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Umbanda é Brasil (e é religião sim!)

3 de junho de 2014
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Documentário feito por estudantes de jornalismo da Unesp é uma experiência viva com a religião

Por Mariana Caires
Imagem: Caterina Obeid/Portal ESPM

No fim de abril, a revelação do Juiz Eugênio Rosa de Araújo de que Umbanda e Candomblé não eram religiões causou grande revolta em parte da população brasileira. A declaração de que “manifestações religiosas afro-brasileiros não se constituem religião” foi uma resposta contra a ação na justiça que pedia pela retirada de vídeos considerados ofensivos para o Candomblé.

No dia 20 de maio, após as muitas manifestações populares contra sua fala, o Juiz da 17ª Vara de Fazenda Federal do Rio de Janeiro voltou atrás na sua decisão, dizendo que “o forte apoio dado pela mídia e pela sociedade civil, demonstra, por si só, e de forma inquestionável, a crença no culto de tais religiões”. Apesar da nova declaração, os vídeos que difamam as religiões de origem africana continuam no ar.

Em meio a essa declaração infeliz do juiz, cabe lembrar de um trabalho feito no começo do ano por estudantes de jornalismo da Unesp para a disciplina de Telejornalismo II, com o apoio do Professor Denis Porto Renó. O documentário Umbanda é Brasil revela a vivência que o grupo teve com a religião da Umbanda durante um dia normal de culto (chamado de Gira) e também conta com falas de dois especialistas da Umbanda: Rodrigo Queiroz, que é sacerdote umbandista e o antropólogo Cláudio Bertolli. Essa união de opiniões forma um enredo bem completo.

O objetivo do grupo com o documentário foi desmistificar olhares preconceituosos em relação à Umbanda, suas práticas religiosas e seus praticantes. As quase 30 mil pessoas que visualizaram o doc. (até o momento) também viram dados sobre o processo de formação da religião e conheceram de perto partes dos seus ritos. 

O documentário é um exemplo de Jornalismo Gonzo, modalidade onde os jornalistas experenciam a temática da reportagem e levam suas sensações ao público. Jayme Rosica conta que “a escolha pelo gonzo acho que se deve justamente pelo fato de que a maior parte do grupo nunca havia frequentado”. Então, “a ideia era de mostrar ao público a descoberta dos personagens sobre o que realmente é a umbanda”, afirma. 





Os estudantes vivenciaram inclusive a conversa com o sacerdote durante a cerimônia e cada um comenta sua experiência no próprio vídeo

Nos 26 minutos de documentário, o destaque fica com os momentos em que podemos experenciar a cerimônia do olhar de quem estava filmando. Gabriel Cortez explica que ”por ser o primeiro contato com a Umbanda, foi sim um pouco difícil nos primeiros momentos entender alguns “costumes” que todos que frequentam a mais tempo já sabem. No fim, o pessoal do ICA nos deixou bem à vontade, e fomos percebendo até onde podíamos ir.”

A curiosidade dos repórteres envolve quem assiste o material. Perguntado sobre como foi a filmagem, Gabriel Cortez disse que “Foi uma primeira experiência bem interessante. Pudemos circular livremente com a câmera por todo o terreiro enquanto rolavam os trabalhos. Todo mundo filmou um pouco. E, enquanto um estava filmando, outro estava sendo atendido ou esperando sua vez.” 

A maior dificuldade na produção do documentário foi transformar as quatro horas de material bruto (tudo o que filmaram) em pouco mais de 25 minutos. Para quem está pensando em produzir um doc, vale saber como eles se organizaram na edição: eles decuparam (cortaram) tudo em vídeos curtos de cerca de cinco minutos. A partir disso, foram escolhendo o que valia a pena utilizar. Foram seis tardes de edição no laboratório da Unesp e ao todo, foi cerca de um mês para produzir o doc. 

Agora chega de falar tanto, que é hora de assistir o brilhante material que esses estudantes produziram e já está no ar! Antes disso, só fica o incentivo do Gabriel para quem pensa ter um doc para chamar de seu: “Olha, é um trampo grandinho. Mas, ao mesmo tempo, muito prazeroso! E que acrescentou muito, pelo menos para mim, tanto como pessoa, quanto como jornalista”.




Umbanda é Brasil, um documentário de 
Gabriel Cortez
Maitê Borges
Jayme Rosca
Solon Neto
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Cinema Independente: O Rap pelo Rap

28 de abril de 2014
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Por Keytyane Medeiros
Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal

Passei alguns dias pensando em como escrever sobre algo que já vi, mas que sei que existe uma expectativa grande em torno dele. A minha expectativa foi - muito positivamente - vencida, alguns meses atrás.

Conheci o documentário “O Rap pelo Rap” antes por uma razão simples: Pedro Henrique Fávero, diretor e idealizador do projeto, apresentou o doc. como TCC, Trabalho de Conclusão de Curso de Rádio e TV na Unesp Bauru, no início de 2014 e fui lá dar uma espiada no trampo.

Produzido entre 2012 e 2013, O Rap pelo Rap contou com a participação e declarações de mais de 40 rappers, MCs e produtores musicais. Estão lá desde os mais antigos como Sandrão (RZO), KL Jay (Racionais) e Dexter até artistas mais novos como Criolo, Shawlin e RAPadura Xique Chico. O doc. também aborda as mulheres na cena Hip Hop, representadas por Lívia Cruz e Carol Konká - um número pequeno, é claro, mas pra falar das mulheres no Rap, seria preciso um outro doc. - e  finalmente, o documentário de Fávero chega à caras de peso na indústria fonográfica independente no Brasil, como Nave Beatz e Daniel Ganjaman.

Pedro Fávero. Diretor, roteirista e idealizador.
Pedro se propôs a nos “mostrar como o Rap é heterogêneo. Que não cabe em rótulos, que muda com o tempo, mas que ao mesmo tempo tem muito a falar e questionar sobre ele próprio”, afirma. Inspirado em Eduardo Coutinho e em outros documentários e filmes do cenário independente, como Mestres do Viaduto e Mr. Niterói, “O Rap pelo Rap” tem um formato próprio. Não conta a história do rap no Brasil dos anos 90 ou 2000 pra cá, através da trajetória de um artista, mas se propõe a dar voz para que os principais ícones e nomes do rap nacional possam expor o que pensam justamente sobre o rap nacional.

Ao colocar vários ícones do movimento hip hop em destaque, o documentário, naturalmente, traz falas que dialogam entre si e outras que se colocam em oposição, como no tópico “A revolução será televisionada?”, que fala sobre a relação do rap com a mídia. E aí que mora a beleza do negócio. Não gera a polêmica de quem está certo ou quem tá errado no rap, são opiniões divergentes, apenas. O próprio diretor destaca que “esse formato se encaixa bem no formato do rap, que não tem um artista referência e sim vários, com diversas opiniões”.

A equipe que realizou essa empreitada com o Pedro era reduzida também. Produzido de modo colaborativo, as entrevistas do doc. eram feitas com uma ou duas pessoas e alguns amigos ajudaram com a identidade visual do projeto. Só com o rascunho do roteiro em mente, pouca grana e uma câmera na mão, o projeto começou. As entrevistas foram feitas em Bauru e em São Paulo e só a edição durou 6 meses. Não me lembro algumas coisas daquela banca de TCC – os professores doutores costumam falar muito – mas lembro que Pedro disse que se viu obrigado a reduzir 6h de material em 73 minutos de vídeo.



“Tentei organizar a edição de forma que ficasse interessante de assistir, com ganchos, falas contraditórias e concordantes entre si, momentos de descontração... pois ficar mais de uma hora ouvindo pessoas falarem pode ser muito maçante”, ele conta. Realmente deve ser chato, mas dessa vez não foi.

A estréia vai acontecer essa semana, no Festival Internacional de Documentários Musicais – IN EDIT BRASIL, no Cine Olido e na Matilha Cultural (abaixo mais info!). Mas ainda vai demorar um pouco para podermos vê-lo pela telinha do PC, O Rap pelo Rap só vai ser lançado na internet em 2015, pois agora o foco está nos Festivais de cinema independente.


Até lá, Pedro tem lançado teasers pela página do Facebook/O Rap pelo Rap e outras redes sociais. Os teasers com o GOG, Mano Brown e Neto (do grupo Síntese) tem recebido bastante atenção entre os fãs do rap e foram publicados em páginas como Rap Nacional Download, Vai ser Rimando e Noticiário Periférico.

Seja como for, muito provavelmente irei ver o doc de novo em São Paulo e deixo aqui, o máximo que posso dizer sobre ele e a impressão de que o cinema independente nacional ganhou mais uma importante e inovadora peça.



***A programação completa do In EDIT Festival você pode acompanhar neste link.
Preparem as pipocas e o refri! 
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Tem Doméstica na praça!

18 de dezembro de 2013
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Texto e Fotos por Keytyane Medeiros

“Mas Jimmy Cliff balançou a ilha e disse iê iê a capital existe a capital existe” cantarola Alcione no radinho da empregada doméstica Gracinha, que mora em São Paulo. Gracinha faz jus ao nome. É uma senhora simpática, muito alegre e tem hábitos meio estranhos, como limpar a casa dos patrões pela noite e tirar cochilos em posições estranhas no sofá, sobre a mesa ou máquina de lavar. Mas Gracinha, como muitas outras empregadas que nos foram apresentadas ao longo do documentário “Domésticas”, de Gabriel Mascaro, tem uma história triste para contar. Enquanto passava três meses cuidando da mãe dos patrões que tinha acabado de ser operada, seu filho foi assassinado.

O documentário lançado em 1º de maio de 2013 e exibido na noite de hoje na Praça Rui Barbosa faz parte da 8º Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, projeto realizado pela Secretaria de Direitos Humanos em parceria com o Ministério da Cultura e que tem mais de 600 pontos de exibição espalhados pelo país, e entre eles, Bauru. Aqui, a iniciativa foi colocado em prática por vários projetos da cidade e da Unesp como Brasil de todo mundo, Neocriativa e Museu de Imagem e Som de Bauru com o apoio da prefeitura municipal. 

Além da história da Gracinha, 7 jovens se tornaram cineastas por uma semana e registraram a rotina de suas empregadas - e empregado doméstico. Não apenas a rotina, mas quase todas as histórias tinham um pouco de tristeza, dureza e falavam de laços quase familiares existentes entre os patrões e os empregados. Mas eles muito provavelmente nunca deixarão de ser trabalhadores domésticos e isso é importante frisar. Nota-se isso quando, ao falar da doméstica Lucimar, o documentário nos mostra como duas amigas de infância podem ter sua relação alterada sob a necessidade do trabalho. Lucimar agora é empregada da amiga de infância. Outra história tão curiosa quanto essa foi a da empregada doméstica que trabalha para outra empregada doméstica por causa da necessidade de trabalhar fora, administrar a casa e cuidar dos filhos. São histórias diferentes e particularizadas, mas o documentário deixa implícito, por meio das falas das empregadas, como a estrutura capitalista que vivemos hoje já determina desde cedo quem será trabalhador braçal e quem irá se dedicar a outro tipo de ofício.

É um documentário bonito e interessante em sua natureza, na forma como foi produzido – quase que colaborativamente – e na repercussão, lançado exatamente quando a PEC das Domésticas foi aprovado. É um filme igualmente aplaudido e necessário.



A Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul continua na Unesp entre terça e quarta-feira e também tem apresentações no Centro Cultural de Bauru e no MIS. Para saber mais da programação, acesse: https://www.facebook.com/events/273671969424115/


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Doc. de Animação: subjetividade para mostrar o real

30 de maio de 2012
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Por Renan Simão

Antes de começar esse texto, copio uma frase do jornalista e documentarista Bruno Natal sobre documentários:

“… porque documentário não um gênero, é uma linguagem.”


Posto isso, vamos ao texto.


Na última terça-feira, durante a Semana de Rádio e Tv da Unesp, foi realizada a palestra: “A expansão do cinema documentário: novas relações entre documentário e ficção” ministrada por Jenifer Serra, na sala 1 da FAAC. Não se atendo ao título genérico da palestra, Jenifer, formada em Produção Cultural e mestranda do programa Multimeios da Unicamp, aprofundou-se por um gênero de documentário: o de animação.

Formato caro ao cinema documental contemporâneo, o documentário de animação se tornou famoso em dois filmes: Valsa com Bashir (2008), Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e Ryan (2004), vencedor do Oscar de animação. Tais produções têm em comum o fato utilizarem a animação para contar uma história real. Sim, a realidade pode ser representada de forma subjetiva e mostrar aspectos que o documentário objetivo não pode atingir. Esse foi o ponto da palestra.

Definições, Magritte e Ryan
Para delimitar seu campo de atuação Jenifer diz que o documentário é o cinema “que busca interrogar o real, o mundo histórico”. Também fala que a animação aparece “tradicionalmente como imaginativa, irreal”, mas utiliza recursos do cinema clássico para contar uma história. Por fim, define o documentário de animação: “linguagem que usa a representação subjetiva [persongens animados, bonecos, etc.] para mostrar temas, aspectos, histórias e sentimentos objetivos”.

René Magritte, pintor surrealista que confundiu os limites entre realidade e ficção, mostrava que tudo é representação: realidade e subjetividade caminham juntas. Um quadro, um texto ou um documentário são representações da realidade, sendo assim, impedidas de mostrar o real como um todo. Se não podemos mostrar a realidade como seu todo num documentário clássico, porque não lançar mão de recursos subjetivos da animação para representar aspectos objetivos que são impossíveis de se ver num filme convencional? Esse é o alvo do documentário de animação.

Como exemplo da discussão, Jenifer exibiu o curta-documentário de animação Ryan, com direção de Chris Landreth, de 2004. O filme faz uso de esquetes, pintura e animação 3D para contar a história real de Ryan Larkin. Larkin, um talentoso animador canadense que nos anos 80 criou peças de animação inovadoras de grande influência na produção de filmes de seu país sofreu com o fracasso profissional e 30 anos depois era facilmente encontrado morando nas ruas de Montreal devido ao vício em álcool e cocaína. Por meio de entrevistas e depoimentos verídicos, a animação conta a trajetória de Ryan, dialogando com seus amores, amigos, crises de criatividade, vícios e pobreza.

Mas o detalhe mais impressionante do curta é a representação dos personagens. Desfigurações do rosto mostram a degradação moral, demonstrações de raiva são tentáculos vermelhos que saem do cérebro e contornos roxos sobre o rosto lembram o amor dos entrevistados animados. “A imagem vista na tela é fruto das impressões coletadas nas entrevistas. Os detalhes dos corpos e expressões são subjetivos sim, mas tem profunda ligação objetiva com a história real”, observa Jenifer. Ela ainda conta que essa aproximação de realidade fantástica é chamada por pesquisadores de psicorrealismo.

Com convicção, a mestranda afirma que o documentário de animação deve ter uma leitura documentalizante, não se atendo à imaginação somente, e que “animação pode ser subjetiva mas tem compromisso sobre o real".

Agora, lembrando da frase do Bruno Natal lá de cima, realmente o documentário pode transitar por vários gêneros devido à sua linguagem abrangente e não se prender ao seu rótulo limitador de objetivo.

Veja na íntegra o curta-metragem Ryan:
 
 
 


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Palhaço.Doc - a história de como se fez

24 de março de 2012
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Por Renan Simão
Fotos: Divulgação

Um documentário em sua natureza pressupõe uma narrativa, por mais simples que seja. Um making-off é o registro do processo de trabalho de uma obra de cinema. Marcelo Pontes, diretor de Palhaço.doc, tenta criar é um híbrido entre os dois recursos em 46 minutos de takes descartados, entrevistas e imagens para contar o processo de criação e produção de O Palhaço, filme que levou mais de um milhão de pessoas ao cinema em 2011. Marcelo estava no Sesc Bauru na última terça-feira para contar sobre o trabalho.

Como não poderia deixar de ser o personagem central de Palhaço.Doc é Selton Mello. O diretor e protagonista, ao lado de Paulo José, é o eixo da narrativa. Ele conta desde a fagulha da ideia de fazer um palhaço com crise de identidade até o último take do filme, passando por dois anos de pesquisa, escolha de set de filmagem, produção, elenco, e o sentimento de atuar e dirigir.

“Não era fácil gravar. Sempre existe uma resistência da equipe e do elenco em serem filmados enquanto estão trabalhando. O próprio Selton em algumas vezes me chamava pra gravar, em outras me olhava e eu já sabia que era pra sair dali.”, conta Marcelo. Ele ainda diz que há situações em que não se pode registrar tudo. Divisões de equipes de filmagem, falta de lugar no carro e desentendimentos fizeram parte da rotina do documentarista.



“Num dos dias mais emocionantes, quando todo mundo chorou na despedida do [personagem] Benjamin, eu tive que ir pra Campinas arrumar a câmera. Fazer o quê? Perdi.”, resignado, o diretor carioca fala que é preciso ter desapego com as imagens. “Tem coisas sensacionais que vão pro lixo mesmo. Mas você precisa ter a sensibilidade de lembrar do produto final, somente ele”.

Além de fazer o documentário, Marcelo participou da pesquisa do filme. Viajou boa parte do Brasil por dois anos procurando circos, conversando com artistas e captando histórias. Experiências essas que posteriormente virariam cenas e falas. Parêntesis:

(Quando você vir a divertida cena do “morto” no filme, saiba que essa foi uma história coletada nessa pesquisa).

Em relação ao processo das entrevistas, Marcelo destaca mais uma vez a sensibilidade. Vindo do teatro e do cinema ficcional, ele lembra que técnicas de interpretação como as do dramaturgo Stanislavski podem ajudar o entrevistador a conseguir o que quer do entrevistado, e não o contrário, ser dominado por ele.

O auditório do Sesc tinha um bom público para uma terça-feira. Eram trinta pessoas, em sua maioria estudantes de Produção Audiovisual da FIB de Bauru. E, ao final do longo bate-papo, Marcelo parte para as questões técnicas e relembra, com certa gratificação, os tempos do negativo, da fita, dos obstáculos em se fazer cinema, e avisa:

“Antes eu tinha que ver a imagem antes de tirar a foto. Precisava saber exatamente a composição da cena antes de filmar. Agora é erro e tentativa, você erra demais para acertar uma vez. Se tenho alguma coisa para falar para vocês é: vejam antes de clicar; pensem antes de fazer.”

Dá pra conferir um trecho do documentário aqui. Na íntegra, só como extra do DVD.



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