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La Burca: o pós-punk folk do interior

7 de julho de 2014
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Texto: Keytyane Medeiros
Imagens: Divulgação

Uma palavra e pouco sentido num primeiro momento: pós-punklore. Essa palavra misteriosa, curiosa ou propositalmente, tem muito a ver com a banda que a criou. Segundo Amandla Rocha, vocalista do duo La Burca, pós-punklore é uma mistura de pós-punk e folk. “Simplão”, responde a moça de cabelos escuros e sorriso largo.


Confesso que a primeira vez que ouvi a banda, lá no começo do ano passado, nas seletivas para o Grito Rock 2013, achei o estilo muito diferente e destoante do que normalmente é genericamente conhecido como “rock”. E o show foi muito louco, uma verdadeira experiência sensorial com a música, assim, ao vivo, na lata, ou melhor, no Jack Music Pub. Sensorial mesmo, saca? De estar no show e não distinguir bem o que você tá ouvindo do que você tá vendo no palco, o som em fusão com a performance da banda. Em algumas entrevistas, Amandla e Lucas dizem que tiveram a idéia para o rosto que é a espécie de logo do duo ao desenhar os rostos de ambos com traços soltos e depois fundi-los numa imagem só. Acho que essa imagem casou bem com a proposta do duo. Não é fácil definir e encaixar em um gênero o som da La Burca, mas é possível saber que é a La Burca só de ouvir.

Pensando em pós-punk com bandas como Joy Division, Bauhaus e Public Image Limited, típicas do final da década de 1970, senti falta do sintetizador pesado nas composições. O violão elétrico é bastante marcado e, acredito eu, seja fruto da influência folk. Mistura interessante, sensorial. Amandla nos conta que o duo com Lucas surgiu em 2011, mas que os ensaios mais comprometidos, engajados com o projeto só começaram a partir do ano seguinte. Sobre o surgimento, a vocalista destaca sua inspiração, “eu havia acabado com a Kaspar Horse (banda guitar-noise) em 2011 e queria testar outras composições e sonoridades. Além de reaproveitar e reinventar algumas. Eu tinha muita música ‘parada’, sem uso, que não conseguia usar nas bandas em que já toquei. Então, a princípio, queria algo mais folk e acústico, comprei um violão elétrico e chamei o Lucas que tava parado. E começamos a ensaiar”, afirma.

Amandla sempre foi compositora, desde criança e também participou de várias bandas ao longo de sua carreira como música, jornalista e fotógrafa. Foi baixista na Kaspar House e Autoboneco, que também tive oportunidade de conhecer em 2012. Porém, como tem vocação para o experimentalismo, coisa que fica evidente em todas as faixas do CD de lançamento da La Burca, Amandla precisava mudar. 

“Eu estava cansada da pegada noise em que persistia e queria outro lance, encarar o violão. Sempre toquei baixo nas bandas, e embora adore tocar as quatro cordas, estava na hora de assumir meu lado compositora-violeira.” Com composições em inglês e português, o CD é bastante redondo, trazendo também variações melódicas entre uma faixa e outra, coisa muito difícil quando a gente pensa no mundo repleto de indie music de hoje. Pensando em mesclar “o lado mais visceral e mais calmo das canções” e o minimalismo que as composições exigiam, a La Burca é um duo intimista até e talvez daí, o entrosamento marcado entre Lucas e Amandla no palco em tão pouco tempo de estrada juntos.


Com mais um álbum em andamento, o duo agora aposta numa setlist mais variada, com canções antes guardadas e que agora estão sendo testadas, experimentadas nos shows. A previsão é que até o fim do ano saia o novo CD, mas a certeza é que muito em breve o clipe da música instrumental “Diário de uma sombra” já esteja no ar. Tocando mais pra fora do que dentro da cidade de Bauru, a La Burca já está fazendo o seu público e conquistando outros! Em agosto, o duo vai abrir os shows da banda espanhola de pós-punk Belgrado, em São Carlos. 

Amandla e Lucas estão consolidando seu caminho com o seu duo de nome e estilo diferentes, enigmáticos e enérgicos. E se ficou com gostinho, não precisa se preocupar, eles vão tocar no Arraiá das Mina no dia 20 deste mês, mas você pode ouvir o CD completo da La Burca, acessando o perfil no TNT.Art aqui, pelo canal do Youtube ou acompanhar o duo pelo Facebook!
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Um olhar além das aparências

1 de junho de 2014
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Texto e imagens: Nathalia Rocha

Seminário “Contra a Redução da Maioridade Penal” realizado neste sábado em Bauru se propõe a questionar a ideia de violência e a forma como ela é construída

Um dos marcos do meu processo de amadurecimento, de passagem da adolescência para a fase adulta, foi a percepção de que meus pais queriam o melhor para mim. Isso não impede que ainda tenhamos algumas discussões de cunho político e ideológico, mas fez com que eu compreendesse que, ainda que eu não concorde com algumas decisões e argumentos deles no que diz que respeito à minha criação, as intenções deles são estruturadas a partir de um amor imensurável. E quando não há, na criação e processo de construção da personalidade e do caráter se um indivíduo, então, uma base que o leve a tal compreensão? E quando a estrutura familiar não lhe permite chegar à mesma conclusão a que cheguei?

O Seminário “Contra a Redução da Maioridade Penal”, realizado no dia 31 de maio na Câmara Municipal de Bauru, se propôs a entender essas questões. Sair da zona de conforto e entender que problemas como a violência vão além da visão linear “ação e reação”.

“Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada.”
Juliana Pasqualini

Foi com a ideia do jornalista e crítico social norte-americano Henry Louis Mencken que Juliana Pasqualini, professora do Departamento de Psicologia da Unesp Bauru, introduziu sua reflexão sobre o significado da adolescência. Segundo a professora, entender o equívoco da ideia de redução da maioridade penal envolve um olhar além das aparências, um olhar que permita à sociedade enxergar o que está por trás dos crimes cometidos por menores infratores. Indo além da visão de que a adolescência é um conceito biológico e tomando o período, também, como uma construção social e histórica, o jovem nessa fase tenderia a questionar seu papel no mundo e a projetar o seu futuro a partir desse. A partir disso, Juliana questiona o suporte que jovens infratores, majoritariamente sem base familiar e educacional, tem nesse processo de projeção e planejamento de futuro.

Usando uma linha de combate diferente, a deputada estadual Beth Sahão usou dados para desconstruir alguns dos argumentos usados na defesa da redução da maioridade penal. Segundo o Mapa da Violência 2012, o Brasil é o quarto colocado, entre 92 países, na taxa de homicídios de crianças e adolescentes. Olhando apenas para o nosso país: 129 casos de violência física ou psicológica são registrados pelo Disque-Denúncia diariamente. Dentre os menores infratores, segundo dados levantados pelo Conselho Nacional de Justiça, a maioria parou de estudar aos 14 anos.

A deputada colocou, ainda, a problemática da falta de investimentos na implantação e aplicação de políticas capazes de apoiar esses jovens. Beth Sahão diz que, além de enfrentar a falta de interessa polítco em se criar políticas que subsidiem a formação de jovens carentes, ela tem como problema também a falta de recursos que tornem possível a criação de leis e dispositivos capazes de defender esses indivíduos.

“Reduzir a maioridade penal é reconhecer a falência do Estado no trato da criança e do adolescente”

Além da deputada Beth Sahão e da professora e psicóloga Juliana Pasqualini, o seminário também contou com a presença do advogado e rmembro do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente (Condeca) Ariel de Castro Alves, responsável pela conclusão sobre a falha do Estado, e que levantou a questão da inconstitucionalidade da maioridade penal. E com Givanildo Manoel da Silva, educador social e especialista em políticas destinadas a infanto-juventude.

Givanildo, o Giva, propos um olhar mais amplo da sociedade brasileira, de modo que mais que o combate à redução da maioridade penal, avaliássemos os danos da construção sociedade baseada no encarceramento e na punição baseada na tolerância zero.

O seminário foi organizado pelo Comitê Contra a Redução da Maioridade de Bauru e contou com a participação de diversas entidades e movimentos sociais atuantes na cidade.

Andamento da discussão no país

Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte em 2013, 92,7% da população é favorável à redução da maioridade penal. Em fevereiro deste ano, a proposta do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) de redução da idade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça. O senador apresentou recurso à Mesa Diretora do Senado para que sua proposta de emenda à Constituição (PEC) seja apreciada pelo plenário da Casa. Aloysio recolheu as nove assinaturas necessárias para que a PEC seja analisada pelo pleno dos senadores. Com isso, a proposição entrará na pauta de votações.
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#Trocando Ideia: D'Bronx

29 de maio de 2014
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Entrevista: Keytyane Medeiros

Imagens: Divulgação

Rodrigo Caetano Faustino, mais conhecido pelas quebradas de Bauru como D’Bronx, é rapper e produtor audiovisual. Em outubro de 2013 lançou seu quinto CD, intitulado “Coragem é o que a vida quer de mim” e no início do ano participou da produção e da realização do clipe “Favela” do rapper Vurto MC, também bauruense.

O CD de D’Bronx é bastante mesclado. Tem levadas mais R&B, como “Já te amava” que conta com a participação de Thigor MC, outras canções que referenciam jargões próprios do rap paulista como em “Interior tem voz”, produzido por Felipe Canela e outras mais étnicas como “Posse sangrenta”, feita em homenagem aos índios Guarani Kaiowá e que já está na boca do povo. Nossa equipe conversou com o cara saber qual que é a do novo trabalho.

e-Colab: D’Bronx, como começou a sua relação com o rap, quando começou a ouvir, cantar, produzir?
D’Bronx: Eu faço rap desde criança. Meu tio era DJ e meu primeiro contato com a música foi com o samba, mas como meu tio era DJ, ele me apresentou um CD do Racionais MCs (Homem na Estrada) e aí eu comecei a escutar bastante rap. E eu comecei a relatar, com as minhas palavras, algumas coisas que aconteciam na minha quebrada e comecei a montar meus grupos ali, sem muita pretensão, só para cantar em escola e praças mesmo. Montei meu primeiro grupo entre 2002 e 2003 e em 2005, eu lancei o primeiro CD. O meu primeiro grupo chamava “Sobreviventes do Gueto” e o segundo chamava “Guerreiros da Luz”. Nesse último éramos em 5 integrantes e começamos a misturar rap com soul, colocar um pouco mais de musicalidade na parada. Tivemos ajuda do produtor Kleber Gaudencio, que toca piano e foi aí que nosso estilo começou a se diferenciar do rap que se faz aqui em Bauru.

e-Colab:  Quais as influências musicais para compor o CD “Coragem é o que a vida quer de mim”, já que ele possui várias texturas sonoras?
D’Bronx: Eu trabalho com diversas pessoas e essas pessoas me influenciam com samba, jazz, soul. E eu procuro respeitar todos esses estilos e extrair um pouco de todos eles. Não escuto rap o dia todo, pelo contrário, rap é o que eu menos ouço no meu dia a dia. E cada CD que eu lancei, tinha uma linhagem diferente. Uns mais pro lado do soul, do rap mesmo, com mais beats, mas sempre procurando enriquecer o trabalho e refletir aquilo que eu escuto no dia a dia também.



e-Colab: Como foi o processo de produção desse último CD?
D'Bronx: Nesse CD, eu escolhi alguns amigos que também são produtores para me ajudar. Cada faixa vem com uma produção de uma pessoa diferente, tem o Caio Santos, o Rodrigo Dhakor, Thigor MC, TH Beats. Então cada faixa um coloquei de um parceiro ali, então não segue uma linha só de produção. Foi um lance que eu experimentei fazer mais rap, com uns beats mais pesados. Mas a ideia era explorar outras coisas, um beat mais pegada jazz, música em homenagem aos índios Guarani-Kaiowa, com uns batuques mais étnicos, outros com beats mais pesados, como a música que o Canela fez...

e-Colab: Qual seria a principal mensagem do CD?        (Ouça o CD completo aqui!)
D'Bronx: Eu trabalho bastante com a questão da auto-estima. Eu penso que não adianta eu atacar o sistema sem estar bem comigo mesmo. Não adianta eu criticar a polícia, a violência e a sociedade, sendo que eu ainda não me valorizei como pessoa ainda, não to bem em casa, com a família, com a vizinhança antes. Tento passar uma mensagem positiva, de esperança, de respeito, sem fazer distinção de raça, religião, estilo musical. Por isso, a necessidade de fazer parceria com outros rappers e outros cantores. Às vezes a pessoa curte um jazz, mas não ouve rap, aí no rap vê um lance de jazz. A ideia é essa, trabalhar com autoestima e respeito, é o que me motiva mais. Porque não adianta instigar o ódio entre as pessoas. Não é porque eu não falo sobre crime ou revolução que meu rap é melhor ou pior que o de outro rapper, mas a gente se complementa, ele pode falar coisas que eu não cito e vice-versa. Uma coisa complementa a outra, nós não vivemos violência o tempo todo, a gente desfruta de felicidade, alegria, a gente luta por isso e todo mundo se complementa.


O rapper também é dono de uma produtora audiovisual, a Bronx Filmes. A história de D’Bronx com o audiovisual começou quando Rodrigo trabalhava na ONG SOS Global e prestava socorro para vítimas de catástrofes naturais em outros estados e, ao perceber uma ausência de vídeos sobre esses acidentes, decidiu que ele mesmo faria registros dos resgates e das famílias atingidas. Assim que produziu os primeiros vídeos, ainda com uma câmera compacta simples, D’Bronx recebeu ajuda do amigo e coordenador da ONG, Enilson Comono, com alguns equipamentos e passou a direcionar as produções para trabalhos musicais, em clipes dele próprio, da Abanka Forte, de Vurto e também para grupos de São José do Rio Preto.

A proposta de D’Bronx parece interessante à medida que se propõe a criar um ambiente de boas energias e autoestima para o ouvinte de rap, deixá-lo mais confiante e seguro de si. Nesse ponto, sem dúvidas, D’Bronx acerta. É realmente importante se conhecer bem, enquanto individuo para também se reconhecer cidadão, ser político, cultural e social nesses nossos tempos líquidos.
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Cinema Independente: O Rap pelo Rap

28 de abril de 2014
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Por Keytyane Medeiros
Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal

Passei alguns dias pensando em como escrever sobre algo que já vi, mas que sei que existe uma expectativa grande em torno dele. A minha expectativa foi - muito positivamente - vencida, alguns meses atrás.

Conheci o documentário “O Rap pelo Rap” antes por uma razão simples: Pedro Henrique Fávero, diretor e idealizador do projeto, apresentou o doc. como TCC, Trabalho de Conclusão de Curso de Rádio e TV na Unesp Bauru, no início de 2014 e fui lá dar uma espiada no trampo.

Produzido entre 2012 e 2013, O Rap pelo Rap contou com a participação e declarações de mais de 40 rappers, MCs e produtores musicais. Estão lá desde os mais antigos como Sandrão (RZO), KL Jay (Racionais) e Dexter até artistas mais novos como Criolo, Shawlin e RAPadura Xique Chico. O doc. também aborda as mulheres na cena Hip Hop, representadas por Lívia Cruz e Carol Konká - um número pequeno, é claro, mas pra falar das mulheres no Rap, seria preciso um outro doc. - e  finalmente, o documentário de Fávero chega à caras de peso na indústria fonográfica independente no Brasil, como Nave Beatz e Daniel Ganjaman.

Pedro Fávero. Diretor, roteirista e idealizador.
Pedro se propôs a nos “mostrar como o Rap é heterogêneo. Que não cabe em rótulos, que muda com o tempo, mas que ao mesmo tempo tem muito a falar e questionar sobre ele próprio”, afirma. Inspirado em Eduardo Coutinho e em outros documentários e filmes do cenário independente, como Mestres do Viaduto e Mr. Niterói, “O Rap pelo Rap” tem um formato próprio. Não conta a história do rap no Brasil dos anos 90 ou 2000 pra cá, através da trajetória de um artista, mas se propõe a dar voz para que os principais ícones e nomes do rap nacional possam expor o que pensam justamente sobre o rap nacional.

Ao colocar vários ícones do movimento hip hop em destaque, o documentário, naturalmente, traz falas que dialogam entre si e outras que se colocam em oposição, como no tópico “A revolução será televisionada?”, que fala sobre a relação do rap com a mídia. E aí que mora a beleza do negócio. Não gera a polêmica de quem está certo ou quem tá errado no rap, são opiniões divergentes, apenas. O próprio diretor destaca que “esse formato se encaixa bem no formato do rap, que não tem um artista referência e sim vários, com diversas opiniões”.

A equipe que realizou essa empreitada com o Pedro era reduzida também. Produzido de modo colaborativo, as entrevistas do doc. eram feitas com uma ou duas pessoas e alguns amigos ajudaram com a identidade visual do projeto. Só com o rascunho do roteiro em mente, pouca grana e uma câmera na mão, o projeto começou. As entrevistas foram feitas em Bauru e em São Paulo e só a edição durou 6 meses. Não me lembro algumas coisas daquela banca de TCC – os professores doutores costumam falar muito – mas lembro que Pedro disse que se viu obrigado a reduzir 6h de material em 73 minutos de vídeo.



“Tentei organizar a edição de forma que ficasse interessante de assistir, com ganchos, falas contraditórias e concordantes entre si, momentos de descontração... pois ficar mais de uma hora ouvindo pessoas falarem pode ser muito maçante”, ele conta. Realmente deve ser chato, mas dessa vez não foi.

A estréia vai acontecer essa semana, no Festival Internacional de Documentários Musicais – IN EDIT BRASIL, no Cine Olido e na Matilha Cultural (abaixo mais info!). Mas ainda vai demorar um pouco para podermos vê-lo pela telinha do PC, O Rap pelo Rap só vai ser lançado na internet em 2015, pois agora o foco está nos Festivais de cinema independente.


Até lá, Pedro tem lançado teasers pela página do Facebook/O Rap pelo Rap e outras redes sociais. Os teasers com o GOG, Mano Brown e Neto (do grupo Síntese) tem recebido bastante atenção entre os fãs do rap e foram publicados em páginas como Rap Nacional Download, Vai ser Rimando e Noticiário Periférico.

Seja como for, muito provavelmente irei ver o doc de novo em São Paulo e deixo aqui, o máximo que posso dizer sobre ele e a impressão de que o cinema independente nacional ganhou mais uma importante e inovadora peça.



***A programação completa do In EDIT Festival você pode acompanhar neste link.
Preparem as pipocas e o refri! 
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"Grande como nunca se viu"

18 de junho de 2013
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Texto e fotos por Higor Boconcelo




      Não é de se estranhar que muita gente no Brasil ainda não tenha ciência do que a internet e as redes sociais são capazes de fazer, frente a conjuntura de deficiências que nosso país possui. Mas, para quem conhece (e bem), já era previsível que a reunião para discutir o primeiro ato bauruense em apoio ao Movimento Passe Livre (ou Vem Pra Rua, Revolta da Salada e, para a grande mídia, equivocada como sempre, arruaça), organizada no Facebook, iria juntar a fome com a vontade de comer dos bauruenses e ir muito além. O movimento reivindica melhorias no sistema de transporte coletivo do país, bem como melhorias em setores como Educação, Saúde e Segurança.  
   
     Quando o rotineiro som do sino da Catedral do Divino Espírito Santo ecoou na Praça Rui Barbosa encontrou um adversário. Um não, vários. Muita gente já estava aglomerada às seis da tarde fazendo barulho, protestando. Cartazes, máscaras de Guy Fawkes, rostos pintados, apitos e tudo que era válido. Mesmo a organização tivera trabalho para se sobrepor ao ânimo dos jovens ali presentes e organizar seu percurso.

  
     Em quase que unanimidade, o trajeto estabelecido iria rumar para a Câmara Municipal dos Vereadores, localizada a poucas quadras da praça. Quando a horda de gente virou a esquina da Antônio Alves e tomou a av. Rodrigues Alves, as reações da população ao manifesto eram algo digno de ser gravado e enviado por centenas de e-mails às caixas de entrada da grande imprensa.


     Muitos gritos e buzinas em apoio a uma manifestação que Bauru achou que nunca mais iria ver. Os gritos de “Vem Pra Rua” ecoavam na avenida, pareciam uma canção – pena que era d’O Rappa.  Por entre carros e ônibus, os manifestantes caminhavam sem medo em direção à Câmara, convidando quem estava usando os coletivos à manifestar-se também.

     Barulheira e estardalhaços sonoros convidavam os vereadores a sair do prédio, a negociar com a manifestação. As duas saídas laterais da Câmara foram fechadas pelos manifestantes, bem como a porta principal. O objetivo era fazer com que todos os 17 parlamentares assinassem o documento que iria estabelecer uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), responsável por investigar o aumento das tarifas do transporte coletivo a fundo.

     O espírito da manifestação perdurou por mais de 4 horas, tão como a pressão à porta da Câmara Municipal. Para abrir a CEI, eram necessárias seis assinaturas. Apenas dois vereadores haviam assinado até o momento: Roque Ferreira (autor do pedido) e Raul Gonçalves Paula. Entretanto, ambos o fizeram há várias semanas. Isso não é propaganda política, é fato.


    Como resultado da manifestação, todos os vereadores se comprometeram a fazer uma reunião interna com objetivo de analisar a fundo o documento da CEI. Mesmo que distante do ideal, a notícia serviu como um combustível para disseminar a informação de que “quinta-feira tem mais”. No mesmo horário, no mesmo lugar, mas com trajetos diferentes. O objetivo do próximo ato será marchar pouco mais de um quilômetro até o prédio da Prefeitura Municipal, na Praça das Cerejeiras. 

    Mesmo com os fortes boatos de que poderiam ser acusados de cárcere privado, os manifestantes continuaram gritando até quase onze da noite, quando a posição final da Câmara foi anunciada. A organização atentou-se ao fato de que obrigar os parlamentares a assinar é também considerado anti-democrático.


   Ainda assim, o convite para o próximo ato se sobrepõe. Muitas palmas oferecidas a todos os presentes e à Polícia Militar, que acompanhou toda a manifestação e fez um trabalho excelente, como sempre faz em qualquer protesto na cidade, mesmo que muitos não soubessem desse fato. 

A manifestação bauruense ganhou lugar em veículos como G1, Folha e Uol. Mas não mais do que ganhou lugar na av. Rodrigues Alves, na Nações Unidas, no cruzamento da Antônio Alves com a Duque de Caxias, e em tantas outras ruas daqui e do país, na consciência dos brasileiros, superficialmente ou não. Vem pra rua você também.




Confira a cobertura fotográfica completa!

Quer ficar por dentro da organização do movimento em Bauru e participar do próximo protesto? Junte-se ao grupo no Facebook e informe-se.



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A vitória do som

17 de junho de 2013
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Texto e fotos por Mauricio Daniel

O festival Vitória Rock já está inegavelmente enraizado na trajetória cultural de diversas gerações da cidade de Bauru. Uma iniciativa que consiste na apresentação gratuita de bandas na concha acústica do Parque Vitória Régia, o evento foi durante muitos anos a iniciação e um verdadeiro templo para jovens que sempre lotavam o espaço em peregrinação. Depois de longo tempo sem acontecer por questões de organização, o Vitória Rock foi resgatado pelo grupo Sociedade do Rock, com apoio da Prefeitura, do Jornal da Cidade e da rádio 96FM, e aconteceu no último domingo, dia 9 de junho.
Desta vez, o festival teve caráter beneficente e englobou arrecadação de roupas e cobertores do público em prol da Secretaria Municipal do Bem Estar Social. A ideia dos organizadores é retomar a iniciativa com força e realizar edições mensais do evento durante todo o resto do ano e a edição de julho já tem data marcada: o dia 7, também um domingo.
A edição contou com a presença de quatro bandas, sendo duas bauruenses e duas paulistanas. Representando a cidade, tocaram Overhead e Supersonica. De fora, as veteranas Baranga e Kiara Rocks.
Por volta das 15:30, horário marcado para o início das apresentações, o anfiteatro Vitória Régia já tinha boa parte de seu espaço tomado pelo público. No entanto, o primeiro show não começou antes das 17:00, ficando o desabafo: as demoras excessivas nas passagens de som já estão se tornando uma tradição nada elogiável em eventos do gênero. Ponto negativo pra organização.
O quarteto bauruense Overhead subiu então ao palco para executar seu som próprio, um rock calcado em músicas diretas e rápidas. Problemas técnicos com os equipamentos prejudicaram o grupo e deixaram tudo um tanto embolado pra quem ouvia. Pessoalmente, considero a banda carente de ousadia, ficando muitas vezes presa a riffs genéricos e letras repetitivas e pouco imaginativas.
Já começava a escurecer no já lotado parque quando o Baranga assumiu as rédeas. Também um quarteto, os paulistanos me impressionaram com a força de seu repertório. Formada por Xande (vocal e guitarra), Deca (guitarra), Soneca (baixo) e Paulão (bateria), a banda tem quatro discos no currículo e acabou de gravar mais um. Suas músicas seguem a linha de um hard rock simples e vigoroso, com pé no blues e um certo tom canastrão, principalmente nos vocais rasgados.
Com letras que dificilmente saem do tripé álcool-mulheres-carros, a Baranga consegue salvar-se de ser uma caricatura de si mesma por fazer tudo com bom humor e atitude. O show dos caras tem muita presença e incendeia facilmente o público, com destaque absoluto para o pirado guitarrista Deca, fazendo solos ajoelhado e agitando sem parar, e o veterano Paulão, sempre tirando um senhor som de sua bateria.
Dentre as músicas apresentadas, merecem menção "Maverick" (com o singelo refrão "meu Maverick, cor de prata/bebe mais que o dono/ninguém me ultrapassa"), a pesadíssima "Whiskey do Diabo" e a mais recente "Deixa a Noite Saber". Foi um agradabilíssimo anoitecer no cartão postal da cidade.
Depois, entrou em cena a Supersonica. Já conhecidos do público bauruense, os caras apostam em músicas também pesadas, mas com agradáveis toques de rock alternativo, além de versões certeiras pra grandes clássicos. Como de costume, não deixaram a peteca cair e seguraram muito bem a onda.
Para encerrar a noite a banda escolhida foi a paulistana Kiara Rocks. Com um som bem sujão e que tem muito do glam rock, agradou a todos os presentes e mostrou a razão de ter sido escolhida para tocar no Palco Mundo do Rock in Rio 2013, no mesmo dia dos monstros Iron Maiden e Slayer.

Numa avaliação geral, o retorno do Vitória Rock foi uma ótima oportunidade de lembrar da importância do evento. A música de qualidade oferecida sem custos em um ótimo espaço superou os problemas técnicos e de organização e o saldo final foi certamente positivo. O momento é oportuno e Bauru merece a volta de tais esforços para aquecer a cena e intensificar a mobilização cultural.
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SEDA 2013: Oficina de edição de Audiovisual – Construindo Guerrilha com Software Livre

11 de junho de 2013
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Fotos por Casa Fora do Eixo Bauru e Amanda Costa
Texto por Amanda Costa



Na última quinta-feira (6), ocorreu mais uma atividade proporcionada pela quarta edição do evento SEDA (Semana de Audiovisual).

Durante 3 horas, foi ministrado o segundo módulo da Oficina de Edição – Audiovisual: Construindo Guerrilha com Software Livre.

A oficina ocorreu na Casa Fora do Eixo Bauru. Participaram em torno de 15 pessoas e o responsável por passar as dicas foi Felipe Garcia, do Coletivo Moinho.


A proposta do encontro é proporcionar o contato mais próximo e familiarizar os participantes com as ferramentas de edição de vídeos. A partir das dicas apreendidas, quem participou ajudará na estruturação de vídeos para a cobertura e divulgação do evento.

Durante a Oficina, Felipe Garcia apresentou o software KDEnlive utilizado para edição e montagem de curtas. O programa é simples, gratuito e pode ser facilmente utilizado.

Ele expôs durante o encontro um dos pontos mais importantes no processo de edição: o ‘improviso”. Tudo é “programado” durante o próprio processo de edição. O que torna o trabalho bacana é saber trabalhar em cima de algo simples, já que o filme finalizado é desenvolvido a partir da junção e montagem de partes que, inicialmente, não têm ligação entre si.


Em um ambiente dinâmico e descontraído, os presentes participaram da montagem de um vídeo, em que cada um ficou responsável pela estruturação de um pequeno corte.




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Contação além da praça

7 de junho de 2013
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Texto e fotos por Higor Boconcelo


      Continuando as atividades da ocupação cultural na praça Rui Barbosa, que ocorreu na última quarta-feira (05/06),  dentro da programação da SEDA 2013, foi apresentado o  espetáculo Uma História de Quem Fomos e Somos, da Cia. Mondó Comunicação Teatral.

    Pouco antes de anoitecer, as Brunas Machado e Moscatelli já haviam armado todo o cenário de sua peça. Objetos típicos da cultura indígena e apitos que imitavam assovios de passarinhos foram colocados em torno de um círculo, onde as duas artistas, já caracterizadas, tomaram seus lugares quando o sol já se punha.

   Acomodados em pufes, almofadas e tapetes, ou até mesmo a vontade no chão da praça, o pequeno público presente tem sua atenção captada pela história de duas garotas que, em seus sonhos (ou não), visitam e entram em contato com a cultura indígena, seus mitos e costumes.

   Entrando na temática do Dia Mundial do Meio Ambiente, a peça emocionou os presentes por tratar de amor e respeito à natureza, por inspirar uma paixão há muito esquecida – pela maioria. Ignorando o nervosismo de atuar em uma praça pública – e movimentada –  as Brunas encantaram as crianças presentes.

  A peça se encerra cantando ao público milhares de nomes de tribos indígenas, passando uma mensagem importante, mas de fácil entendimento. Mensagem que não é lembrada no dia-a-dia pela maioria, mas graças as artistas, com uma agenda cheia de apresentações em diversas escolas, irá marcar muitas crianças além daquelas que deram sorte ao passar com a mãe pela praça Rui Barbosa, em um fim de tarde qualquer. 
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SEDA "Ocupraça": a Rui Barbosa como palco

6 de junho de 2013
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Fotos por Higor Boconcelo
Texto por Pâmela Pinheiro Antunes e Higor Boconcelo


     Desde a última segunda-feira (03/06), foi dada largada à SEDA – Semana do Audiovisual de 2013. O evento, atualmente em sua quarta edição, é uma realização da equipe da Casa Fora do Eixo Bauru e seus colaboradores.

     Dentro da programação estava marcada a Ocupação Cultural na ilustre Praça Rui Barbosa, o ponto final do Calçadão da Batista (mesmo que por muitos considerados início, questão de perspectiva), coração do centro urbano de Bauru.  

    Tal apossamento cultural do local deu-se através de oficinas, exposições, teatro e música, concebendo um evento de oito horas de duração, tendo seu início marcado para às 14h. Depois de muita correria e esforço conjunto para ajeitar o ambiente público e afastar as pombas, a ocupação foi tomando sua forma.
 

     Na arte da customização, Marina Brito e os outros colaboradores da organização ofereceram a oficina de Stencil. Com a camiseta em mãos, o que restava ao público era escolher entre o logo da SEDA e criar uma estampa própria, feito isso, só se ajeitar e começar a pintar a peça.

    Mesmo que desconhecido da maioria dos transeuntes e presentes no evento, o fato da quarta-feira ser também o Dia Mundial do Meio Ambiente mereceu atenção na ocupação. Surpreendendo aos seus ouvintes, Marina os convidou, num bate-papo sobre consciência sustentável, a fecharem seus olhos e a imaginar o lugar onde queriam viver, que desejavam em seus sonhos ou consideravam ideal.

   Nenhuma resposta excluiu um ambiente natural em sua composição – onde a praia habita quase que a totalidade dos pensamentos ali expostos. A partir dessa reflexão, Marina contou sua própria experiência. Morou na Argentina, na região da Patagônia, “no meio do mato, sem energia elétrica nem nada”. Na tentativa de inspirar os ouvintes a uma consciência ativa nas questões ambientais, o convidado Lucas Ezias acalorou a conversa provocando reflexões políticas sobre a sociedade e o sistema atual.

     Em outra ponta, após o papo reflexivo, Luana Casagrande, colaboradora da Rede Fora do Eixo, ensinou a transformar caixinhas de leite longa-vida em carteiras de mão.  As atividades de reciclagem contaram também com as lições de um visitante surpresa. Emerson estava passando pela praça quando parou e ensinou aos colaboradores como transformar garrafas pet em carrinhos de brinquedo, somando à essência da ocupação o seu conhecimento.


     Da quantidade de pessoas que atravessam a Rui Barbosa, na correria ou não, o número de envolvidos pela celebração cultural acaba não importando. O que importa é que, de fato, houveram envolvidos. As vozes dos integrantes da Casa Fora do Eixo Bauru, amplificada pelo microfone, convidaram durante toda a tarde a população que ali transitava a sentar, ler uma revista, apreciar a apresentação poética da Frente Feminina de Hip-Hop de Bauru, a ocupar o espaço público de fato.

      Ao anoitecer, outras atrações vinham sendo anunciadas, dando continuidade ao evento. Com o fim do horário comercial, a única coisa que se encerrou junto com ele naquela praça será esse texto.

Dê uma olhada na cobertura fotográfica! Clique aqui.
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Entre a química e o público, gingado

29 de maio de 2013
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Fotos por Fernanda Luz e Higor Boconcelo
Texto por Higor Boconcelo


        Em tempos onde o cenário cultural Bauruense tem sido impulsionado por diversos produtores, de diversos gêneros, a Virada Cultural Paulista não pode mais ser vista como a salvadora do tédio da população (e nem deve). Mesmo assim, o evento não pode ser desmerecido, ainda que não tenha conseguido nessa edição manter o fluxo de atrações culturais por 24 horas seguidas.
        
        Mudanças à parte, a galera que aguarda por atividades destoantes das esperadas pelo grande público (aquelas que tomam o Vitória Régia como palco), ainda se mantinha presente no Teatro Municipal na segunda tarde de apresentações, como nos anos anteriores.

        O meio da tarde era o horário marcado para o Chemical Funk dar as caras à plateia, o que aconteceu com quase nenhum atraso – a não ser o provocado pela batida setentista, que tomou o local antes de introduzir os bailarinos.

      Trazendo diretamente de São Paulo para a terra do sanduíche, o espetáculo Danças Urbanas – Locking mostra a essência desse estilo, criado em meados da década de 60 por Don Campbell, em Los Angeles, Estados Unidos. Formado por dez dançarinos (nove homens e apenas uma garota), o grupo exibiu sua dança, que parecia trazer um gingado mais conhecido dos brasileiros do que importado.

       Misturava em meio aos movimentos a atuação e estilo único de cada integrante, introduzindo cenas fáceis, interpretáveis por qualquer pessoa, mas ao mesmo tempo, dignas de serem analisadas por qualquer especialista. Seguindo uma sequência crescente, onde os movimentos e a técnica usados impressionam cada vez mais, a vibe transmitida pelos jovens dançarinos, oriundos de Ribeirão Preto, Santo André, Mauá, Mogi das Cruzes e da capital, mostrou-se contagiante e irreverente.

     Infelizmente, toda a grandiosidade dos artistas não reverteu-se em número de público. O espaço reservado para a apresentação fora uma pequena parte do Teatro Municipal, não o palco do teatro, nem um pátio, mas um espaço ainda menor. Houve gente assistindo das escadas, e outras que não puderam ver, mas só ouvir – o que é ainda pior, pois perderam o espetáculo. Mas há quem diga que essa é a essência da dança de rua, e se for ou não, o que resta aqui é parabenizar os dançarinos, já que os aplausos foram mais do que garantidos. E de pé. 

    *No vídeo abaixo, trecho do espetáculo.


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BMX - Bike pra voar

6 de maio de 2013
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Texto e Fotos por Keytyane Medeiros 



Uma bike pequena, uma praça e um fim de tarde foram necessários pra me mostrar que Bauru tem muita coisa além de basquete, futebol e slackline no que diz respeito aos esportes. Bauru também tem BMX.

Um grupo de aproximadamente 20 rapazes passou o fim de tarde na Praça da Paz, fazendo manobras com suas bicicletas de tamanho reduzido em cima de uma rampa improvisada ao lado do laguinho. Apesar das boas manobras no concreto, um deles, Natanael Silva, profissional no BMX, me contou que sua especialidade é o Dirt Jump, modalidade em que o atleta pedala em alta velocidade e faz manobras aéreas sobre morros e obstáculos de terra nas rampas.

Junto ao profissional estavam alguns amadores que mandaram muito bem no estilo street e que compõem com ele o Insanos Dirt Jump de Bauru, grupo de pilotos que pratica na pista de terra do Parque Roosevelt. Além deles estavam alguns jovens de Barra Bonita, que vieram passear e praticar BMX em Bauru e há boatos de que os praticantes da cidade vizinha são muito bons na modalidade street. Confira a cobertura fotográfica abaixo.


Natanael ainda me contou que o esporte ainda recebe pouco apoio na cidade. “Nós é que ralamos, fazemos as rampas de terra e cuidamos do campo. Na prefeitura ninguém dá uma força. Quando a gente precisa ir aos campeonatos, a gente trabalha e vai com o próprio dinheiro ou pede pros amigos donos de lojas.” É complicado jogar assim, de forma tão precária. Muitos dos atletas independentes de Bauru sabem que existe a Lei de Incentivo ao Esporte, incluindo leis estaduais, porém não sabem como ter acesso à elas ou lidar com toda a burocracia envolvida nos processos de liberação de verba pública para a elaboração de eventos esportivos.

Ainda sim, no dia 26 de maio haverá a terceira etapa do Campeonato Paulista de Bicicross-BMX Votorantim em Jarinu e alguns rapazes do Insanos Dirt devem se apresentar por lá. Enquanto isso, os “treinos” acontecem aos finais de semana, no parque Roosevelt. Os fãs, admiradores e amadores aguardam um campeonato municipal em breve. Assim seja!
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Boneco Gira Boneco e faz dar muita risada

1 de maio de 2013
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Texto e foto de Higor Boconcelo


Pouco depois do jantar e a criançada dando baile nos pais, avós, tios ou seja lá de quem tenha sido a ideia de levá-las para sair. Claro que só ficam descarregadas quando estão com sono, e no que dependeu da peça que subiu ao palco do Teatro Municipal de Bauru na última quinta-feira, isso ficou longe de acontecer.
Dentro da programação do Boneco Gira Boneco, Festival Internacional de Teatro de Bonecos organizado pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e parceiros, a peça El Gran Delirio de Anacleto e Cascarrabias foi trazida diretamente da vizinha Argentina para integrar os diversos espetáculos que por aqui rolaram.

De autoria da Cia. Los Bufones, a peça conta a história do palhaço Anacleto e seu inseparável amigo extraterrestre Cascarrabias. Aventureiros, a dupla navega pelo oceano quando são atacados pelo pirata Mala Pata, que por fim, sequestra Anacleto.
Em meio aos risos da plateia e das tentativas de Marcelo Pablo Fernandéz fazer-se entender pelo público (tanto infantil quanto adulto), a peça prossegue com a odisseia de Cascarrabias em busca do amigo raptado.

Autor da peça e fundador da Los Bufones, Marcelo é formado em Artes Plásticas pela escola Nincei (Província de Buenos Aires), e também autor, diretor e produtor. Além disso, é da arte titereira que parece ter mais orgulho: conta que das meias furadas de sua avó, idosa vaidosa e que vivia a passear, fez suas luvas de bonequeiro.

Nem a dificuldade da língua estrangeira fez com que a peça não fosse bem recebida – o que o idioma limitava, a interpretação (vocal) de Marcelo transpassava. Mais digna que os aplausos calorosos que o artista recebeu, só a noite de sono dormida por aquelas crianças.
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Manifest... ação?

10 de abril de 2013
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Fotos e texto por  Giovanna Diniz

Parece pleonasmo dizer que o sábado estava um calor de rachar em Bauru. O importante é que com ou sem a marca registrada da cidade, o centro parecia ver mais um dia comum. As pessoas estavam em mais um dia de compras ou de trabalho nas lojas. Nem parecia que ali haveria um ato de repúdio contra um deputado federal. Esse provavelmente foi um erro da organização. Como se esperar que uma manifestação seja legítima sem a participação de todos - senão a maioria - dos setores da população bauruense? Pode ser que por ter começado de forma virtual e com a iniciativa de estudantes da UNESP e alguns integrantes de partidos da cidade não tenha alcançado esses bauruenses, mas porque não fazer num domingo? A ideia de conseguir a atenção dos transeuntes é uma boa, quando não é levado em consideração que essa segunda marcha atraiu apenas por volta de quinze pessoas, a maioria jovens e estudantes.

Mobilização como preservação dos direitos humanos

A dirigente regional do PSTU e uma das organizadorasdo ato, Gisele Costa diz que “o que faz os jovens ir pra ruas hoje não é só Feliciano, é a urgência conquistar direitos negados historicamente”. Ou seja, a juventude hoje busca manifestar-se por direitos que continuam sendo negados. No caso do direito dos negros, por exemplo, é fato de que muito precisa ser feito em lembrança ao seu histórico de opressão. É essa lembrança histórica que permite a contínua luta para garantir esses direitos, como diz o professor Clodoaldo Meneguello. “Resgatar o passado significa a possibilidade de avaliar o presente porque muito do que houve no passado continua a ocorrer em formas institucionais e culturais no presente. E só assim que é possível fortalecer uma democracia social, participativa, e não só uma democracia representativa”.
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Compra de quem precisa vender, distribui pra quem precisa comer

1 de abril de 2013
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Texto: Regiane Folter
Imagens: Instituto Acesso Popular

Uma parceria entre o Instituto Acesso Popular e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ajuda famílias carentes que correm o risco de não ter comida na mesa. O Projeto de Doação Simultânea, que faz parte do Programa de Aquisição de Alimentos vinculado ao Fome Zero do Governo Federal, faz uma ponte entre pequenos produtores e comunidades pobres de Bauru. 

Tudo começa com a produção de frutas, verduras e legumes pelas 30 famílias de agricultores do Assentamento Laudenor de Souza, em Piratininga.   Após terem se cadastrado no programa, os alimentos cultivados no Assentamento são comprados pelo Governo Federal por preço de mercado e em seguida são repassados a organizações sem fins lucrativos como o Acesso para que sejam distribuídos em bairros carentes, sempre sob a fiscalização do Conselho de Segurança Alimentar (CONSEA). Em Bauru, há quatro anos o Instituto leva produtos para bairros como Leão XIII, Parque Real, Sta. Edwiges e Jardim Nicéia. A Secretaria de Bem Estar Social apoia a causa e fornece o caminhão que busca os alimentos em Piratininga e leva até às famílias. “Em todos os bairros os próprios moradores se auto-organizam e colaboram com todo o processo de doação, desde a preparação do local até a organização das pessoas”, explica Jorge Moura, presidente do Instituto.

O Acesso Popular desenvolve projetos com a intenção de levar políticas públicas, cultura e educação para populações desfavorecidas. Segundo Jorge, a agenda das ações da organização está vinculada a pautas levantadas principalmente pelos movimentos estudantil e campesino. A colaboração entre o MST e o Instituto existe desde antes do Projeto de Doação Simultânea começar. “Acompanhamos desde o início o processo de assentamento dos companheiros de Piratininga, desde o acampamento até a posse definitiva da terra, oferecendo apoio político e jurídico”, conta Jorge. 

As distribuições ocorrem a cada semana em um bairro, sempre às terças-feiras, entre 9h e 12h.
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Na boca do povo

29 de março de 2013
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Por Laís Semis
Fotos por Jack Music Pub

“Samba não é Hollywood,
nego se ilude o tempo todo”

Já diria a letra de “Vai dizer”, música não tocada no último show de sábado da Homem Bomba. 

E pode até ser, mas a não-contida euforia do público naquela noite não era (nem de longe) ilusão. Depois da abertura dos Babilônicos, numa playlist cover meio chororô (contando com Los Hermanos e Vanguart), tudo que a galera que veio pra prestigiar um encontro com a Projeto Homem Bomba esperava era dançar e se divertir até o sol chegar. A casa não se deixou abalar pela discotecagem down oitentista que levou a noite entre e pós-bandas... nem um pouco, há de se constatar.



Teve gente gritando, pedindo pra não acabar, teve ciranda, participação especial do vocalista da Samanah, banda descendo do palco...

Dá pra notar no número de bocas cantando as letras próprias: desde que a Projeto Homem Bomba deixou a Samba Tereza, em 2010, pra assumir a explosão - foi isso mesmo que aconteceu, sucesso (!). Se lá em 2009, Caio Rosa, João Perussi e João Megale começaram despretenciosamente uma banda pra tocar no circuito de repúblicas festeiras na brincadeira, hoje a galera circula muito além do perímetro bauruense, levando consigo o público que construiu.

De lá pra cá o antigo trio ganhou muitas entradas e deixou pra lá o Samba Tereza: são dois percussionistas (J. Perussi e Diogo Azuma), um baterista (Lucas Macierinha), um baixista (Bruno Candeias), um tecladista (Fulvio Parigi) e um vocalista e guitarrista (Caio Rosa) que sobem hoje no palco sob o nome de Homem Bomba.



E essa também foi uma noite pra relembrar sucessos antigos, “Valéria” entrou na roda, ao lado das músicas que compõe o EP “Consciência Leve”; teve espaço pra “Homem de Lama”, “América”, ”O Samba não morre” e também pro “Pôr-do-sol”.

“Pôr-do-sol” que, aliás, não se permitiu ficar em seu lugar. O gran finale veio com João saindo do fundo do palco e chegando no meio da galera, a vibe só se fez completa; cercado de almas pulsantes, o percussionista cantou com as pessoas ao seu redor que fizeram questão de deixar seus pés fora do chão. 

“E o que é, 
o que é,
o que é?” - ecoava envolvendo todo mundo e fechando mais uma noite no Jack Music Pub. Mais uma que nada - cada noite é única - "a" noite.

Não sei se o show chegou a duas horas. Apenas que por mais cansados que estivessem os pés e corpos à frente do palco do Jack, ninguém reclamaria se tivesse sido o dobro do tempo com eles tocando.

Fica a dica, Homem Bomba.

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Festando e puxando a orelha

13 de fevereiro de 2013
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Novo bloco de rua bauruense canta os infortúnios da cidade

Por Higor Boconcelo
Fotos por Julia Gottschalk

Nem a inconstante chuva iria atrapalhar o que estava pra acontecer na manhã do sábado de carnaval em Bauru. A Praça Rui Barbosa, situada em meio ao centro comercial da cidade, aos poucos recebeu os integrantes do bloco de rua “Bauru Sem Tomate é Mixto”, somando barulho e presença à concentração, convidando quem passasse desavisado a avisar-se, avisar a todo mundo.



Estreante na cidade, o bloco fora um ato coletivo, organizado por todos, algo belo de se assistir e participar – com ou sem a camiseta da folia. Cantava, em enorme disposição, o samba composto por Silvio Selva, “Faltou Água, Sobrou Buraco”, cuja letra apontava claramente os problemas da cidade. Sem politicagem, afinal, nem mesmo o que fora cantado impedira o prefeito de Bauru a ser reeleito no ano passado em uma votação histórica: venceu os concorrentes com mais de 80% dos votos. O que estava presente naquela folia era o protesto mesmo em festa, o canto que lembrava aos cidadãos que estes devem, sim, abrir a boca e cantar a quem for que ainda há muito a ser feito.

Em pleno horário de almoço o bloco parte rumo ao Calçadão da Batista, percorrendo sete quadras de puro comércio agitado (o mais antigo da cidade), levando crianças, idosos, cidadãos fantasiados e as musas do carnaval bauruense e da diversidade, cantando marchinhas de carnaval e a própria do bloco. “Bauru, Bauru, Bauru, cidade que me seduz / As vezes falta água, as vezes falta luz”, era o refrão repetido por entre as lojas.

Lojistas, clientes e cidadãos de passagem paravam para observar a festa. Alguns não resistiram ao espírito da festa e juntaram-se a ela. Outros, acanhados, prostravam-se a somente ouvir o que queriam cantar, reconhecendo na letra problemas além da falta de água, como as inundações recorrentes de chuvas que assolam a população frequentemente, grande incidente de buracos nos asfaltos, e a situação ruim do clube de futebol da cidade.

O que os foliões do bloco ressuscitaram no último sábado pode ser comparado à formação de um bom padeiro. No início, este aprende a fazer o pão básico, e depois o vai aprimorando, cria novas receitas, aumenta o volume, a consistência. E o resultado melhora a cada dia. Assim como o padeiro não esquece a essência do seu pão, os foliões não esquecerão a essência deste bloco.

Confira a cobertura fotográfica completa!

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