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"Neguinho o caralho, meu nome é Emicida, porra!"

15 de maio de 2014
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Texto: Keytyane Medeiros
Imagens: Pedro Fávero



Mesa de 2 pickups, berimbau e cavaquinho numa quarta-feira a noite. E é noite de show do Emicida no Sesc Bauru. As arquibancadas estavam lotadas de fãs e novos-fãs ansiosos pela apresentação. Foi bonito de ver, tinha gente de todo tipo, desde aqueles que não sabiam cantar mais do que duas músicas, mas se envolviam com as batidas até aqueles que sabiam letras de Xis e DMN, rappers importantes da década de 1990 e que foram incluídos no repertório do cantor do Jd. Fontalis. 

Mas antes de falarmos do Emicida propriamente, temos que falar da banda. Depois de ontem, penso até que poderia ser, daqui pra frente, Emicida e Banda, porque a multiplicidade de instrumentos e suas combinações foi um show à parte. A guitarrista e backing vocal se destacou (ainda mais, já que era a única mulher no palco) quando puxou um som no berimbau, somado aos beats do DJ Nyack e à percussão muito bem delineada ao fundo. Os músicos se entregaram e passaram a energia de samba, rap e africa-brasilidades para o público. Isso me lembra que em 2013, Emicida deu uma entrevista à Noize em que dizia que estava experimentando novas texturas, novos ritmos e a escolha por uma banda tão eclética e alinhada, prova que essa experimentação tem dado certo. 

Emicida a todo tempo puxava o público e pedia por sua participação. Ao cantar “Triunfo” numa versão diferente da original, surpreendeu e trouxe a vibe de show de rap pro Sesc. A partir daí, foi “Rua Augusta”, “Eu gosto dela”, “Emicidio” e tantos outros sucessos dos EPs anteriores tomando conta da quadra. Mas foi o primeiro álbum oficial do rapper, “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui” a grande estrela do show. “Hino Vira-Lata”, “Bang!” e “Hoje Cedo” estavam na boca do povo, mostrando que o rap ultrapassou, ao longo dos últimos anos, barreiras até mesmo históricas de preconceito com o gênero. 

“Axé pra quem é de axé, pra chegar bem vilão, independente da sua fé, música é nossa religião”. Essa foi Ubuntu Fristilli, música que reproduz e amplia o que o africano Desmond Tutu já definiu como filosofia Ubuntu: “uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos.” 

No meio do show, Emicida convidou Renan Inquérito ao palco e mais uma vez, o MC de Campinas começou a vender pó, pó-esia até não sair mais do palco. Ficou ali, compondo o show, recitando e cantando vários sucessos do rap nacional junto à Emicida: Sabotage, DMN, Doctors Mc, Xis. Estouro. 



Quem acompanha o movimento Hip Hop sabe que, em quase todos os shows de rap, existe um momento Freestyle. Rappers são rimadores convictos, às vezes mandam bem, às vezes mandam mal, mas esse momento é sagrado para um MC e para os fãs de rap. Ontem não foi diferente, ainda mais pra Emicida, cria da Rinha dos MCs da Santa Cruz e de tantas outras das periferias de São Paulo. Só com os beats do DJ Nyack, Emicida convidou Coruja BC1, expoente do rap bauruense, para mandar umas rimas e tocar corações. Senti o chão tremer quando o Corujinha da Rima subiu ao palco, sempre reforçando a ideia de que “se o interior tem voz, o mundo vai ter que ouvir”.

Pois é, o Sesc e toda uma diversidade de bauruenses ouviu. Ouviram a homenagem de Emicida ao mestre Jair Rodrigues, ouviram uma aula de rap nacional, de cultura e identidade negra e periférica. Ouviram de amor e de rinha. De pertencimento e orgulho. Ouviram pó e do chão, fortaleceram o Hip Hop com suas vozes e com seu coração.



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#Canja 2013: Hip Hop na Certa

24 de setembro de 2013
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Fotos e Texto por Keytyane Medeiros


O Rima de Roda chegou à sua 18º edição e comemorou mais esta batalha vitoriosa do rap no palco do Canja 2013. A batalha final entre os MCs aconteceu na noite do último dia do Festival e deu início a uma série de shows envolventes e eletrizantes.


Havia 6 “concorrentes” naquele fim de tarde e entre várias rimas pesadas, objetivas e claras, foi o jovem
Batalha Final: Vinão e Gab
Gab que ganhou. Entre os prêmios para os três primeiros colocados estavam beats do Felipe Canela, beatmaker de sucesso e história no Hip Hop bauruense. Mas nesta disputa, foi o rap de improviso e o público quem ganhou. No palco montado no Vitória Régia estavam 6 jovens talentosos, dispostos a se expor e a mostrar mais uma vez que o rap é missão, compromisso e arte, muito mais do que hobby, é um estilo de vida.

Logo depois do Rima de Roda Especial, o jovem e querido CorujaBC1 foi quem tomou conta do palco. O Vitória Régia parecia pequeno diante daquele que saiu de Bauru para mostrar que o interior tem voz, “e se tem voz, o mundo inteiro vai ter que ouvir”. O show de pré-lançamento do novo CD “A voz do Coração” foi eletrizante, envolvente e crítico como não deixaria de ser se tratando do jovem Gustavo Vinicius.

Suas novas músicas trouxeram beats mais arrojados, fortes e quentes acentuando as críticas das letras, como na canção que leva o nome do CD onde pergunta, com a inocência resgatada de um filho das ruas e a força de uma pedrada no peito: “Como alguém consegue sorrir fazendo outro alguém chora?”

O show contou com a participação de outros rappers amigos de Coruja, como James Ventura, a dupla Terceira Safra, Di Função, Thigor MC, Além da Rima e MC Dentão.

Ainda não consegui assimilar a energia positiva que emanou daquele show. Muita gente reunida, querendo o bem uns dos outros, desejando curtir um legítimo som bauruense que está ganhando o mundo. Até mesmo quando Coruja esqueceu a letra e quando os equipamentos deram problema, o rapaz improvisou, fez bonito e mostrou porque o seu talento é tão grande ou maior que o seu carisma em palco – e fora dele, diga-se de passagem.



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Do Nacional ao Internacional o Rap contagiou geral

28 de agosto de 2013
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Por Pâmela Antunes
Fotos por Julia Gottschalk

Na última quarta feira (21), o Sesc Bauru recebeu a quarta edição do festival itinerante Sub Rap Combo. O evento contou com a presença de importantes nomes do rap nacional e internacional. 

Quem abriu a noite foi Coruja BC1, representando o rap bauruense. Após três meses fora da cidade, o artista voltou em grande estilo. Acompanhado do DJ Ding, assim que entrou no palco animou galera que cantou junto com ele. Coruja representou e mostrou que o interior tem voz. Ele finalizou sua apresentação com a música “Liga os colômbia” que contou com participação de Felipe Canela e MC Dentão. Foi um show muito entusiasmante, que deixou todos com gosto de quero mais. 

Na sequência, quem subiu ao palco foi o trio paulistano Elo da Corrente, em parceria com MC Rodrigo Brandão. O Elo da Corrente é formado por pelos MC’s Caio Neri, Pitzan Oliveira e o Dj PG. Quem deu início a apresentação foi o MC Rodrigo Brandão fazendo uma oração que fez o ginásio ser tomado por uma energia positiva, enquanto DJ PC mandava um som. Em seguida os MC’s entraram e já cantaram um de seus raps psicodélicos. Com seu estilo alternativo, contagiou o público em uma performance animada e dançante. 

Antes do nome mais esperado da noite se apresentar, quem subiu ao palco foi o gringo Del The FunkyHomosapien, vindo diretamente da Califórnia. Ao som de seu DJ, ele chegou em um skate e dominou a galera. O fato de não falar português não foi problema, pois o rap e hip hop vai muito além das palavras, está nas batidas nos ritmos no movimento. Com sua originalidade fez todos se mexerem esquentando para atração final. 

Quem fechou a noite com chave de ouro foi Rappin Hood, que estava acompanhado de DJ e percussão. Quando entrou, o público se aproximou rapidamente. Vestindo uma camisa do Brasil, ele cantou sucessos dos seus dois álbuns, Sujeito Homem e Sujeito Homem volume dois e também mandou músicas que irão fazer parte de seu novo CD Sujeito Homem volume três. Com seu estilo próprio além de cantar Rappin Hood passou a mensagem que na vida podemos vencer e conquistar nossos sonhos, bastar acreditar e lutar. Finalizou a apresentação agradecendo a todos e dizendo que é uma satisfação tocar em Bauru, pois tem família na cidade. 




O festival Sub Rap Combo além Bauru também foi realizado no Sesc de Taubaté SP, Araraquara SP, e Osasco Sp.


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Interior tem voz no rap

6 de março de 2013
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Por Bruno Sisdelli e Mirela Dias

É impossível falar de cenário musical independente em Bauru sem mencionar o rap. O hip hop figura como um dos movimentos culturais mais ativos e articulados da cidade, o que faz dela um campo propício para o surgimento de rappers. Nos últimos anos, artistas como Coruja BC1, Dom Black, D'Bronx e Thigor MC – só para citar alguns nomes – vêm conquistando espaço e respeito no meio da música bauruense.

Sem acesso a grandes recursos para promover e dar suporte à sua arte, essas pessoas dependem em grande parte delas mesmas e da ajuda mútua para conquistar esse espaço. Vivem a batalha incessante do autoinvestimento, vão às ruas pessoalmente para vender seus discos e encontram na internet uma ferramenta fácil e eficiente de divulgação. Além disso, contam com a participação de um aliado importante na luta pela valorização do movimento: a ONG Acesso Hip Hop.



Reconhecida como Ponto de Cultura pelo governo federal desde 2011, a ONG tem o objetivo de promover a inclusão social por meio do hip hop. Isso acontece principalmente através de iniciativas que procuram dar a artistas locais a oportunidade de expressar sua criatividade. Além de realizar eventos como a Semana Municipal de Hip Hop, que acaba servindo para dar visibilidade à produção artística do movimento local, o Acesso fornece espaço para ensaios, ajuda com gravações e dispõe de um estúdio audiovisual para a produção de videoclipes. “Bauru vem num momento muito bom”, afirma Renato Moreira, coordenador do Ponto de Cultura. “A gente criou um espaço dentro da cidade que permite que os artistas consigam caminhar de forma independente”.

“Vale a pena ser artista independente”

O grande protagonista do atual contexto do rap bauruense é Coruja BC1. Prestes a completar 19 anos de idade, o garoto realizou conquistas invejáveis ao longo do último ano, a partir de quando lançou o disco de estreia Até surdo ouviu. O clipe da música Não posso murmurar ultrapassou as 70.000 visualizações no YouTube. Hoje o rapper tem 1800 fãs no Facebook e 40.500 seguidores no Twitter. O público comparece em massa aos seus shows, pede por canções favoritas e grita em coro os refrões. E o reconhecimento também vem de fora, e com peso: recentemente, Emicida usou o Twitter para compartilhar o clipe de Não posso murmurar e elogiar o artista do interior.

Independente mas nunca sozinho, Coruja reconhece a importância da participação de outras pessoas em sua carreira para ter chegado até aqui. “No começo era tudo eu. Agora tenho pessoas por mim”. A pequena equipe de fiéis escudeiros conta com responsáveis por técnica de som, videomaking, comunicação e produção – quem cuida da última área é Renato Moreira, que agenda os shows e funciona como uma espécie de líder do grupo. “Facilitou para mim essa parada de cada um ter uma função dentro da equipe”, afirma Coruja.

O rapper comenta a batalha de ser independente e ter que se preocupar em investir na própria carreira: “Tudo o que a gente conquista, a renda, é a gente mesmo que investe para a gente mesmo ter retorno”. Esses investimentos incluem a compra de CDs para gravação, confecção de camisetas, a correria para vender discos e agendar shows e daí por diante.

Mas todo o esforço e todo o suor compensam para Coruja BC1, que deixa clara a satisfação com os resultados que vem obtendo. “Vale a pena ser artista independente, levar a música sincera”, diz. “Eu fico feliz por tudo o que a gente está construindo humildemente e por onde a nossa música conseguiu chegar”.

Confira também a cobertura da etapa local do Festival Grito Rock Bauru!




O CurtaBauru e o e-Colab são parceiros do Grito Rock Bauru 2013 e estão fazendo a cobertura integrada dos eventos.
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Favelado consciente: gansgta

18 de fevereiro de 2013
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Por Keyty Medeiros 
Fotos por Marcelo Cabala e Artur Faleiros


Loira, piercing no nariz, shorts amarelo e a pergunta cretina no meio do Exílio Art Pub: “Quem é Coruja?”. Seria uma pergunta rotineira, se a casa recebesse naquela noite o rapper mais famoso das quebradas de Bauru. Agora, quase 5h da manhã, com sono e alguma dor nos pés, arrisco uma resposta depois daquele show. Não é a primeira vez que falo com Gustavo Gomes de Sousa, e tão pouco espero que seja a última, mas dessa vez, o Coruja está diferente. O jeitão marrento e a sinceridade na fala continuam os mesmos, o que mudou foi o teor de suas canções.


O show funcionou como uma prévia do lançamento do novo EP do rapper. Segundo Magu, o produtor do Acesso Hip Hop, o disco com as novas canções deve ficar pronto apenas no segundo semestre de 2013, e a julgar pelo show no Exilio, promete trazer um Coruja mais agressivo, maduro e consciente. Na noite de 16 de fevereiro, o que se viu foi um protótipo de gangsta. E dos bons.

Ao cantar quase enfurecido o trecho “favelado sim, e com orgulho”, o moleque de 18 anos arrepiou a minha espinha crescida e desenvolvida às beiras do Capão Redondo (SP). Agora com remixes que lembram o estilo pesado e agressivo típico dos gangsters brasileiros, o moleque falou na alma tão fundo quanto costumava fazer com os samplers jazzisticos com linhas de samba do primeiro CD. Sem dúvida, a força do rap está na mensagem imediata, na realidade rasgada de palavrões e malícia de mundo, e já era possível notar isso com Racionais, Facção Central e com o saudoso Sabotage. O rap do Coruja não é diferente. É cheio de raiva, ressentimento, fé.


Competindo com uma banda cover do Queen (mais uma, entre tantas!) no Jack Music Pub e com a nova agitação noturna da Duque de Caixas, Thigor MC subiu ao palco com sua voz de cantor gospel e deu ao show o tom provocante do R&B. Coruja retomou seu lugar e, apesar de quase ninguém conhecer as novas canções, causou pelo resto da noite. Repetiu algumas vezes um pedido de desculpas para as pessoas que ficaram fora da casa por conta do espaço restrito. Com a consciência do garoto excluído e certo de todos os rolês de rap que deixou de ir por falta de grana, Coruja frisou que o intuito desse evento, a cinco reais na portaria, era não deixar o hip hop morrer em Bauru, fosse no centro, zona leste ou zona norte.

Mais claro e objetivo do que nunca, completou “isso não depende do Magu, do Coruja ou do Canela. Isso depende de vocês.”. Coruja não é mais um menino deslumbrado com suas próprias rimas, é um artista em formação, convencido de seu potencial, da força de seu trabalho e da magia das suas palavras. CorujaBC1 está crescendo. 

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Na vibe certa

23 de janeiro de 2013
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Texto e Fotos por Julia Gottschalk

Show no Jack anima a noite de sexta-feira em Bauru

Quando a banda Samanah disse na página do evento no Facebook que o Jack ficaria pequeno eles não estavam brincando. A banda, que já possui um leque grande de fãs fiéis na noite bauruense, levou o Jack Pub à provavelmente sua lotação máxima nessa última sexta-feira.

A Banda Soul Station abriu a noite timidamente, chamando uma vez ou outra as pessoas para dançar perto do palco. Mas a noite começou a ficar realmente agitada quando Coruja BC1 foi convidado a subir ao palco pela banda. O cantor deu uma pequena demonstração de seu talento, deixando bem claro que para ele a rima é uma forma de expressão tão natural quanto a própria fala.



Ao entrar no palco, Samanah conseguiu deixar o Jack menor ainda quando seus fãs deixaram de lado o costumeiro espaço entre a banda e o público.  O grupo que já é famoso na cidade costuma trazer um número grande de pessoas para seus shows, apesar disso um número grande de pessoas além dos costumeiros fãs também vieram e aprovaram.


O rapper fez participação especial no show dos amigos

A mistura de talentos no Jack Pub essa sexta foi com certeza a criação de uma vibe perfeita para todos que estavam lá. Para ver mais fotos do show, acesse nossa página no facebook!  


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Sobre coisas passageiras que nunca se esquece

10 de dezembro de 2012
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Por Pâmela Antunes
Fotos por Jessica Mobílio


Depois de receber Noites Fora do Eixo, Clubes do Vinil, Pós TVs entres outras atividades especiais e diárias durante pouco mais de dois anos, o Enxame Coletivo se despede de sua sede. Foi no último sábado (08), em uma noite quente e com poucas estrelas no céu, aconteceu a Noite-Despedida da Sede do Enxame.

Mesmo com poucas pessoas no início da noite, o Dj Don Caboclo já estava mandando seu som; a decoração estava caprichada, a Banquinha já estava montada e o bar preparado com a cerveja gelada só esperando a galera chegar. Depois de uma hora e meia que a sede foi aberta o clima já era de festa, alguns dançavam, outros cantavam, acompanhando o que o DJ mandava. 



A sala da sede foi transformada em palco, onde a primeira atração foi o Chimpanzé Clube Trio, grupo de rock paulistano (ou melhor Rock instrumental) formando por Felipe Crocco (guitarra e baixo) Luiz Miranda (guitarra e baixo) Angelo Kanaan (bateria). Felipe e Luiz revezam entre baixo e guitarra sem nenhum problema ou perda da qualidade do som. O show começou as 1h31 e a sala que tinha poucas pessoas se encheu rapidamente e logo foi contemplada por um rock que também mistura ritmos como reggae, blues e soul. Em cada integrante da banda podia se perceber o domínio sobre seu instrumento, que fez o publico não apenas ouvir as músicas que estavam sendo tocadas mais sentir cada nota, cada acorde. O show acabou 2h40, mas ainda tinha muito som para rolar.

Enquanto o Trio Chimpanzé Clube tiravam seus instrumentos para a apresentação do outro grupo, as atenções foram voltadas ao quintal. A galera foi chamada, pois era vez de Bauru mostrar que estava presente e bem representada. Coruja BC1 e MC JF marcaram presença mandando suas rimas. Coruja BC1 improvisou rimou e o publico gostou MC JF cantou e animou.

Para fechar a noite com chave de ouro foi a vez do Duo Finlandia composta pelo brasileiro Rapahel Evangelista (violoncelo) e o argentino Mauricio Candussi (acordeão, piano e programações). Com seu som folclore eletrônico onde misturam ritmos brasileiros e argentinos como tango e baião e encantam por onde passam, e, em Bauru, em sua segunda passagem pela cidade, não foi diferente. Com sua sonoridade latina fez todos que estavam presentes serem contagiados pelo som quente que saiam do acordeão e do violoncelo não podendo ficar parado.



E nessa noite instrumental, foi em grande estilo que o Enxame Coletivo se despediu de sua sede, fechando mais um ano de intensas atividades. 

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Rap, cururu, chorinho, cordel, rock, afro-beat: as múltiplas facetas do Curau

7 de novembro de 2012
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Por Jaderson Souza

Quem foi no Largo dos Pescadores em Piracicaba no último sábado (03) conferir as apresentações do Festival Curau (Cultura Regional e Artes Urbanas) percebeu que as rimas se espalhavam pelos diversos estilos apresentados no dia: do rap ao cururu, passando pelo cordel e chegando ao afro-beat.

Conhecido na região de Piracicaba, o cururu é o desafio de rimas feito com acompanhamento de violas. Lembra muito os desafios com repente do Nordeste e as batalhas de MCs. Um dos cururueiros piracicabanos mais conhecidos é Moacir Siqueira. Ele canta há mais de 40 anos por cidades do interior paulista e esteve presente no Curau para um “duelo” com rappers da cidade. E, pelo jeito, Seu Moacir gostou da ideia: “Deu pra brincar bastante com os meninos. Se pudesse, ficaria mais”. Ele conta que não ensaia previamente seus versos, eles são feitos no momento. Quando conversávamos, ele até improvisou uma rima sobre as mulheres que estavam no Largo dos Pescadores curtindo a festa. O artista tem três jovens (parentes) que o acompanham durante as cantorias feitas pelo interior e deseja se apresentar em Bauru qualquer dia desses. A receita para continuar na ativa depois de tanto tempo? “Tem que fazer com amor”. 



A rima improvisada é o que une o cururueiro piracicabano com o rapper de Bauru Coruja BC1 que considera o free-style (outra alcunha para a rima improvisada) um momento único, pois, além de não estar necessariamente em algum disco, a rima vai sempre se referir a alguma particularidade da cidade onde o músico está. O free-style feito em Pira será diferente daquele que será feito em Bauru.

Pela primeira vez na cidade, Coruja achou que os piracicabanos estavam bem frios no começo do show, mas depois o público acabou se soltando. Apesar de gostar quando o público já começa o show agitado, o rapper também curtiu “esse lance da conquista”, uma vez que a galera acabou se envolvendo com a apresentação. 

A identificação entre público e artista também rolou. Prova disso é que enquanto falava com ele, várias pessoas interrompiam educadamente a conversa para parabenizar o rapper. Um homem chegou até ele e disse que se emocionou quando Coruja cantou a música “Saudade”, dedicada a seu pai, já falecido. O homem também perdera seu pai seis meses antes.

Matheus, um menino de apenas quatro anos, ensaiava vários passos de dança na frente do palco como se fosse um autêntico b-boy (ele tentou até moinho de vento). Coruja acha que essa é “a prova de que o hip hop vai permanecer”. Em seguida, Coruja chamou Matheus e mais três meninos para dançar no palco acompanhado de Pixaim, MC piracicabano que tinha se apresentado anteriormente e participou do show de Coruja.

Coruja está com a sua agenda de shows para o final de 2012 quase fechada. Por trás do artista, estão pessoas que o ajudam: produtor, rappers de apoio e demais parceiros. É com e por eles é que Coruja vai para estrada cantar seus versos. E isso tem sido bem proveitoso, pois o rapper diz que a cena hip hop está ficando cada vez mais forte no estado de São Paulo.

Além do rap e do cururu, se apresentaram no sábado o Grupo de Choro Regional Caipira, de Piracicaba, e a banda Cataia que trouxe para o Curau a sua mistura de rock e batidas africanas com pitadas de forró que deixou o público bem agitado no fim da noite. Ah, antes da Cataia, uma poeta recitou versos de literatura de cordel como uma espécie de introdução para a entrada da banda, mas talvez esses versos tenham sido mais do que isso. Foram a síntese do lema e da sigla do festival: trazer para o mesmo palco as culturas regionais e as artes urbanas.

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“Hip hop bauruense não morreu. Não morreu!”

24 de setembro de 2012
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Por Keytyane Medeiros
Fotos: Conrado Dacax e Lais Semis

Já passa da meia noite e ainda nem entrei no Alecrim. Assim que cheguei li na placa “Alecrim, Bar MPB” e foi inevitável dar uma risadinha irônica quando pensei “e não é que vai tocar mesmo a verdadeira música popular brasileira?”. Muita gente pensa que não, que rap não é arte, não é música, não é cultura. Quem pensa assim tá bem enganado, hip hop é arte, e das mais autênticas. O lançamento da mixtape “Até surdo ouviu” do CorujaBC1 prova isso.

Que as músicas dele são ótimas, muito bem elaboradas e críticas todo mundo já sabe e a multidão reunida no Alecrim na noite de sábado não deixa dúvidas disso. Antes da apresentação, alguns garotos – e também algumas meninas! – se deixaram levar pelo hip hop que tomava conta do ambiente e faziam alguns passos de break. Um show antes do show.

“É hora da festa”, anuncia o produtor do Acesso Hip Hop, Magu. CorujaBC1 entra e está diferente. Com cara de garoto marrento, cabelo cortado e barba feita, sobe no palco e anima (ainda mais) a galera, chamando cada um pelo seu distrito. Os fãs, se sentindo representados e tão felizes quando o próprio rapper, vão à loucura. É o rap invadindo o centro de Bauru.

 O show contou com a participação especial de vários MCs amigos de Coruja, entre eles MC Dentão, Dom Black, Thigor, Felipe Canela, integrantes do grupo Além da Rima e tantos outros que compõe o ZicaZucaProduzions. O show, repleto de emoção, euforia e força, teve como um dos pontos altos a canção “Saudade” na qual o rapper de apenas 18 anos ficou claramente abalado ao dedicar a realização de seu sonho aos pais, ausentes nessa noite.


Como todo artista nato, CorujaBC1 improvisou no palco. Fez várias rimas na frente do público e quando esqueceu um trecho, no meio do repente, com rebolado e audácia acrescentou na improvisação “quando a gente erra tem que assumir”. Próximo do público e a todo tempo chamando a galera para participar dessa “festa de rap”, ao cantar a última música, Coruja declarou: “já que não posso colocar cada um de vocês no palco, eu desço até aí”. E ele desceu mesmo! Do meio do povo, Coruja cantou agarrado aos fãs e emocionado agradeceu a presença de todos na realização do um sonho de “não uma, mas de todas as vidas aqui presentes.”.


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Até surdo vai ouvir

11 de setembro de 2012
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Entrevista por Keytyane Medeiros
Edição e texto por Laís Semis

CorujaBC1 aos olhos de quem o vê perambulando por aí é um desses moleques que vive o hip hop e marca presença nos eventos que estimulam e apresentam essa cena. De fato, mas não só. Pra quem tem visto Coruja crescer na cidade, sabe bem que ele vem se portando cada vez maior nos palcos. E entre os palcos conquistados recentementes, está o do Kamau durante o Festival Canja. CorujaBC1, 18 anos, acaba de lançar sua mixtape e na concha do Vitória Régia não se limitou a uma participação no show do Kamau; a tarde de domingo teve uma reserva especial, representando um pouco do que está rolando no hip hop de Bauru. 







“Então, o Enxame Coletivo é parceiro do Acesso Hip Hop e eu trampo lá [...] Sempre teve essa troca de ideia e surgiu o convite, no começo do ano, e através do meu produtor Renato Moreira a gente fechou [de tocar no Canja].” Mas o hip hop este ano veio fortalecendo a base (o Fórum de Hip Hop do Interior Paulista é um grande exemplo disso), conquistando também espaço de formação. “Fechamos outras parcerias dentro do Festival, como o Felipe Canela para a Oficina de Beat...”

E o público bauruense tem abraçado bastante a cena hip hop e olhado mais para os seus artistas. “A gente tá tocando na nossa cidade sempre é um privilégio. [...] Você vai pra fora escuta ‘ô, da hora, pá...’ e tudo o mais, mas você estando na sua cidade é o que vive com você dia após dia, as pessoas entendem também porque você escreveu cada linha... tem até uma passagem que a mina foi em casa e falou: ‘nossa, é 12-42, portão de madeira!’ – uma parte que eu canto na música. É, mano, por que você achou que não era? Tudo que a gente escreve realmente é e o público sempre vê. Tô mó feliz mesmo!”

Agora, conta menos de duas semanas para o lançamento oficial de sua mixtape, que acontece no sábado 22, no Alecrim Bar. “Participação de todo mundo do Zica Zuka, Além da Rima, Dhakor... e muito mais ainda! Tem umas surpresas aí que a gente tá preparando e lá vai ser tipo a festa pra gente comemorar esse sonho que vem se realizando... Acho que vai ser foda segurar as lágrimas lá no dia, porque o bagulho é um corre monstro mesmo; não feito só por mim, mas por muita gente que me ajudou pra tá hoje aí.”

E se você esbarrar com ele por aí, não se deixe enganar: coisa maior ainda está por vir. 


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Surpresa de Domingo: Aeromoças, Tenistas, Coruja.

4 de setembro de 2012
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Por Keytyane Medeiros
Foto: Júlia Gottschalk
     

Domingo de sol é dia de Vitória Régia e disso toda a cidade já sabe. A surpresa é que dessa vez umas Aeromoças e Tenistas Russas passaram por lá. Opa, não são “umas”! Estamos falando de uma banda instrumental, formada por quatro rapazes de São Carlos. Confesso que já acompanhava o trabalho dos caras, e sabia que vê-los tocar ao vivo seria (e foi) uma experiência muito prazerosa, mas a minha preocupação era a reação do público diante de um som sem vocal. Não me decepcionei de maneira alguma. Nem com a banda, e muito menos com o público, que praticamente dobrou ao fim do show.

Com o som harmonioso dos instrumentos bem marcados, os rapazes do Aeromoças tomaram conta do Vitória. A arquibancada foi recebendo cada vez mais gente, eram pessoas de todas as tribos, desde o skatista fã de hip hop até pessoas que estavam de passagem pelo parque naquele momento. Mesmo aqueles que tem preferem estilos como o rap ou o pop estavam lá, bastante atentos ao som diferente da banda. A segunda música em especial, mexeu com a galera que se aproximou dos namorados, companheiros e ficantes. Eu pude até ver um casal de moças dançando no cantinho da arquibancada! Elas foram bem rápidas, mas consegui ver seus passos tímidos ao som de Sex Sugestion.


O show, tal qual a composição das músicas, nos surpreendeu bastante. Quando achávamos que a canção tinha chegado ao fim, ela recomeçava numa outra intensidade, mas ainda sim, com uma cara própria. E eis que algo inesperado acontece: o rapper bauruense Coruja BC1 sobe ao palco e faz um rap sobre a base musical feita pelo Aeromoças. Alternativos, rappers e fãs de rock se identificaram com a canção. Eu, que já conhecia e gostava dos dois, quase pirei. 


Na saída do show, o tecladista Gustavo Hoolis confessou que a banda “ficava pirando pra saber como seria tocar lá em baixo [no Anfiteatro do parque]” e mais do que isso, Hoolis se mostrou até mesmo surpreso com o fato de que “a galera tava prestando bastante atenção”. Como se uma banda que faz um senhor som instrumental e que, além disso, se chama Aeromoças e Tenistas Russas não fosse algo, por si só, bastante curioso (!). Mas o olhar do público foi além da curiosidade, chegando até mesmo à observação admirada. Não poderia ser diferente, afinal, não é todo dia que uns Tenistas de São Carlos dominam o seu fim de tarde.
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“Vamos fazer barulho não para mim, mas para o rap bauruense”

3 de setembro de 2012
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Coruja BC1 se apresentou no Festival Canja e mostrou que o hip hop em Bauru tem nome

Por Eduardo Henrique 
Fotos  por Jessica Mobílio

O título é uma fala do rapper durante a apresentação no Festival Canja, no espaço da concha acústica do Parque Vitória Régia. É compreensível a escolha desse recorte pra ilustrar a apresentação por uma explicação simples e breve: mostrar que o rap bauruense tem força! O contato que o Canja traz com o Hip Hop deixa claro essa aproximação e identificação do rap com os artistas independentes que do cenário local fazem parte. 

O Hip Hop em Bauru não tem só nome (ou nomes), tem espaço. Todo aquele lugar reservado às apresentações no parque ficou praticamente ocupado pelas pessoas que seguiam na batida da música que mostravam conhecê-la. A música e clipe “Não Posso Murmurar” que estampa locais conhecidos da cidade de Bauru e que completa 5 mil acessos em duas semanas, aparece na apresentação do rapper. O público que é variado em diversos aspectos começa a se aglutinar e a cantar junto. 

Complicado e difícil em um primeiro momento imaginar a sensação do Coruja BC1, que também dividia a apresentação com os MC’s Felipe Canela – Zica Zuka e Dom Black, apenas tendo uma vista panorâmica da platéia, como público. Tem que ser bauruense e mostrar o orgulho do espaço pelo qual faz parte, que ele insistia no palco. “Complicado e difícil em um primeiro momento”. É importante a ressalta por que tinha que haver um jeito de driblar a dificuldade para poder imprimir as sensações que a apresentação trazia. Era preciso ir além da mera explicação objetiva do que estava rolando ali. Era preciso viajar na mesma vibe que a platéia bauruense, que cantava e representava junto. Caminhar entre os personagens que fazia parte junto com o Coruja, na platéia, trouxe as várias sensações na tentativa de passar para as palavras.



Percebi que o Hip Hop tem uma onda interessante, ao menos o que o Festival Canja trouxe até agora. E casa com o espírito do Cobertura Colaborativa e do Festival! As pessoas parecem caminhar e falar numa voz em unidade, compartilham da realidade que vivem e encontram formas de expressão viva. Foi o que senti. Não é elogio, crítica ou pontos pra mostrar. É a sensação que aparece. O garoto que arrisca uns passos no ritmo dos beats, a mãe que dança num ritmo um pouco mais ajeitado, o grupo de adolescentes que arriscam uns versos. Parecia tudo em sintonia. “Nem todos que estão em Israel são israelitas” soou o verso conhecido. 

Ao contrário do pequeno espaço que o Ponto de Cultura – Acesso Hip Hop, em que Felipe Canela – Zica Zuka abriu para a oficina de beatmaker, o parque Vitória Régia parecia espaçoso. Parecia. O espaço foi ocupado em grande parte e o som pôde rolar de boa, e o Coruja pôde mostrar também qual seu público, sua cara e suas idéias. Ocupar o espaço, pensar junto e integrar as várias formas de expressão artística compuseram a teia de relações que o Festival foi capaz de criar no início da noite bauruense e que Coruja BC1 pôde trabalhar como um dos protagonistas.



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Falta de Luz no Sesc, será que é o disjuntor?

30 de agosto de 2012
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Por Aline Ramos

Fotos por Jessica Mobílio



Todo mundo com a mão pro alto, vamos lá. O show já começou e o hit “Andei” pegou de surpresa quem ainda andava em direção ao Sesc. A Área de Convivência estava vazia quando Lurdez da Luz cantou a única música que era unanimidade no repertório dos presentes. 


Lurdez, ou Luana, como a batizou sua mãe, tentava de todo modo mostrar sua Luz pra um público estático e distante (literalmente). O clima intimista que as poltronas do Sesc trazem para algumas apresentações, certamente não era o ideal para um show de rap. Lurdez tentou animar, chamar a galera pra levantar com a nova música “Levante”. Mas mesmo assim, a distância imposta pelas poltronas fez com que ainda nos mantivéssemos por longe. Eram cinco metros só, mas o suficiente para mostrar que esperamos muito de Lurdez da Luz, e as condições não ajudaram a superar as expectativas. Pra não ser injusta, fica a dúvida se era Lurdez, o público ou clima careta do Sesc. Aposto no ambiente do Sesc, mas cada um responda por si. 

Até porque Bauru anda num caso de amor com o Hip Hop. São grafiteiros, B Boys, e rappers de qualidade que tem se unido e conquistado cada vez mais a cidade. A apresentação era encerramento do 18º Fórum de Hip Hop do Interior Paulista. Um show de encerramento com Lurdez da Luz parecia ser uma ideia fantástica. 

Até que o microfone foi aberto, e Coruja BC1 subiu ao palco. Mandou suas rimas no freestyle. Não tem como negar que esse foi o ápice do show. Perdoe-nos Luz, mas Bauru é mãe coruja, preferiu um dos seus. 

Alguns arriscaram uns passos e agitaram o público. Afinal, tinha muito talento no mesmo lugar. Pedimos algumas músicas, Lurdez negou, disse que não estava no repertório do show daquele dia. O 1º álbum que todos nós sabíamos, foi pouco lembrado. A luz de Lurdez será lembrada um pouco ofuscada. Será que algum técnico pode resolver? 

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Atenção Bauru! Tem um Coruja solto por aí.

6 de agosto de 2012
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Por Keytyane Medeiros 

Imagens cedidas - Acervo Pessoal CorujaBC1


Não se engane, a origem do apelido não tem nada a ver com os hábitos discretos e o jeito tímido do rapper CorujaBC1, embora ele seja realmente assim. O jovem Gustavo Vinicius Gomes de Sousa garante que recebeu esse codinome logo que se mudou para Bauru, aos nove anos de idade. Segundo ele, algumas crianças o chamavam assim por conta de algumas supostas semelhanças físicas existentes entre Gustavo e o pássaro. Coisa de crianças, evidentemente. No entanto, o apelido pegou e quando Coruja resolveu investir na carreira de músico, acrescentou BC1 ao nome. O significado? Buscando Conhecimento em primeiro lugar (1). 

Com apenas 18 anos, CorujaBC1 acaba de lançar sua primeira mixtape, no último dia 25 de julho. Intitulada “Até surdo ouviu”, a coletânea reúne doze canções autorais e que tratam de temas diversos, que vão desde a desigualdade social ao flerte com o estilo mais suave do R&B. Sensível, BC1 nos conta que depois de ouvir um sample que acabara de produzir baseada numa música da Nina Simone, a inspiração para o nome do CD veio imediatamente. “A parada do nome não quer dizer que o som é ‘tão foda que até surdo vai ouvir’. Não. O que quero dizer é que quando a música é feita de verdade [de coração], até surdo é capaz de sentir.”

Imagens cedidas - Acervo Pessoal CorujaBC1
O primeiro contato com a música aconteceu por conta da família que mantinha o hábito de ouvir e fazer repentes, um estilo improvisado de fazer música e que é bastante comum nos estados no nordeste brasileiro. Com o passar do tempo, Gustavo entrou em contato com o rap dos Racionais MC’s e Planet Hemp, ainda no Bairro do Munhoz, na capital paulista. CorujaBC1 não teve dúvidas, queria fazer rap pelo resto da vida. 

Coruja já fez diversos shows, mesmo quando ainda não tinha mixtapes. Essa experiência é fruto da produtividade cultural do rapper, que compôs todas as canções do disco, contando com algumas participações especiais. Suas músicas falam de drogas, desigualdade social e pregam o respeito ao outro. Na faixa Confirma, BC1 nos lembra que “nem todo mundo que tá em Israel é israelita”, deixando claro que não é preciso tomar cuidado ao generalizar pessoas e situações, para que não as julguemos erroneamente. 

Imagens cedidas - Acervo Pessoal
CorujaBC1
Ouça Liga os Colômbia aqui.

Outra canção importante do álbum é Liga os Colômbia, na qual o rapper fala abertamente da repressão sofrida pelo usuário de maconha, enquanto muitos políticos e executivos cometem atrocidades com o dinheiro público e não são reprimidos por isso. Quanto à forma como a maconha é vista pela sociedade, Coruja chama atenção para o fato de que “a mídia fala que está errado [fumar maconha], mas não explica por que é errado. Nós estamos falando por que não é errado.”.

O contraponto é a linha que permeia todo o “Até surdo ouviu”. Ao falar dos anseios de vários jovens por produtos de marca, BC1 fala de uma Bauru que convive diariamente com a desigualdade social e com o trabalho suado e mal recompensado de várias “Marias da Silva”, como atesta a canção Bauru City. Em muitas canções, o jovem demonstra sua fé, sem cair nos clichês religiosos ou no pedantismo das músicas gospel. “Eu tenho uma experiência muito louca com Deus e eu sou muito grato a Ele.” 

O primeiro vídeo do CorujaBC1, chamado “Não posso murmurar”, foi lançado no dia 22 de julho e em menos de duas semanas obteve mais de 5 mil acessos. O clipe foi gravado em Bauru e é uma produção independente – assim como o álbum de estreia do rapper – que foi desenvolvido, planejado e editado pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop. Sobre a iniciativa, BC1 afirma “O Ponto de Cultura é um lugar que está fortalecendo muito o meu trabalho e também de outros rappers da cidade. Está sendo minha principal ferramenta de trabalho, já que aqui recebemos todo o suporte que precisamos para mixar uma base, produzir um vídeo ou gravar num estúdio.”. 



Coruja BC1 garante que tocará no Festival Canja 2012, embora ainda não tenha certeza do dia da apresentação. Até lá, podemos ouvir suas canções via internet ou no rádio de alguns jovens sentados na Praça do Líbano.

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