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O batidão de Bauru

1 de maio de 2014
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MCs da VR Produções no Programa do Jacaré, vitrine do Funk

Texto: Solon Neto
Imagens: Divulgação VR Produções

O funk é um fenômeno de público, tem quebrado barreiras sociais e culturais devido à sua simplicidade, criatividade e apelo rápido. As letras abordam temas dos mais variados, ousam quando tocam a sexualidade, e são um deleite para os que gostam de dançar.

O e-Colab esteve com alguns Mc's bauruenses e um dos líderes do Funk na cidade, Divino Ribeiro, conhecido como Vinão, líder comunitário no bairro Parque da Nações e de uma das produtoras de Bauru, a "VR Produções". Por meio da produtora, nomes conhecidos do Funk brasileiro já vieram a Bauru, como MC Catra e MC Nego Blue.

Além de Vinão, estavam presentes MC Thomazz, de 22 anos, o MC Duzap, também de 22 anos, MC Vitinho GSP, de 17 anos, MC Flech, de 18 anos, que faz dupla MC Venom, dois anos mais velho. Os MC's moram em vários bairros diferentes da cidade, como o Colina Verde, o Gasparini e o próprio Pq. das Nações, que serve de sede de reuniões para a produtora.

O grupo organiza shows em Bauru e região, além de produzir o DVD Boladão Funk Bauru, que desde 2012 reúne cerca de 20 artistas por ano para gravar apresentações em uma única noite. Cada DVD é distribuído e vendido pelos próprios artistas, que repassam milhares de cópias para a cidade e dividem o entre si o que arrecadam.





O ritmo sofre preconceitos, principalmente por sua origem de periferia e letras que desafiam os limites dos dogmas da classe média. Thomaz Pereira Pardino, de 22 anos, o MC Thomazz trabalha com funk desde 2010 na cidade. Thomaz observa que quando começou, os artistas eram poucos, e a que o crescente sucesso do ritmo na televisão, nos bailes e na internet, aumentou muito o número de artistas na cidade. Ele comentou os preconceitos que envolvem o ritmo:

“Tem diversos temas adotados pelos Mc's de funk no Brasil. Tais como: Ostentação, Realidade, Apologia, Putaria e outros mais. E se você reparar, verá que são faladas tudo claramente. De repente seja por ser esse um modo de expressão que não se encaixe no perfil da sociedade.”

A organização com a produtora do Pq. das Nações gera uma facilidade aos MC's que se soma à de gravar pequenos vídeos e veicular o trabalho na internet, o que intensifica sua divulgação: “O Facebook e o Youtube facilitou mais ainda as divulgações pelas visualizações. Esses são os principais jeitos que eu usava e uso para as divulgações de minhas músicas.” comenta Thomaz.

A divulgação online das músicas toca na questão dos direitos autorais e da difusão livre do material produzido pela internet, ao que Thomaz responde: “Claro que é lamentável o fato de adquirirem o nossos trabalhos sem sermos recompensados por direito. Mas por outro lado, se não tiver resultados financeiros pela difusão livre, acredito que os resultados virão em shows. Então eu defendo. Pois muitos cantores de sucesso estão lá pela ajuda da tal difusão livre do download.”

Além de gravar o DVD, a VR Produções levou seus MC's, em 2013, ao “Programa do Jacaré”, conhecido por revelar artistas de funk. Há planos para que voltem ao programa em breve.

Em 2014, a VR produções pretende voltar ao programa. O dvd Boladão Funk Bauru foi gravado na casa de shows Muamba Music, que fica na Av. Duque de Caxias e sedia eventos do Funk Bauruense. O lançamento está previsto para as próximas semanas.

No próximo sábado, 3 de maio, a partir das 16h, vai rolar o Baile Funk da Comunidade, no Jardim Nicéia e os MCs do Vinão prometem fazer barulho na comunidade.
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Entre a química e o público, gingado

29 de maio de 2013
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Fotos por Fernanda Luz e Higor Boconcelo
Texto por Higor Boconcelo


        Em tempos onde o cenário cultural Bauruense tem sido impulsionado por diversos produtores, de diversos gêneros, a Virada Cultural Paulista não pode mais ser vista como a salvadora do tédio da população (e nem deve). Mesmo assim, o evento não pode ser desmerecido, ainda que não tenha conseguido nessa edição manter o fluxo de atrações culturais por 24 horas seguidas.
        
        Mudanças à parte, a galera que aguarda por atividades destoantes das esperadas pelo grande público (aquelas que tomam o Vitória Régia como palco), ainda se mantinha presente no Teatro Municipal na segunda tarde de apresentações, como nos anos anteriores.

        O meio da tarde era o horário marcado para o Chemical Funk dar as caras à plateia, o que aconteceu com quase nenhum atraso – a não ser o provocado pela batida setentista, que tomou o local antes de introduzir os bailarinos.

      Trazendo diretamente de São Paulo para a terra do sanduíche, o espetáculo Danças Urbanas – Locking mostra a essência desse estilo, criado em meados da década de 60 por Don Campbell, em Los Angeles, Estados Unidos. Formado por dez dançarinos (nove homens e apenas uma garota), o grupo exibiu sua dança, que parecia trazer um gingado mais conhecido dos brasileiros do que importado.

       Misturava em meio aos movimentos a atuação e estilo único de cada integrante, introduzindo cenas fáceis, interpretáveis por qualquer pessoa, mas ao mesmo tempo, dignas de serem analisadas por qualquer especialista. Seguindo uma sequência crescente, onde os movimentos e a técnica usados impressionam cada vez mais, a vibe transmitida pelos jovens dançarinos, oriundos de Ribeirão Preto, Santo André, Mauá, Mogi das Cruzes e da capital, mostrou-se contagiante e irreverente.

     Infelizmente, toda a grandiosidade dos artistas não reverteu-se em número de público. O espaço reservado para a apresentação fora uma pequena parte do Teatro Municipal, não o palco do teatro, nem um pátio, mas um espaço ainda menor. Houve gente assistindo das escadas, e outras que não puderam ver, mas só ouvir – o que é ainda pior, pois perderam o espetáculo. Mas há quem diga que essa é a essência da dança de rua, e se for ou não, o que resta aqui é parabenizar os dançarinos, já que os aplausos foram mais do que garantidos. E de pé. 

    *No vídeo abaixo, trecho do espetáculo.


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