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Pé Na Estrada Copa do Mundo: Itaquerón?

4 de julho de 2014
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O dia em que o Itaquerão virou Itaquerón!

Texto e Imagens: Fernando Martins
*Especial Pé na Estrada Copa do Mundo no Brasil

Pouco antes das 11 horas da manhã, entrava no metrô, estação Tucuruvi, e assim começaria o dia em que vi o estádio de um dos maiores clubes do Brasil se tornar uma verdadeira cancha argentina. Era primeiro de julho, Argentina e Suíça pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Ali, de dentro do vagão que percorria a linha azul, algumas camisas azuis e brancas já apareciam, quase todas com o número 10 às costas, seja acompanhada do nome do atual ídolo Messi ou então do eterno Pibe, Diego Maradona. Na baldeação para a linha vermelha, o número de torcedores já crescia, mas ainda assim era pequeno, até menor que o número de chilenos que vi na partida entre Chile e Holanda, também na Arena Corinthians.

Porém, quando o trem parou na estação Arthur Alvim, destinada aos torcedores que entrariam ao jogo pelo portão oeste, o cenário já era bem diferente, completamente entupido. Fácil notar que algo diferente estava acontecendo. Andar mesmo só em blocos, sendo empurrado por trás e, automaticamente, empurrando o da frente. Como cheguei cedo, umas 11h30 mais ou menos, as arquibancadas ainda estavam vazias, mas uma hora depois percebi que já não estava mais em solo brasileiro

“Puedes tirar una foto?” “Permiso, permiso, deja-me pasar”

Logo, claro, os primeiros gritos de apoio à seleção argentina eram ouvidos. Mais do que óbvio também, as belas e variadas canções eram ensaiadas e tomavam forma. O hit “Brasil decime que se siente” não poderia ficar de fora e a cada repetição era entoado com ainda mais força:

“Brasil, decime que se siente/ Tener en casa a tu papá/ Te juro que aunque pasen los años/ Nunca nos vamos a olvidar/ Que Diego los gambeteó/ Que Cani los vacunó/ Están llorando desde Itália hasta hoy/ A Messi lo vas a ver/ La Copa nos va a traer/ Maradona es más grande que Pelé”.

O hino, como sempre muito esperado, também foi mais uma demonstração da superioridade argentina na arquibancada. Mesmo com a versão apenas melódica, o hino foi acompanhado pelos milhares de hermanos presentes. ¡Que suena hermoso!

O jogo estava pra começar e como eu estava em um setor diferente de um amigo que me acompanhava, resolvemos procurar dois lugares juntos, bem atrás do gol onde a Suíça começou atacando. Uma tentativa, duas, três e quatro. Nada. Em nenhum dos assentos conseguimos permanecer por mais de 5 minutos, algo completamente diferente dos outros dois jogos que eu tinha assistido nesse mesmo local (Chile x Holanda e Coréia x Bélgica). Foi a primeira percepção de que desta vez as arquibancadas estavam realmente lotadas. Ninguém quis perder esse jogo. Ótima decisão, por sinal.

Acabamos mesmo ficando na escada que separava os blocos de cadeiras, centralizado ao gol, algo completamente proibido e controlado nas partidas anteriores. Desta vez foi diferente, os monitores tentaram, mas por pouco tempo. Logo perceberam que retirar os torcedores do local improvisado seria impossível. As escadas viraram também arquibancada e a função daqueles degraus não era mais para se locomover, e sim para torcer.

¡Hermanos aburridos*!
Com o início do jogo e muita cantoria dos argentinos, rapidamente começaram as provocações entre os hínchas argentinos e os adeptos brasileiros. Imediatamente foi possível ver que aquela escada, nossa arquibancada adaptada, era o que separava um bloco quase todo argentino de um bloco quase todo brasileiro. Estávamos exatamente no meio daquela que poderia ser uma verdadeira batalha. A tensão tomou conta de nossos corpos. Ver o jogo em meio a todo esse clima era quase um detalhe.

A dúvida pairava: pender pro lado azul e branco ou pro lado verde e amarelo? A maioria era azul e branca, eles estavam ali para torcer por sua seleção, enquanto os brasileiros, mais afim de provocar, torcendo para a Suíça. Em poucos minutos, já estava praticando meu portunhol, fazendo amizade com alguns argentinos e gritando com força os cantos portenhos. Resolvi, assim como o estádio do Corinthians, me tornar, por um dia, um argentino.

Até ídolo já tinha. Um pouco mais atrás de mim, muitos torcedores tiravam uma “selfie” ao seu lado e o cumprimentavam. Era Burruchaga, herói argentino da Copa de 86, que marcou o gol do segundo título mundial de los hermanos. O zero se manteve durante os 90 minutos, partida nervosa. Muitos já se encontravam alterados pela enorme quantidade de álcool vendida em copos personalizados. Prorrogação. Tensão. Emoção. Cada vez mais a provocação aumentava. De um lado, os cantos argentinos provocavam os brasileiros, eram pelo menos três músicas que faziam referência a brasileiros. Do outro, a tentativa era de lembrar os rivais de que somos pentacampões, que Maradona no és más grande que Pelé ou ainda apenas xingá-los, tentando rebater a qualquer custo o canto carregado de sotaque dos argentinos.

Primeiro tempo da prorrogação muito truncado, nada aconteceu. O segundo tempo seguia pelo mesmo caminho, em direção através das penalidades. A Argentina jogava melhor, enquanto a Suíça, aparentemente sentindo o calor forte que cobria quase todo o gramado, já não ameaçava. Naquele momento, nossa preocupação já era em qual gol as cobranças de pênalti seriam executadas. 

Inocente engano, Messi ainda não tinha brilhado. A história albiceleste neste mundial conta que em todo fim de jogo, a estrela aparece. Não foi diferente. Aos 13 minutos do segundo tempo da prorrogação, Messi, assim como Maradona em 86, desferiu passe preciso para Di Maria, que assim como Burruchaga, braço direito de Maradona naquele mundial, marcou o tão esperado gol que garantiria a classificação para as quartas de final da Copa do Mundo. Outro jogaço no Mané Garrincha, com certeza!


Naquela estreita escada, que dividia argentinos e brasileiros, antes mesmo de gritar gol, fomos arremessados com força pela torcida argentina. Naquele momento, não dá pra negar, foi fácil sentir o medo. Um grande empurra-empurra, alguns torcedores se abraçavam, outros se empurravam e, bêbados ou extremamente envolvidos pelo emocional da partida e das provocações, corriam pra cima dos brasileiros. Quase todos os corrimões que serviam de apoio já haviam sido quebrados e pareciam à espera do primeiro maluco que os arremessaria contra a torcida rival. A tensão era muito grande. Parecia prestes a brotar uma grande batalha entre torcedores. E o front de guerra seria ali, naquela estreita escada onde estávamos.

Um minuto depois do gol, enquanto tentávamos nos recuperar dos empurrões, controlar os mais exaltados e encontrar novamente o lugar antes ocupado, alguns brasileiros saíram na porrada. Porrada de verdade, com muitos socos e chutes, eram uns 4 ou 5 que entraram na briga, sendo uma mulher, que, depois de derrubada, ainda distribuiu pesadas em quem se aproximava. Rostos inchados e algum sangue espirrado em uma das camisas amarelas. Disso para virar uma batalha generalizada faltava pouco. Mas, felizmente, logo os brigões foram separados pelos próprios companheiros.

O clima tenso, que já era ruim, ficou muito pior. Os argentinos não paravam de provocar e iam, aos poucos, tomando o lugar dos brasileiros, que acuados com a briga anterior, foram se retirando. Não havia mais um bloco majoritariamente brasileiro. Os que resistiram, eram encarados de frente por argentinos que esticavam suas camisas e bandeiras, de costas para o campo, e provocavam os anfitriões da festa, agora donos de mais um bloco da arquibancada. Praticamente nem viram a bola suíça batendo na trave, em cabeçada de Dzemaili, de dentro da pequena área, que voltou em seu próprio joelho e saiu, centímetros do gol de Romero. Depois dessa, quem se importa? Se não entrou nessa, não entra mais. Logo o apito era soado, partida encerrada e classificação dos hermanos para as quartas de final, que mais tarde descobririam que seu adversário será a Bélgica, no próximo sábado, 5 de julho.

Fernando e Heitor Facini, torcedores albicelestes por um dia
A Arena que visitei, localizada no bairro de Itaquera, região com maior número de corinthianos da cidade de São Paulo, já não era mais brasileira, não naquele momento. Os argentinos tomaram a festa e pareciam estar em casa, naquele estádio grandioso que, pelo menos durante o dia 01 de julho de 2014, poderia ganhar o apelido de “Itaquerón”.

*aburridos: chateados (em espanhol)


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Um olhar além das aparências

1 de junho de 2014
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Texto e imagens: Nathalia Rocha

Seminário “Contra a Redução da Maioridade Penal” realizado neste sábado em Bauru se propõe a questionar a ideia de violência e a forma como ela é construída

Um dos marcos do meu processo de amadurecimento, de passagem da adolescência para a fase adulta, foi a percepção de que meus pais queriam o melhor para mim. Isso não impede que ainda tenhamos algumas discussões de cunho político e ideológico, mas fez com que eu compreendesse que, ainda que eu não concorde com algumas decisões e argumentos deles no que diz que respeito à minha criação, as intenções deles são estruturadas a partir de um amor imensurável. E quando não há, na criação e processo de construção da personalidade e do caráter se um indivíduo, então, uma base que o leve a tal compreensão? E quando a estrutura familiar não lhe permite chegar à mesma conclusão a que cheguei?

O Seminário “Contra a Redução da Maioridade Penal”, realizado no dia 31 de maio na Câmara Municipal de Bauru, se propôs a entender essas questões. Sair da zona de conforto e entender que problemas como a violência vão além da visão linear “ação e reação”.

“Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada.”
Juliana Pasqualini

Foi com a ideia do jornalista e crítico social norte-americano Henry Louis Mencken que Juliana Pasqualini, professora do Departamento de Psicologia da Unesp Bauru, introduziu sua reflexão sobre o significado da adolescência. Segundo a professora, entender o equívoco da ideia de redução da maioridade penal envolve um olhar além das aparências, um olhar que permita à sociedade enxergar o que está por trás dos crimes cometidos por menores infratores. Indo além da visão de que a adolescência é um conceito biológico e tomando o período, também, como uma construção social e histórica, o jovem nessa fase tenderia a questionar seu papel no mundo e a projetar o seu futuro a partir desse. A partir disso, Juliana questiona o suporte que jovens infratores, majoritariamente sem base familiar e educacional, tem nesse processo de projeção e planejamento de futuro.

Usando uma linha de combate diferente, a deputada estadual Beth Sahão usou dados para desconstruir alguns dos argumentos usados na defesa da redução da maioridade penal. Segundo o Mapa da Violência 2012, o Brasil é o quarto colocado, entre 92 países, na taxa de homicídios de crianças e adolescentes. Olhando apenas para o nosso país: 129 casos de violência física ou psicológica são registrados pelo Disque-Denúncia diariamente. Dentre os menores infratores, segundo dados levantados pelo Conselho Nacional de Justiça, a maioria parou de estudar aos 14 anos.

A deputada colocou, ainda, a problemática da falta de investimentos na implantação e aplicação de políticas capazes de apoiar esses jovens. Beth Sahão diz que, além de enfrentar a falta de interessa polítco em se criar políticas que subsidiem a formação de jovens carentes, ela tem como problema também a falta de recursos que tornem possível a criação de leis e dispositivos capazes de defender esses indivíduos.

“Reduzir a maioridade penal é reconhecer a falência do Estado no trato da criança e do adolescente”

Além da deputada Beth Sahão e da professora e psicóloga Juliana Pasqualini, o seminário também contou com a presença do advogado e rmembro do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente (Condeca) Ariel de Castro Alves, responsável pela conclusão sobre a falha do Estado, e que levantou a questão da inconstitucionalidade da maioridade penal. E com Givanildo Manoel da Silva, educador social e especialista em políticas destinadas a infanto-juventude.

Givanildo, o Giva, propos um olhar mais amplo da sociedade brasileira, de modo que mais que o combate à redução da maioridade penal, avaliássemos os danos da construção sociedade baseada no encarceramento e na punição baseada na tolerância zero.

O seminário foi organizado pelo Comitê Contra a Redução da Maioridade de Bauru e contou com a participação de diversas entidades e movimentos sociais atuantes na cidade.

Andamento da discussão no país

Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte em 2013, 92,7% da população é favorável à redução da maioridade penal. Em fevereiro deste ano, a proposta do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) de redução da idade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça. O senador apresentou recurso à Mesa Diretora do Senado para que sua proposta de emenda à Constituição (PEC) seja apreciada pelo plenário da Casa. Aloysio recolheu as nove assinaturas necessárias para que a PEC seja analisada pelo pleno dos senadores. Com isso, a proposição entrará na pauta de votações.
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"Neguinho o caralho, meu nome é Emicida, porra!"

15 de maio de 2014
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Texto: Keytyane Medeiros
Imagens: Pedro Fávero



Mesa de 2 pickups, berimbau e cavaquinho numa quarta-feira a noite. E é noite de show do Emicida no Sesc Bauru. As arquibancadas estavam lotadas de fãs e novos-fãs ansiosos pela apresentação. Foi bonito de ver, tinha gente de todo tipo, desde aqueles que não sabiam cantar mais do que duas músicas, mas se envolviam com as batidas até aqueles que sabiam letras de Xis e DMN, rappers importantes da década de 1990 e que foram incluídos no repertório do cantor do Jd. Fontalis. 

Mas antes de falarmos do Emicida propriamente, temos que falar da banda. Depois de ontem, penso até que poderia ser, daqui pra frente, Emicida e Banda, porque a multiplicidade de instrumentos e suas combinações foi um show à parte. A guitarrista e backing vocal se destacou (ainda mais, já que era a única mulher no palco) quando puxou um som no berimbau, somado aos beats do DJ Nyack e à percussão muito bem delineada ao fundo. Os músicos se entregaram e passaram a energia de samba, rap e africa-brasilidades para o público. Isso me lembra que em 2013, Emicida deu uma entrevista à Noize em que dizia que estava experimentando novas texturas, novos ritmos e a escolha por uma banda tão eclética e alinhada, prova que essa experimentação tem dado certo. 

Emicida a todo tempo puxava o público e pedia por sua participação. Ao cantar “Triunfo” numa versão diferente da original, surpreendeu e trouxe a vibe de show de rap pro Sesc. A partir daí, foi “Rua Augusta”, “Eu gosto dela”, “Emicidio” e tantos outros sucessos dos EPs anteriores tomando conta da quadra. Mas foi o primeiro álbum oficial do rapper, “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui” a grande estrela do show. “Hino Vira-Lata”, “Bang!” e “Hoje Cedo” estavam na boca do povo, mostrando que o rap ultrapassou, ao longo dos últimos anos, barreiras até mesmo históricas de preconceito com o gênero. 

“Axé pra quem é de axé, pra chegar bem vilão, independente da sua fé, música é nossa religião”. Essa foi Ubuntu Fristilli, música que reproduz e amplia o que o africano Desmond Tutu já definiu como filosofia Ubuntu: “uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos.” 

No meio do show, Emicida convidou Renan Inquérito ao palco e mais uma vez, o MC de Campinas começou a vender pó, pó-esia até não sair mais do palco. Ficou ali, compondo o show, recitando e cantando vários sucessos do rap nacional junto à Emicida: Sabotage, DMN, Doctors Mc, Xis. Estouro. 



Quem acompanha o movimento Hip Hop sabe que, em quase todos os shows de rap, existe um momento Freestyle. Rappers são rimadores convictos, às vezes mandam bem, às vezes mandam mal, mas esse momento é sagrado para um MC e para os fãs de rap. Ontem não foi diferente, ainda mais pra Emicida, cria da Rinha dos MCs da Santa Cruz e de tantas outras das periferias de São Paulo. Só com os beats do DJ Nyack, Emicida convidou Coruja BC1, expoente do rap bauruense, para mandar umas rimas e tocar corações. Senti o chão tremer quando o Corujinha da Rima subiu ao palco, sempre reforçando a ideia de que “se o interior tem voz, o mundo vai ter que ouvir”.

Pois é, o Sesc e toda uma diversidade de bauruenses ouviu. Ouviram a homenagem de Emicida ao mestre Jair Rodrigues, ouviram uma aula de rap nacional, de cultura e identidade negra e periférica. Ouviram de amor e de rinha. De pertencimento e orgulho. Ouviram pó e do chão, fortaleceram o Hip Hop com suas vozes e com seu coração.



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Tem pó aí?

25 de abril de 2014
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É noite quente na cidade sem limites,
E eu topei um cara, no centro da cidade,
vendendo pó.

Po-e-si-a.
“A arte de fazer obras em versos”, dizem por aí.
Um tal Renan Inquérito e mais uns malucos no Ponto.
Edificando a Cultura,
Dando a liga para o verso.

De repente, o micro aberto
e fica todo mundo quieto.
E do fundo vem o riso solto
de quem se sabe um pouco poeta,
um pouco mc.

Coisa fina.
Um, depois o outro.
Mais outro.

O cara do papel na mão,
a rima improvisada, ali, na hora.
A mina do vestido preto,
o papo reto de um,
quase um parto pro outro.

Mas saiu.
A rima tomou corpo.
O medo, o desgosto
o outro, o eu.
O eu-preto,
eu-apaixonado,
eu-do-rap,
eu-do-verso.

Todo mundo um pouco poeta
Todo mundo um pouco mc.

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Texto e fotos por Keytyane Medeiros
Cobertura do 3º Sarau de Arte Urbana no Ponto de Cultura Hip Hop em parceria com a Oficina Cultural Glauco Pinto. 24 de abril de 2014.
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Sábia Loucura

28 de outubro de 2013
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Texto e fotos por Julia Gottschalk

Na última sexta-feira, dia 25 de outubro, aconteceu no Bauru Shopping o evento de lançamento da grife Wise Madness Clothing. As atividades duraram das 10 às 22 horas, com dois desfiles, o primeiro pela tarde e o segundo a noite que ficou completamente lotado e contou com convidados especiais!  


   

     A ONG Wise Madness, procurando se tornar auto sustentável, criou uma linha de camisetas e bonés. O objetivo do desfile foi apresentar a nova marca e começar a vender seus produtos. O dinheiro arrecadado com a venda será revertido para manutenção e ampliação da própria ONG.





Não conhece a Wise? A Wise Madness é uma ONG, criada em 2006 sem qualquer auxílio financeiro do governo. Mas calma aí, vamos devagar porque uma das organizadoras e idealizadoras do evento, a Danny Pagani, contou para o e-Colab tudo sobre o projeto! Mas isso fica pra daqui a pouco, agora, vamos saber um pouco mais sobre o lançamento da marca.


O evento de sexta-feira foi um daqueles em que você consegue enxergar o esforço e o trabalho dos envolvidos e também em todos os detalhes que foram pensados.  O desfile contou com a participação de integrantes de várias idades, que muito mais do que andar na passarela, entraram mostrando todo seu talento e estilo.

Rolou danças, apresentações de Stomp e até sorteios, mas o ponto alto da noite foram os convidados especiais, os jogadores do Paschoalotto Bauru Basket que acompanhados de som ao vivo do Mc Thigor, entraram para desfilar.  Gui Deodato, Larry Taylor e Ricardo Fischer deram uma pausa na sua agenda de treinos e esbanjaram charme na passarela.

Conheça a Wise Madness


O e-Colab bateu um papo com Danny Pagani, que é uma das idealizadoras da ONG.  A Wise Madness surgiu em 2006 por meio de um grupo de artes e dança que veio para Bauru se apresentar e colocou Danny frente à frente com Marcus Vinícius, que hoje é um dos coordenadores da Wise.  Na época, ambos gostaram tanto do trabalho do grupo que decidiram experimentar algo parecido em Bauru.


As reuniões aconteciam na Praça Rui Barbosa, no centro da cidade, onde Danny, Marcus e o terceiro coordenador, Anderson Ricardo, começaram a organizar a primeira oficina, de Street Dance, atividade que Danny praticava na época.  No começo o grupo se reunia na rua e acompanhados de um carro de som dançavam e também faziam apresentações de malabares com pirofagia. 

Com o crescimento do projeto a igreja Brasil Para Cristo abriu suas portas para os ensaios do grupo, que na época se chamava “Das Ruas para as Ruas”. No espaço cedido pela igreja aconteciam oficinas como de Skate, Break, Teatro, Pirofagia e Stomp.

Com o crescimento do grupo e dos projetos surgiu a necessidade de um nome oficial, que após votações se tornou Wise Madness, inspirado em uma música, chamada Sábia Loucura.

Em 2010 os coordenadores do projeto conheceram o Promotor de Justiça de Duartina, que se interessou pelo projeto. Enilson Komono, que já participava do projeto SOS Global, decidiu investir na Wise Madness. A partir daquele momento o projeto ganhava uma sede, infraestrutura e equipamentos. Hoje em dia além de mantenedor da Wise, Enilson é um dos coordenadores. “O projeto se mantém disso, de pessoas que acreditam e investem nele”, conta Danny.  Enilson também foi o principal responsável pela construção da pista de Skate que hoje existe na sede da Wise Madness, dos oito meses de construção, cinco foram feitos apenas por ele.  

Atualmente, inúmeros jovens de todas a idades frequentam a Wise, aulas de Skate no Bowl, pista com obstáculos para treinos, street dance, break, stomp, e até Wise kids, que é voltado para as crianças, acontecem toda semana. Além disso, os jovens que frequentam  tem a oportunidade de conversar com uma psicóloga voluntária que atende no próprio local.

Danny conta que muitos integrantes jovens conseguiram mudar de vida, através da arte e do exemplo bom pessoas envolvidas, “nosso objetivo não é só ensinar a arte, é mostrar através de nossas atitudes uma nova experiência de vida”.

Há dois anos o projeto é reconhecido como ONG e também como entidade de utilidade pública, porém ainda não recebe recursos do governo, se mantém de doações e agora, da sua mais nova linha de roupa, a Wise Madness Clothing.

Toda sexta-feira as 19:30h um ônibus com destino a Wise Madness sai da Praça do Líbano, aproveite e venha conhecer!

Para mais informações sobre os projetos desenvolvidos e também sobre horários acesse o site http://www.wisemadness.com.br ou a página https://www.facebook.com/wisemadness.naweb





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