus do último sábado, 15 de setembro, quase me fez desistir de ir ao Teatro assistir às apresentações da Revirada Cultural. Putz, tava realmente difícil vencer a moleza do corpo e andar umas três quadras (e olha que já passava das 7 da noite!). Mesmo assim, arrastei minha mãe para o Teatro e fomos ver um trio de chorões.



Explico: a primeira apresentação era do trio bauruense Choro Fino, formada por Ivan Melillo, Anderson Silveira e Leandro Miguel. A música instrumental, relaxante e tipicamente brasileira deu uma amenizada na noite quente e manteve o público atento. Bem humorado, o trio fez piadinhas com o nome de alguns instrumentos (o tal do “Oficleide”) e também explicou que muitos compositores do choro preferiam homenagear artistas e personalidades de seu tempo (por razões geralmente desconhecidas), mas o fato é que sempre faziam isso.


Dona Irma Rangel destacou a maestreza musical do flautista Ivan Melillo e, surpresa, revela “ele não usou partitura. Tocou de cabeça!”. Pois é, manter a galera prestando atenção em música instrumental, por mais bonita e brasileira que seja, continua sendo um desafio - mesmo na Revirada Cultural, mesmo dentro do Teatro Municipal. Os músicos do Choro Fino, conseguiram e agradaram muito aos poucos espectadores presentes.




A surpresa da noite, no entanto, foi a dupla paulistana Olam Ein Sof que mal chegou ao palco já acendeu um incenso, deixando todo mundo meio impressionado com a atitude inusitada. Com sons medievais, poesia inspirada em lutas místicas e instrumentos típicos da Idade Média, somos imediatamente transportados para a Europa do século XI. Marcelo Miranda e Fernanda Ferretti não se contentaram em fazer um som diferente como também chamaram atenção pelo vestuário. Estavam caracterizados como um casal de camponeses trovadores enquanto encantavam o público com as canções de seu terceiro álbum “Ethereal Dimensions”. Curiosamente, posso dizer que a noite de sábado teve essa sensação: transcendente, espiritual, cabalística. Saí revirada.




No próximo fim de semana a Revirada Cultural promete ocupar o Vitória Régia durante o dia todo, com muito samba, jazz, rock e Naumteria da Unesp.

Veja a programação da Revirada Cultural aqui.

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Macumba Antropófaga. Esse texto é o preço da minha nudez

14 de agosto de 2012
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por Sérgio Viana
fotos por Paulo Soucheff




Que não se fazia ideia do que se esperar é mentira.
Era a primeira vez que iria assistir a uma peça de José Celso Martinez Corrêa. Ele ia me descabaçar, como o próprio Zé diria. No entanto, a tal Macumba Antropófaga já estava tão bem e mal falada, que surpresa ia ser algo difícil de acontecer. Pois que o destino fez questão de surpreender a todos, inclusive o próprio Oficina Uzyna Uzona. Pela primeira vez em Bauru para se apresentar – anteriormente só haviam realizado oficinas teatrais -, o grupo também comemoraria ali seu aniversário de 25 anos (“pós-exílio”, segundo Zé Celso) e 50 anos do principal ator da companhia, Marcelo Drummond, que interpretou grandes personagens como Euclides da Cunha, Dionísius e Oswald de Andrade. 

Não era o Rei da Vela – primeiro espetáculo do Oficina -, mas novamente Oswald era a estrela de Macumba Antropófaga, afinal, baseada no Manifesto Antropofágico redigido por ele. A peça peregrina pelo o que seria a deparação do escritor com a realidade da cultura brasileira, totalmente influenciada e entregue aos padrões da Europa. Uma cultura Macunaímizada – sem caráter. Dessa visão, Oswald parte para a transcrição do seu manifesto feito de carne, que pede para ser comido, digerido.



Disso o que salta ao palco são as representações de tabus canibais, dos grupos de ódio. A moral, a igreja, o conservadorismo político, o capital, o SEXO. Sim, não é segredo algum que a nudez é posta em cena do inicio ao fim, é a linguagem do Oficina. É também o que eles crêem ser uma das chaves para a libertação de todos os males, pecados da sociedade. Males e pecados que não é outra coisa senão o atendimento do desejo legítimo da humanidade do ser. Quem não se entrega se trai. 

Só experimentando pra poder falar.

Entregar-se, participar do espetáculo a certa altura tornou-se necessário à busca de sentido de tanto discurso cantado em coro, acompanhado por uma banda demasiadamente boa - (E também pela falta íntima que o tablado me fazia). 

A nudez do público exposta ao próprio público. Eu topei. Não posso afirmar com certeza, mas quem já viu Macumba Antropófaga e não tirou a roupa pode dizer se estou certo ou errado. O desafio não é só daqueles que se despem e passam a integrar o elenco, mas também, e talvez principalmente, daqueles que se mantém sentados, apenas assistindo, ou com vontade de fazer o mesmo só que sem coragem, ou com um olhar reprovador, de incredulidade, de julgo daqueles que ali deixaram se levar por um velho de 75 anos. 

Um velho que revolucionou o teatro brasileiro e deixa até carolas molhadinhas, diga-se de passagem.

Enfim, após a participação, o intervalo e o retorno para o segundo ato. O que se vê são mais marteladas sobre o comportamento humano enlatado. É um teatro de militância sem partido. O nu já não assusta ou causa espanto com o tempo. Apenas para uma senhora que sentada na arquibancada de frente para mim olha para os lados, na maioria das vezes para cima, com um ar blasé e comenta com a colega algo que pode ser: “Que absurdo! Isso é ridículo”. Calma, tia! Não é tão ruim assim. Era só um baseado. Eram só dois atores se passando por recém-nascidos se comendo. Era só uma chupadinha ali e outra aqui. Calma, nunca pense que já viu tudo nessa vida. 

Com o tempo o espetáculo se tornou realmente cansativo. O texto emaranhado aos cantos não se punha fácil ao discernimento (como essa frase). As tiradas repetidas e a apelação, às vezes, demasiada a um público apático fazia com que minuto a minuto alguns olhassem nos relógios, ou simplesmente desejassem ver o final (in)feliz acontecer. 

Em resumo, saí realizado, porém sem olhar no olho de quem eu havia mirado a vagina, tocado, apalpado o seio, de quem também havia me visto como (não) sou.

Será que revolucionou algo dentro? Demora, eu sei, não é bem assim. Há de se ter muitas sessões de Antropofagia teatral para sentir a diferença. Há de se culpar o Freud, o ego, o super-ego. Afinal,  somos aquilo que somos e não deixamos de ser.



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Eu Canto Rap

28 de maio de 2012
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Os primeiros a invadir a Casa Fora do Eixo São Paulo nesse Domingo foram as crianças. Correndo, falando alto, de lá pra cá, aos poucos, elas foram ocupando os puffs coloridos e se transformaram. Em silêncio, exceto pelas risadas exageradas e comentários que interagiam com os palhaços e rindo das partes que achavam engraçadas da dança conduzida por Vanessa Soares.

Foto por Suzana Magalhães



Mas a noite foi caindo e o público crescendo.

As mãos dos que se sentavam no puff perderam os copos com refrigentes e água e ganharam cerveja. As caras pintadas saíram de cena e Jota III com seu rap subiram no palco, seguido por três MCs. Mulheres.

- Eu sou cantora - Stefanie reconta ao microfone um diálogo que teve.
- Ah, e o que você canta?
- Rap.
- Ah... rap. Mas você não tem vontade de cantar outra coisa?
- Não, eu canto rap.

Foto pro Suzana Magalhães
“Os moleques já não são mais como antigamente, a menininha de hoje já não é mais tão inocente, evolução ou falta de noção, a juventude é o futuro da nação...”, ela manda no palco fazendo o público do 48º Domingo na Casa a acompanhar com palmas.

Cada uma das três MCs tem seu trabalho individual. “E pra quem quiser conhecer mais, procurem por nós na internet e nas ruas!”. Livia Cruz, Karol de Souza e Stefanie formam a AZ MCs. No palco, uma demonstração da força feminina. Três MCs, duas convidadas especiais e uma DJ. Força também presente nas vozes que falavam firme aos microfones e nas letras.

“Pensa no que você precisa pra fazer o que você mais ama. Eu só preciso de um papel, uma caneta e sai assim...”



A forma que o público reage em eventos de rap é sempre diferente. O hip hop tem algo que envolve as pessoas. Elas se permitem identificar, nas não-idealizações, libertações e nas batidas sentidas na garganta. E a noite seguiria mais leve, em uma pegada mais reggae embalada por uma explicitada positividade de Junior Dread.

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O malabrás

24 de abril de 2012
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Por Laís Semis
Fotos por Lucas Grilli


- Oi, Príncipe! - disse a menininha ruiva com duas rosas presas no cabelo fino quando o Príncipe se apresentou ao entrar em cena.

Manhã de domingo - a segunda de quatro em que o Jardim Cultural apresenta eventos ao ar livre na cidade; Praça Copaíba, Bosque da Comunidade, Jardim Botânico (que acontece no dia 29/04) e o Parque Vitória Régia (06/05) integram esse circuito cultural proposto pelo Jardim. A proposta é essa mesma: integrar artistas e público aos domingos de manhã em Bauru.

Pra cima da USP, caminhando pelo Bosque da Comunidade, encontro algumas pessoas vestidas adequadamente para correr entre as árvores. O chão sinaliza: aqui não é permitido apenas andar de bicicleta, aqui existe ciclovia, ciclistas!

E as árvores que regem o caminho da entrada até o palco-trem seguem com fotografias expostas nelas. E entre príncipes, princesas e fadas, as crianças sabem mais ou menos o que pode vir por aí.

Eis a versão do "Lobo Mau" e o menino da primeira fila
na missão de destruí-lo
- Também vai aparecer o Lobo Mau - entrega a menininha ruiva para o seu mais novo amigo, ainda menor que ela antes mesmo da peça começar. É... na verdade, o que viria é um Lobo Mau beeeem mais ou menos, menininha ruiva.

Mas a melhor parte desses teatros infantis é que as crianças não hesitam em atravessar os diálogos e interferir no que está acontecendo a sua frente.

- Hum... e o que seria esse chá? - se pergunta o Príncipe ao se deparar com uma poção deixada pela fada para se transformar num Bruxo. O menino da primeira fila se apressa em responder. - Calma, calma, eu não posso saber agora. -. E pra desfazer o feitiço aqui só com “malabras” sobrevoando pinos sobre o morto, macarena e um menino cutucando o nariz (?). Ok.

Enquanto Os Cordados tocavam no palco-trem pelo fim da manhã, no parquinho a contadora de histórias apresentava “O Rouxinol” para as crianças. No Dia da Terra, criado com o objetivo de conscientizar sobre a conservação do planeta, nada melhor do que procurar um verde para lembrar como é isso; o odor, o frescor, a cor. E o ser criança.

Apresentação do "Rouxinol"




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A Guerra de Pietrovit - Protótipo Tópico

17 de abril de 2012
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Captação e Edição por Paulo Soucheff

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Para deixar a mente aberta ou a alma cheia

Apresentação do Grupo Teatral  Futuro Telescópio, vinculado a Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, encenando a peça "O Rinoceronte de Renda ou Bigode Surreal de Dali". O grupo sediado em Bauru desde 2009 é composto por: Caique Rufatto, Larissa Ávila, Leticia Ravanini, Rafael Maia e Xyko Peres.


Por Ana Lígia Corrêa

“Escola de samba não é nada surrealista”, penso eu ao acompanhar o início da apresentação da peça de teatro às 20h de sábado, dia 31 de março, ali mesmo na calçada próxima a entrada do Teatro Municipal. Descendo a esquina da Avenida Nações Unidas, chamando a atenção de carros e pedestres, a equipe escola de samba 100% Arte, batuca e dança enquanto alguns seres estranhos e alegóricos desfilam no meio da criançada de uniforme brilhante. Um menino que parece pássaro fica meio perdido, um estranho de pé de pato anda em movimentos marcados e a moça de vermelho chama a atenção com bandeira e apito. O começo é isso.



A apresentação, que invade teatro adentro, é algo ritmado, treinado, bem diferente da proposta do surrealismo, em usar o inconsciente e o irreal. Mas esse “pré-conceito” logo cai, e penso que o batuque (aquele mais simples mesmo, em que tampas de panela viram música) é algo que a gente aprende e pratica fácil porque, como muitos poetas dizem por aí, se assemelha às batidas do coração. E essas batidas fortes são capazes de provocar certo misto de alegria e bem-estar, como num sonho. E aquilo que parece muito real e milimetricamente planejado, na verdade é leve e solto como o pensamento humano e chega a ser um pouco irracional também, tamanha a rapidez com que os jovenzinhos batem em seus instrumentos. Coisas que só vendo e sentindo pra saber.

Já no palco os artistas entram, aplaudem e dão início ao hino tema da peça “nós somos surrealistas”. Começo a anotar a sequência da apresentação por que não estou acostumada a fazer cobertura de peças de teatro. Assim, posso me orientar e seguir uma sequencia lógica para, depois, descrever as impressões, tecer as críticas e escrever o que mais for pertinente.

Vozes ecoam ao fundo e, junto com um fundo musical tênue, os personagens são apresentados. O Salvador Dalí, o René Magritte, o Max Ernst, a Gala e a Dama Surrealista nos acompanharão pelas próximas duas horas. Há uma primeira cena tensa, profunda e com luz forte, acesa por um fósforo gigante. Logo em seguida, um diálogo engraçado de duas velhas loucas. O cenário fica vazio e nos é apresentado uma dança maluca de duas bailarinas muito brancas e saltitantes e não se sabe se elas estão felizes ou tristes...

Mas, anotar as sensações estranhas e felizes que aquilo me despertava - porque eu precisava tentar interpretar o que acontecia no palco - começou a atrapalhar o verdadeiro sentido (acredito eu) do projeto proposto: desprender-se do real, da lógica, se aproximar do que é abstrato e ir além da consciência cotidiana, cheia de amarras e toda quadradinha. Precisei, pelo menos nesse momento, ser mais livre e deixar me levar pelo que eu sentia. E, na hora de escrever o texto, lembrar, daquilo que o inconsciente me permitir trazer ao consciente.

Assim, seguiu-se uma miscelânea de alegria, de riso, de cômico, e do que pode ser engraçado no exagero, como esses programas de auditório que nos premiam com “um milhão de surreais” cada vez que alguém da a sorte de ligar e ser atendido pelos apresentadores charmosos e simpáticos. Ou quando a gente vai ser feliz, indo à praia de perucas coloridas, salto alto e levando um grande isopor, por exemplo.

Claro que nesse misto de cenas com risadas da plateia, existiram os momentos tensos, profundos e angustiantes, como quando aquela luz que fica em nossa cabeça (a luz da razão talvez?) começa a piscar de maneira tão intermitente e rápida, que o melhor a fazer talvez seja desligá-la e tentar recomeçar, tentando o desprendimento ou o abandono do que não foi bom, ou apenas consertando a pilha ou o fio que liga essa lâmpada chamada consciência.

Farinha, água, gritos, guache, ovo quebrado e a morte estavam lá, como tudo que nos cerca na realidade ou no imaginário, formando uma bela receita de um pavê surrealista.

A verdade é que foi uma grande alternância entre a tragédia X comédia, o real X imaginário, a vida X a morte. Mas, mesmo sendo paradoxos eles se interligavam de tal maneira que não se percebia onde terminava uma manifestação e onde começava outra. Porque um berrante não é só um berrante, ele pode ser a dor eufórica de alguém ou a alegria angustiante de várias pessoas.

E a proposta de um grupo de artistas locais em adaptar o movimento surrealista em uma versão brazuca-bauruense, que durou mais de dois anos para ser realizada entre ensaio e preparação, é prova de que a gente pode ser e fazer aquilo que a gente quer, basta deixar a mente aberta e ser um pouco assim surreal.


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Nem Um Dia Se Passa Sem Notícias Suas

5 de abril de 2012
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Registro de Marcelo Marques da passagem do ator Edson Celulari por Bauru, que estrelou a peça Nem Um Dia Se Passa Sem Notícias Suas.

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GR '12 | Grito #EnCena

8 de março de 2012
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Fotos de Barbara Cavallieri

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XI Mostra de Teatro Paulo Neves| Nelson Rodrigues, sua vida como ela foi

31 de janeiro de 2012
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Fotos por Lucas Adriano
Texto por Pamela Morrison

Confesso. Antes de mais nada preciso dizer que as lágrimas que insistiam em escorrer viam com a força de uma agulhada. Deve ter sido a atuação, que fez com que os personagens parecessem seres reais.

A peça foi uma adaptação do texto original de Nelson Rodrigues que, de forma incontestável, foi o maior dramaturgo brasileiro. Sua vida foi tão trágica e rocambolesca quanto sua obra.

Seus personagens são safados, incestuosos, adúlteros, homossexuais, escandalosos. As tramas envolvem traições, cupidez e morte. Nelson Rodrigues é assim, tudo o que viveu, ouviu, sentiu na sua infância está em sua obra. Em partes tumultuada, sua vida foi rodeada de ganhos rápidos e perdas marcantes.


O destaque da peça é um de seus pseudônimos em cena no momento de não lucidez, Suzana Flag. E então com seu sotaque francês, segue a pergunta chave de suas obras e vida:

- “Por que a bala era para seu pai, Nelson?”

“O jornal estampa a matéria, na primeira página, sobre o desquite de Sylvia. Foi a fórmula encontrada para o diário não sair sem assunto. Dois dias após o Natal entra na redação da Crítica procurando por Mário Rodrigues. Não o encontrando, pede para falar com seu filho Roberto e dá-lhe um tiro no estômago. “

Nelson viu e ouviu aquilo tudo. Com dezessete anos, foi a primeira cena de violência brutal que presenciava. Seu irmão morreu dois dias depois. Ninguém conseguirá penetrar no teatro de Nelson Rodrigues sem entender a tragédia provocada pela morte de Roberto.

E o pai repetia: “ Aquela bala era para mim!”.

Até que foi demais para ele, e a morte o apanhou em casa, matando-o alguns dias depois.

Nudez no palco. Aquilo que poderia ser polêmico, seios, pernas, braços à mostra, foi tão natural, como assim deve ser. A mulher nua é uma lembrança de Nelson ainda na infância, ao ver uma das filhas da vizinha lavadeira tomando banho em uma bacia.

A Flor da Obsessão faleceu na manhã do dia 21 de Dezembro de 1980, um domingo. No fim da tarde daquele dia ele faria treze pontos na loteria esportiva, num “bolo” com seu irmão Augusto e alguns amigos de “O Globo”. Dois meses depois, Elza, sua esposa e companheira, cumpriu o seu pedido. E ainda em vida, gravou o seu nome ao lado do dele na lápide, sob a inscrição: “ Unidos para além da vida e da morte. É só.”

É só, a vida termina assim, na morte, só isso. E a apresentação também, por que não? Mas ainda há algo pra ser ouvido:



‎"A vida me tem ensinado que as pessoas são amáveis, se eu sou amável; que as pessoas estão tristes, se eu estou triste; que todos me querem, se eu os quero; que todos são maus, se eu os odeio; que há faces sorridentes, se eu lhes sorrio; que há caras amargas, se estou amargo; que o mundo está feliz, se eu estou feliz; que as pessoas são terríveis, se eu sou terrível; que as pessoas são agradecidas, se eu sou agradecido. A vida é como um espelho: Se sorrio, o espelho me devolve o sorriso. A atitude que tomo frente à vida, é a mesma que a vida tomará diante de mim. Quem quer ser amado, que ame", assim disse Gandhi. Ao som da voz do diretor homenageado, Paulo Neves, que recitou ao final, encerrando a XI Mostra de Teatro Paulo Neves.

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Funeral Fúnebre

1 de novembro de 2011
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Texto e Fotos por Bianca Dias

Essa cobertura foi totalmente espontânea e repentina. Enquanto eu fazia um treinamento de fotografia na bela tarde acinzentada de domingo, dia 30, nos deram uma pauta para ir a um velório; até então tudo "bem". O carro funerário iria passar pela Avenida Nações Unidas mas iria para a praça Rui Barbosa, no centro da cidade... Como assim, um velório na praça?? Espere que eu explico (aliás, espero que eu consiga explicar).
























Na verdade esse velório era o "Funeral Fúnebre", uma comemoração dos 30 anos de carreira do cineasta e ator Robeto Malini, também do seu aniversário de 44 anos e divulgação do seu novo curta-metragem "Asfixia".

Seguimos o carro funerário pela avenida sem saber ao certo o que exatamente ia acontecer, o ator esteve o trajeto todo dentro do caixão, Jason vinha o tempo todo segurando o banner de divulgação e alguns conhecidos seguiam logo atrás.

Ao chegar na praça, outros dois personagens apareceram, o caixão lacrado foi retirado do carro e a performance/happening começou. Poucos curiosos se juntaram para ver, o homem de cartola clamava pela volta do seu mestre, enquanto Jason carregava a garota que gritava muito para todos os lados. A interpretação era o velório do "Homem Misterioso", personagem protagonista do filme de Malini.

Foi algo bem caótico, uma atuação rápida e intensa. Segundo o que o ator Esso Maciel (um dos personagens) me disse, apesar de ser algo planejado anteriormente, no momento alguns personagens sempre se exaltam, incorporam bastante e acabam fazendo coisas inusitadas, sempre existe uma improvisação.



Após terminado, Roberto Malini deu entrevista a um jornal local, entrou no caixão novamente e todos partiram para a próxima praça continuando o trajeto da celebração. Além da Rui Barbosa, também foi repetido na praça Machado de Mello, Portugal e Praça da Paz.

Infelizmente não pude acompanhar o cortejo até o seu final, mas o pouco que vi já foi suficiente para que me instigasse a escrever algo, pois creio que poucas pessoas ficaram sabendo dessa celebração em Bauru. Era para o curta ser exibido no Vitória Régia após os trajetos, mas não foi possível por falta de alguns materiais.

Malini é bauruense mas atualmente vive na cidade de São Paulo e já trabalhou diversas vezes com José Mojica Martins, o Zé do Caixão, o mais famoso do gênero de terror no Brasil.



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