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Rap Sofisticado

9 de junho de 2012
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Por Pablo Marques 

Foto por Alexandre Kaldera


BNegão no Grito Rock Rio Preto 2012
O carioca Bernando dos Santos, mais conhecido como BNegão, já fez história no hip hop nacional como um dos vocalistas da polêmica banda Planet Hemp. Após cantar com Black Alien, Marcelo D2, Sabotagem e anos de composições baseadas na legalização da maconha, críticas aos políticos e a sociedade burguesa, o músico iniciou o projeto B Negão & Os Seletores de frequência em 2001, mesmo ano em que o Planet Hemp acabou. 

As músicas perderam o caráter de levantar a bandeira da legalização das drogas e as criticas sociais ocuparam quase que completamente esse lugar. As letras ainda são ácidas como nos velhos tempos, mas o foco agora é outro. O rap tradicional ganhou bases de dub, funk, hardcore e jazz. 

O primeiro CD solo, “Enxugando Gelo”, veio para consolidar mais ainda a carreira do músico. O vocal, já característico, de BNegão, com a banda e o DJ lembram um pouco o Planet Hemp, mas consegue ser muito diferente. A qualidade do som está bem melhor e os metais dão um ar mais sofisticado para o trabalho. 

Após um longo intervalo, entre o primeiro e o segundo trabalho, e algumas turnês nacionais e internacionais BNegão & Os Seletores de Frequência, lançaram recentemente, o álbum “Sintoniza lá” que não deixam a desejar nem da época do Planet Hemp nem do último trabalho.

BNegão e os Seletores de Frequência marcam presença no SESC Bauru na próxima quarta-feria (14), às 21h, no Pré-Canja 2012.


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CinExtinção: Retratos de fanzine

30 de maio de 2012
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Por Jaderson Souza
Foto 1: divulgação / Foto 2: Renan Simão

“Quem faz isso não pode pensar em lucro”. 

A frase sintetiza o abnegado trabalho de um fanzineiro. Histórias desse trabalho são mostradas no documentário Fanzineiros do Século Passado, exibido no último sábado no CinExtinção em Bauru. 

Fanzine é uma revista editada por um fã. O objeto de idolatria desse fã, que vira editor, é o tema das publicações: uma banda, uma expressão artística, um movimento político, etc. Não há pretensão econômica, mas o nível de qualidade gráfica do fanzine depende muito do poder financeiro do editor, que vira e que ainda é fã desde o primeiro momento. 

O documentário, produzido e dirigido pelo também fanzineiro Márcio Sno, é dividido em dois capítulos. No primeiro, aparecem relatos de fanzineiros que mantiveram zines nas décadas de 80 e 90 (alguns deles os mantêm até hoje). As entrevistas foram gravadas entre abril e novembro de 2010. Várias histórias em comum, como o modo de produção e distribuição dos zines, algumas delas bem engraçadas como a do selo e a da carta social, duas estratégias utilizadas pela maioria dos fanzineiros (há quem negue, mas vai saber né?) para diminuir custos de distribuição. A montagem do documentário é um dos detalhes mais interessantes, sobretudo nesse capítulo. O corte das imagens das entrevistas e o fato dos fanzineiros contarem praticamente as mesmas histórias dão a impressão de que uma única pessoa está nos contando a história dos zines. Seria uma espécie de “entidade fanzineira” ou alguma coisa do gênero. 

Mas a parte mais legal do filme estava guardada para o capítulo 2. Ele é subdividido em quatro partes que abordam desde a importância do fanzine para o rock até o panorama atual dos fanzines. 

No começo deste capítulo, aparecem duas importantes figuras do Zinismo nacional: o professor Henrique Magalhães, pioneiro no estudo acadêmico dos fanzines, e o quadrinista Gualberto Costa, que ministrou oficinas sobre fanzines e foi um dos fundadores do Prêmio HQ Mix. Em seguida, vários nomes do rock brasileiro (Gabriel Thomaz e Bacalhau do Autoramas, BNegão, Wander Wildner e Rodrigo Lima do Dead Fish) relatam que já tiveram seus próprios fanzines e falam como essas publicações foram importantes para a divulgação de seus trabalhos enquanto músicos. Eles inclusive brincam que os fanzineiros faziam perguntas clássicas - “qual o tema das músicas?”, “quais as influências?” e “quais os planos para o futuro?” – que resultavam em respostas decoradas. Apesar desses deslizes, eles consideram o fanzine uma mídia bastante positiva, Wildner chega a compará-la, junto com a fita cassete, com a internet de hoje. 

Falando em internet, o filme aborda a chegada da tecnologia no universo fanzineiro. No início, funcionando como um braço da versão impressa, a web facilitou e acelerou o processo de fabricação dos zines. Pouco a pouco, a ordem começa a se inverter; a internet consegue uma autonomia ou, até mesmo, uma independência em relação às publicações impressas. É o nascimento dos blogs que podem ou não coexistir com suas versões impressas. Se no primeiro capítulo do filme, as vozes foram uníssonas, aqui começa a haver o debate em torno do futuro dos fanzines: uns acham que o fanzine vai acabar; para outros, o fim chegará para publicações de grande tiragem; enquanto para outra ala complementa afirmando que o registro em papel é melhor em virtude da volatilidade da internet.


Atualmente existe uma preocupação maior com a qualidade dos fanzines e não apenas com a divulgação dos seus objetos de admiração. No fundo, a discussão sobre o Zinismo é bem parecida ao debate a respeito da função dos jornais impressos. Hoje há um cuidado especial quanto à estética dos zines e também em oferecer um conteúdo textual de ordem mais analítica. Qualquer semelhança pode não ser mera coincidência. 

Muitos defendem que o impresso ainda deve existir, afinal de contas, “ler em um tablet é um saco” (este que vos fala tem a mesma sensação ao ler qualquer coisa no PC). Brincadeiras à parte, o cenário atual aponta o crescimento do intercâmbio entre fanzineiros. Algo que já acontecia décadas atrás via correspondência, pode ocorrer agora tanto física como virtualmente. O documentário ilustra isso com alguns exemplos: a Fanzinoteca Mutação, de Rio Grande (RS); o Tour de Zines, que abrange a produção de fanzines nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais; o Zine-se, de Fortaleza (CE); a HQ Mix, uma livraria que vende fanzines na cidade de São Paulo; o Zinescópio, site que disponibiliza fanzines em arquivo PDF e, por fim, a UGRA, uma espécie de cooperativa de fanzineiros com sede no Rio Grande do Sul. Esse grupo é um dos que defendem com maior veemência a continuidade dos zines impressos, estratégia bem diferente do Zinescópio, porém todos esses grupos tentam preservar, cada um à sua maneira, o universo dos fanzines. 

No final do filme, surgem imagens da Ugrazine Fest, encontro organizado pela UGRA que reúne fanzineiros de todo o país, inclusive muitos que deixaram seu depoimento durante o documentário estavam lá. Se no começo do filme, os fãs+editores+produtores estavam distantes territorialmente e próximos quanto às suas histórias, agora eles estão perto uns dos outros em todos os sentidos. Antes, a história dos fanzineiros parecia uma só; hoje, todos os atores dessa história estão reunidos em um mesmo lugar.

Veja as duas partes do documentário Fanzineiros do Século Passado:






As sessões de cinema alternativo do CinExtinção acontecem todo sábado às 19h. Apareça lá.

Se quiser conhecer mais sobre fanzine, os caminhos estão abaixo:







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