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Rock Do Bem 7 | 4º Dia - Shiva Bar

6 de dezembro de 2011
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CADÊ MEU CACHECOL?
Fotos por Bianca Dias
Texto por Ana Beatriz Assam

Mais uma noite de Rock do Bem. Dessa vez, no Shiva. Na primeira vez que estive aqui, o Aleluia, Bitch! também tocou. O bar está abarrotado. Daquela vez, também estava. Mas os rostos eram mais conhecidos. 


Percorro meu caminho até a mesinha ao fundo, onde a Lais Semis me espera. Quem são esses caras chatos da mesa do lado?

Aleluia, a banda vai começar! Todas (ou quase todas) as atenções se voltam para o palco. A mesa ao lado continua a pentelhar. Tchau, vou pra frente do palco!

Logo de cara uma dobradinha de Arctic Monkeys. Arrrrrrepio na espinha! Ainda não consigo acreditar que vou vê-los em abril. E por falar em dobradinha, alguém mais reparou que as guitarras estão dobradas? Tenho uma missão: identificar o “novo” guitarrista.

Seguem com Kings of Leon. E a galera curtindo! Rock cachecol né Aline Ramos, quem não gosta? Daí, passam  para um “momento mais classic rock”, de acordo com as próprias palavras do Gustavo, o guitarrista-dos-cachos-bem-modelados. The Who, MC5, Creedence, T.Rex.

Aqui na linha de frente, dançam meninas e namoradas da banda. Alguns flashs... Cadê a minha câmera? Vontade de tirar foto de cada uma das milhares de expressões que o Alquati faz enquanto toca! Cada batida na batera é uma cara mais engraçada que a outra!

De volta ao indie, mais macacos-árticos e mais dobradinhas! Uma de Franz Ferdinand e outra de... Strokes! Outro arrepio! Lembranças recentes do show deles... O Wii esqueceu a letra de Reptilia e tá cantando no embromation! Tudo bem, a galera ajuda e canta junto, não esquenta! O show tá chegando ao fim, mas ninguém quer que pare... E agora? Vamos fechar com House of Jealous Lovers do Rapture. Maravilha!


No pós show, minha missão é bem-sucedida. “Novo” guitarrista identificado: Ronald Naganuma. Mais um ex-Norman Bates na noite bauruense.

Mas, peraí! Pesquei aqui na memória e lembrei  de uma promessa feita pelos caras naquela primeira vez que estive aqui, lembram? Aqui ó. 

E aí meus rapazes, onde estão as músicas próprias? O Gustavo nos conta: “A gente tá com três músicas próprias, estamos trabalhando em cima delas”. Então, é pra esperar? Ok, vocês são bons, a gente dá um desconto.



NEM TUDO É HYPE

Texto por Laís Semis

Não, ninguém deixou o Shiva quando as putinhas deixaram o palco. Pelo menos foi o que o espaço (ou a falta dele para perambular) parecia dizer. O cartaz ao fundo do palco indica que estamos presenciando um sábado de Rock Do Bem; esse é o sétimo ano do Festival.

A maré, iluminada apenas pelas formas que saíam das paredes do bar, estava complicada. Ir de um lugar para o outro era praticamente impossível, por isso acabávamos nadando, entre pessoas e líquidos que caíam dos copos a cada braçada.

Agradecimentos ao Aleluia Bitch.

Acho que depois de tantas bandas autorais, esqueci como é uma banda cover. Ainda mais covers de uma única banda. Elas ecoam com mais força e sabem bem as músicas que funcionam - é, elas tem essa vantagem. Essa noite, a banda Generator estava fazendo cover do Foo Fighters.

Algumas bandas tentam mascarar um visual parecido, mas eles não. O Shiva todo de pé, virado em massa para a banda com mãos animadas sob a platéia inquieta.

Depois da sessão hype instalada pelas putinhas da Aleluia, “Best of You” batalhou com “Times Like These” na categoria hino da noite. A casa esquece que a banda é cover e vibra como se os próprios estivessem ali. Mas “Learn to Fly” ainda é a preferida. E lá se vão 7 anos.

Junto com ela, também vem as coreografias mais bizarras. Deixe que as luzes façam sombras estéticas nas paredes. Deixe os elefantes em paz em suas respectivas mesas vazias.

Deixe que o aspecto rústico seja composto por garrafas acumuladas em mesas; aqueles que não tinham mesa, se apoderaram de um pedaço de chão pra chamar de seu por essa noite.

Captação e Edição por Laís Semis

Movimento intenso.
E veio o grito de mais um.
São 3 e tanto da manhã outra noite.

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Universo Elegante

3 de novembro de 2011
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Shiva Bar, quinta-feira, 27 de outubro


Por Lígia Motta e Beatriz Gonçalves





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La buena onda

5 de outubro de 2011
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Sábado, 1 de outubro, Noite Fora do Eixo #20  


Samanah, El Principio

Fotos por Pamela Morrison
Texto por Jéssica Mobílio

Pés no Shiva. E o jogo lúdico daquele lugar me agrada, a substancialidade daquelas paredes, os tijolos rústicos e a iluminação que se borra em vermelho, do palco se vê, se ouve e se absorve calor. Essa tal cor tem relevância, soa estranho, mas é só uma impressão. Aquele ambiente das sensações mais efêmeras e dos sons mais enérgicos (ou não) estava cheio e o bar lotado. As mesas estavam aos pares, pessoas bebem, se apoiam  deixam objetos, e se levantam, todas inquietas. Chega meia noite.

Pessoas de tribos diversas com muita ou pouca roupa, dos pés atravessados. O puro calor bauruense e as chuvas de 15 minutos, bem peculiar. O contraste do reggae vivo e as notas melódicas do rock amoroso deveriam ter excitado o sábado, e foi? Entra em cena a Samanah, já sabia que os bauruenses iriam agradar. O público da banda se dividiu entre as mesas, absorveu o som, uns amigos ao pé do palco e outros no bar, mandavam um aplauso.

A sonoridade era limpa, se o propósito era acertar as batidas, funcionou. O reggae leve, da sintonia fina parecia roçar os ouvidos, mas se dissipava nos rostos mais distantes e evasivos. O grupo escolhe Bob Marley “i know a place” e chama os corpos de quem se perdia no tempo. E vêm aí, uns passos a ‘La Bob’, dos braços jogados. Era a deixa para continuar a tocar composições de autoria própria, como ‘Mariana Berenice’. E logo depois, reconheço a entrada de ‘time’ do Pink Floyd, envolvente.

E a Samanah fazia poesia, a calmaria do “barzinho e violão”, sintetizava a atmosfera. Sem nenhum reflexo mais agressivo, só o reggae mais o groove, identidade musical até intimista com cheiro de tinta fresca. Os meninos iniciavam a noite, mas era só o prelúdio. Sabem aquelas viradas de última hora, e foi mais tarde. Desce Samanah, a discotecagem alimenta o Shiva, as conversas cotidianas circulam mais uma vez.
































Soco chileno
Fotos por Eduardo Kenji
Texto por Aline Ramos


Costeletas andando pelo Shiva detectadas! Esse só poderia ser o chileno que iria se apresentar em mais uma Noite Fora do Eixo. Carinhosamente, eu e uma amiga o apelidamos de vampiro. Onde estavam os dentes caninos do Angelo Pierattini? Procuramos quando ele sorriu. MENTIRA! Ficou no Chile.

Nós bem achávamos que continuaríamos a noite no ritmo “um barzinho e um violão”. Com músicas “água com açúcar” como a saga “Crepúsculo”. Ufa! Ainda bem que o Angelo fez questão de mostrar que estávamos todos enganados. Não haviam dentes afiados e muito menos vampiros brilhando a luz do sol. O que vimos e ouvimos foi o bom rock’n roll.



O álbum “Vampiros” (2010) inspirado no terror sueco “Deixa-me entrar” (2008) – que teve sua versão hollywoodiana gravada em 2010 – é o segundo trabalho solo do cantor. Com a aceitação chilena, a divulgação da turnê no Brasil enfatizou ser esse o seu trabalho de destaque. O MySpace nos apresentou “Vampiros”, já o Angelo o seu mais recente trabalho, “Pierattini III” (2011).

Angelo possui uma carreira musical de 15 anos. Antes, era só o guitarrista da banda Weichafe. Hoje é um artista solo que grava um disco atrás do outro – um em 2009, 2010 e 2011- e totalmente diferentes entre si. Sob o maior selo de música independente do Chile, Oveja Negra, desponta como um dos destaques na música nacional chilena.

Convenhamos que isso não seja pouca coisa no Chile. Um país repleto de artistas que produzem trabalhos com qualidade e que não conquistam somente o espaço local, mas que tem lançado seus álbuns em países na Europa e Estados Unidos. No começo do ano, o jornal espanhol El País, publicou ampla reportagem nomeando o Chile como “o novo paraíso do pop”.



Porém, eu acreditava que o que eu via no palco era “Vampiros” com uma pegada mais forte. Achava que Angelo estava plainando sobre nós quando balançava sua guitarra freneticamente. E que tudo ali, era um jogo de sedução. Não era, mas quem estava no Shiva não só foi seduzido, como arrastado para perto do palco.
Os olhares se entrecruzavam e diziam “você está vendo o mesmo que eu?”. Enquanto as luminárias sob o bar balançavam, símbolo de aprovação da galera da casa, éramos levados a uma viagem sentimental e visceral.

Vibramos quando uma bandeira do Brasil surgiu nas mãos de Angelo misteriosamente. E este logo fez o favor de usá-la em sua guitarra. Vibramos com cada nota e com cada movimento do trio. Enquanto alguns ficavam anestesiados com o charme latino de Angelo, há quem tenha fritado na bateria. “PORRA BATERISTA, É ISSO AÍ, MANDA VER”.

Já estávamos extasiados com aquela expressão de “caralho” estampada em nossa cara quando Angelo fez uma garrafa de Original, os seus dedos. Não me pergunte como, mas ele estava tocando a guitarra com uma garrafa de cerveja.  Um, dois, TRÊS celulares em frente ao palco. É, já sentíamos falta antes mesmo de acabar.


“Uno más, uno más, uno más”, foi o nosso pedido de bis. Eles levaram a sério. O palco tremia com a bateria. A guitarra e o baixo pareciam conversar entre si. Espera aí, o que ele está fazendo? ELE ESTÁ ESFOLANDO O PEDESTAL NA GUITARRA!!! NOSSA, É ISSO MESMO, ELE ESTÁ TOCANDO A GUITARRA COM O PEDESTAL DO MICROFONE!!!

Sem mais.

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Entre putas elegantes e santos poetas

27 de setembro de 2011
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Captação e edição de vídeo por  Nicole Corradi e Ligia Motta




Fotos por Bruno Christophalo
Texto por Ana  Beatriz Assam


BAURU CHIC*

Uma bateria sem tons, uma flauta transversal, um violino, um baixo, uma guitarra e uma voz. Preciso confessar: era minha primeira vez no Shiva. Bela escolha para minha estréia. Em cima do palco e fora dele, rostos conhecidos. É sempre assim quando você nasceu em Bauru, cresceu em Bauru e ficou em Bauru. Será que morro por aqui?

O show começou logo. Mas o bar ainda não estava completamente lotado, como ficaria mais tarde. Ainda não tava difícil de respirar. Melhor assim. A Universo Elegante tinha algo, que não combinava com lotação. E teve quem fosse só pra ver a banda. Uns até chegaram tarde demais. Não ficaram. Os motivos eram totalmente justificáveis.

Oito músicas próprias. Letras inteligentes e inusitadas. Um cover do Tim Maia. “Você”. Aquela do você-é-algo-assim-é-tudo-pra-mim. Só que com um arranjo diferente. A banda a chama de Linda Monique. Por quê? Nem eles sabem.

Mas ainda tinha aquele algo. Não é clima, não é feeling. É algo. Um algo poético, dá pra arriscar dizer. Corrijam-me se eu estiver errada. O show acabou logo. Uma pena. Mas é só o segundo que a banda faz, então a gente dá um desconto.

Fato consumado, algumas informações chegariam aos poucos. Já no show da Aleluia, Bitch, segunda banda da noite, puxei papo com a Paula Buceli, a menina da flauta. “A formação atual tem menos de um mês”. Conta outra! E o pior é que é verdade.

Além da Paula, o rosto da violinista Renata Wolff também era novo pra mim na cena musical bauruense. Mas os outros músicos ali já eram conhecidos. Figurinha carimbada. Então vou dar outro desconto. O Gustavo Richieri mesmo foi o guitarrista da noite. Tocou nas duas bandas.

Outro era o David Calleja. Da Baurets, lembra? Mas dessa vez ele tava no baixo. Ainda faltam dois integrantes. Dois ex-Norman Bates: Thiago Rodrigues e Luis Paulo Domingues. O Thiago é o baterista da bateria sem os tons. Bateria minimalista.

E o Luis Paulo? Cantava, profetizava, poetizava. Olha aí o meu algo poético. Todas as letras foram compostas por ele. E agora pescando na memória conto pra vocês que esse Luis Paulo é aquele mesmo Luis Paulo que me deu umas aulas no colegial. Falou de movimento hippie e prometeu que em seguida viria o punk. Os alunos reclamaram até conseguirem ‘depor’ o cara. Aquela história do gênio mal compreendido. Pra mim, só gênio.



*Nota: Você sabia que antes de abrigar o Shiva, aquele predinho ao lado do shopping era o Bauru Chic?

ALELUIA, IRMÃOS
Texto por Aline Ramos


Eu sai de casa para ir a um show e acabei parando num culto. É, eu sei, você fez uma careta. Tudo bem, eu compreendo. Mas cerca de 200 pessoas podem confirmar essa história. É, eu garanto isso, só me deixa explicar?

Estava ventando muito em Bauru. Ele me abraçou e me deu seu último beijo sabor nicotina. Apressei meus passos, já estava atrasada. Ufa! Cheguei no Shiva, já na portaria podia sentir o calor que emanava daquele lugar.

“Som, sooooom. Porra, chama o David aí”. É, eles não estavam de brincadeira. Já na passagem de som mostraram que Aleluia, Bitch era formada por putinhas. Boas putinhas, mas impacientes. Elas eram responsáveis pela liturgia da noite. Novamente você fez essa cara de espanto. Calma ai pow. É que assim, o Gustavo Richieri, o Guilherme Alquati, o João Ricardo e o Roberto Soares iam guiar o louvor na segunda parte do culto. Eles são jovens respeitáveis e exemplares, mas só até o show começar. No palco se transformam na Maria Madalena do rock alternativo sob a alcunha de “Aleluia, Bitch”.

Espera ai, me deixa chegar perto do palco. Meu deus, como esse lugar está cheio de fiéis. O show já vai começar. 1, 2, 3! All Star no pé, sorriso no rosto. Opa, a galera está animada mesmo! Tem um menino fritando do meu lado. Legal. Os corpos se movimentam, alguns pulam, outros dançam. Mãos para cima, olhos fechados. Qual é a sua prece?

O Velho Testamento é aberto e os patriarcas do indie rock são relembrados. Aleluia! Vamos para o próximo versículo. Os heróis alternativos são lembrados. Já no Novo Testamento, muitos deles transformaram vadiagem em rock. Outros multiplicaram a calça skinny e a camisa xadrez.

Estamos chegando ao Apocalipse e o menino que fritava ainda não se cansou. O Golias da bateria, Guilherme Alquati, é pura animação e caretas. O João Ricardo anuncia o fim do mundo, há quem não goste. O performático Roberto Soares, aka, Wii, já está com os cabelos molhados. E o Gustavo Richieri tá com a bola toda. Mamãe chegou pra assistir.

























Nossa, aquele menino ainda está fritando. De onde tirou tanta energia? Ele é o tiete mais fervoroso. O João anuncia mais uma vez que o Apocalipse está chegando, mas a congregação pede misericórdia. Mas não tem como, eles são santas putinhas que desejam alcançar a salvação.

Num acorde final, conseguem o perdão por tantos covers. Antes do show prometeram que esse seria o último assim, no próximo mostrarão do que são feitas as putas do indie. Amém, irmãos!


Nota: Shiva é um bar, mas quando sai, era um Templo. Você vai dizer que eu poderia ter me tocado ao ver a oração a Shiva [divindade indiana] ao lado da porta. Mas me dei conta de que o Shiva sempre é um Templo da boa música.

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O que vem de cima me atinge

11 de setembro de 2011
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Texto por Leonardo Manffré
Fotos por Letícia Missurini, Flávia Battistuzzo e Aline Paes

Era quarta-feira, feriado. A cidade de Bauru estava suspensa em um ócio que parecia irritar até mesmo os mais velhos, acostumados com isso. Sonolência...

Nem os taxistas estavam com aquela grande vontade de trabalhar. Ligo para um, ligo para outro, que passa para aquele, que me dá o numero deste, que não está fazendo corridas, ou que está do outro lado da cidade.

Problemas?! Seria mais simples se ter dinheiro trocado em tempos de cartão de crédito fosse fácil.

Chego ao Shiva. Um pub requintado com uma parede de tijolos e uma ambientação característica. Um microcosmo indiano em meio a uma cidade que cheira a terra e poluição, típica do interior de São Paulo.

Sento-me discretamente em uma mesa, peço uma cerveja e, em um ambiente aconchegante, fico observando o que posso levar para casa como anotações para o texto.

Puts! Por um instante, lembro-me de que ao sair na correria de casa me esqueci do bloco e da caneta. Vou até o caixa.

- Opa, amigo, você tem um uma caneta ou um lápis para me emprestar?
Ele pega um bloquinho e me dá uma caneta.
- Fique a vontade!

Pego três folhas, e relaxo um pouco no banco. Apesar de estar em um ambiente que desconheço totalmente, com imagens que eu não sei o significado e só me parecem belas, sinto-me bem, acolhido.

Continuo observando e a discotecagem rolando...

Antes do show começar um susto: ao sair dançando do bar, um camarada deixa, sem querer, a garrafa cair e se desfragmentar, como uma granada, pelo chão. Observo a reação do cara, de idade desconhecida e profissão oculta, um pecado jornalístico. A fonte desconhecida procura o suposto dono do bar, eles conversam e eu penso: perder o cliente ou uma garrafa nova?

Após uma conversa, a atendente traz uma garrafa nova para o rapaz. Eu relaxo e quase deito na cadeira, já me sinto em casa. Peço outra cerveja.

Sobe no palco um rapaz de longos dreads e músicos. Baixo e guitarras semi-acústicos, sintetizadores e bateria. Esse era o Vitoriano de Fortaleza e sua banda.


Começam a tocar. A bateria é bem marcada e o baixo é forte, os sintetizadores e a guitarra ornamentam o som, e, quem esperava uma voz forte se surpreendeu com um sotaque cearense de uma voz fina e leve. Estilo Cidadão Instigado.

As composições de Vitoriano e o arranjo se fundem num som navegável. A chama da vela no castiçal ornamentado percebe o som e começa a dançar, não pára! Chama os dois touros da propaganda do Red Bull, logo atrás do palco. Eles continuam indo de encontro, mas, ao invés de trombarem, dão os braços e gingam em roda a cada compasso daquele ritmo alegre e circense.
























A raiva abre espaço para a alegria, tal como a forte queda da garrafa deu espaço para a compreensão. Nas palavras sotaqueadas de Vitoriano: felicidade compartilhada com uma galera massa.

Descem do palco leves, com o dever cumprido.

Leite, atuações impressionantes, flores, interpretações performáticas, Jim Morrison, risos, lamentações, Jimi Hendrix, maquiagem, corpos no chão, emoção, interação, gritos...



Após a bela apresentação do grupo Embaixada de Marte sobe no palco a Epcos, banda de Recife.
Sim, foi uma noite especial no Shiva. Bandas de uma das regiões mais caracteristicamente culturais num cenário de uma região totalmente simbólica e instigante: a Índia.

Epcos chegou tímida, logo saquei que seria algo instrumental. O guitarrista apresentou singelamente a banda, com uma humildade típica, de poucas palavras.
























Mas, separada por instrumentos, a timidez se transformava em uma comunicação fluida. Os músicos se cumprimentavam, conversavam, riam, choravam, gargalhavam entre eles através dos sons e simultaneamente o faziam com o público, que correspondia com a dança e euforia.

Tudo era comunicação!

Com variações ecléticas, os músicos pareciam também atingidos pelo ambiente multicultural de onde viviam: músicas em homenagens a praias, ritmos do nordeste, aspectos regionais...

Se a banda já tratava da união de diferentes músicos com diferentes gostos musicais ficou mais interessante ainda com a inspiração nordestina e riffs psicodélicos, pesados. Uma coisa diferente.

A vela, no castiçal, piscava atrevidamente e, só no final do show, os três lustres percebem e começam a dançar estranhamente. Só para impressionar...


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FESTIVAL CANJA 2011 - Show - Duo Finlândia

8 de junho de 2011
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22h Canja no Shiva
Projeto Finlândia (ARG)
+ Intervenção - Grupo Solar: “As Borboletas são Flores que aprenderam a voar” (Teatro)
Local: Shiva Bar
R$5 até às 23h e R$7 após.

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