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ACUSTICOCAFONIA I no Exílio Art Pub, uma nova visão musical

22 de abril de 2013
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Texto por Tamiris Volcean
Fotos de Julia Gottschalk
“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada (...)”.
Assim como Vinícius cantou, três amigos encontraram um local abandonado em uma das principais avenidas de Bauru.

Cleber Monteiro, Fagner Nelito e Guilherme Modesto assumiram o compromisso e realizaram a reforma do espaço situado na Avenida Duque de Caxias. Foi dessa maneira que o Exílio Art Pub tomou forma, tornando-se um pequeno espaço de grande agitação musical e cultura independente.
Os idealizadores do espaço desejam transformar os shows realizados nos finais de semana em oportunidades para bandas de grande potencial alcançarem seu lugar no meio musical.

Na última sexta-feira (19/03), a casa contou com o evento “Acusticacofonia I”.
Apesar de estar funcionando há pouquíssimo tempo, o espaço já apresenta um perfil bem definido. Aquela casa abandonada tornou-se um ambiente descontraído, cheio de cores vibrantes e detalhes autorais espalhados por suas paredes.

O evento contou com apresentações nada formais daqueles que frequentam o pub e arriscam fazer um som sem ensaios, um improviso cheio de talento. Ao som de Ramones, a dupla inicial afinou as cordas do violão, posicionou os copos de cerveja, molhou a garganta e iniciou a cantoria.
Com o preço bem acessível, o local é ótimo para quem não gosta de seguir os padrões musicais das noites bauruenses. O som alternativo de Led, The Doors, Beatles, Stones, Nirvana, Queens, Raul e Raimundos combina extraordinariamente com o aconchego da sala que se transformou em estúdio de novos talentos musicais.
O palco próximo ao público faz com que este se sinta parte do show e, ao freqüentar o pub por mais de uma vez, entre para a família musicalmente louca.

Vale à pena conferir a novidade musical, entretanto, se você é daqueles que chegam cedo aos eventos, arraste alguns amigos e prepare-se para esperar algum tempo em frente à portaria jogando conversa fora. As apresentações regadas à cerveja, conhaque e outros drinks são tardias e, não por isso, menos envolventes e animadas.

Chega de procurar novas bandas somente pela internet, arrisque uma noite no Exílio e valorize o que aquele palco com pouca iluminação pode lhe apresentar.







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Sobre cinco reais numa nova esperança

23 de janeiro de 2013
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Texto por Higor Boconcelo
Fotos por Jayme Rosica





       “A cena do rock underground deu uma estacionada por cerca de dez anos aqui na cidade, há uns dois anos começou a voltar”, conta Aran Carriel, vocalista da banda Autoboneco. Sons autorais e o grande leque de subvertentes do gênero são alguns dos ingredientes que não podem faltar ao bom rolê underground, somando também cerveja gelada e barata. Em sua quinta edição, a Festa do Exílio na Avenida Principal trouxe o que era preciso e um pouco mais (lê-se mais som bom e mais bebida barata).
      Com portaria acessível e espaço adequado, a antiga república que agora dá espaço ao 
Exílio ArtPub recebeu seu público fiel no último sábado prometendo nada mais que os ingredientes citados acima, o que para os presentes já estava de excelente tamanho.
      A primeira banda a impregnar o ambiente com som autoral inspirado desde grupos consagrados como Melvins, The Cure e Pixies à mangue-beat e trilhas sonoras de videogame foi a bauruense 
Dhámma. O baterista do grupo, Khalil Axcar, aprova a iniciativa do pub uma vez que “a apresentação de propostas de meios de expressão que não sejam os mesmos batidos de sempre, que respondem a outras demandas é algo absolutamente necessário para a formação crítica-cultural de uma pessoa, principalmente na faixa etária presente no evento (adolescentes e adultos)”.

Sobre cinco reais numa nova esperança
    Além do aditivo cultural, ele também afirma que o último sábado serviu como oportunidade de reencontros de amigos e chances para re-estabelecer laços, “principalmente pela localização do Exílio, um ponto crucial do desenvolvimento underground bauruense”. Falemos dela então.




A Avenida Principal e o Underground

 Facilmente perceptível a pluralidade da tal 
Avenida Principal. Ora, se o vizinho do Exílio já não fora danceteria, casa de pagode, rap, balada sertaneja e hoje se resume a uma síntese de todos os estilos passados?! Mas, em sua extensão, a Avenida já abrigou também dezenas de snoocker bars e pubs (quando não os dois ao mesmo tempo), que deram espaço ao cenário underground e que uma jovem memória consegue lembrar.
   Opções para todas as idades. O falecido Under Rock Bar era a casa das bandas independentes dos adolescentes bauruenses e também palco de vários shows de bandas conhecidas dos fãs, mas desconhecidas das fm’s, como também as conhecidas das fm’s mas odiadas pelos pais. Ficava a menos de um quarteirão da Avenida, enquanto esta abrigava na mesma época (2009) o também falecido Area 51, que abrangia um público mais adulto, ao apresentar bandas independentes de som pesado. Predecessor do antigo Area, o Áudio Galaxy também foi por anos palco de bandas independentes com estilos variados (destaque para o metal e o hardcore), servindo bebida gelada e cobrando barato a entrada.
    Persistindo como um dos mais longevos pubs da Avenida Principal, o Jack Music Pub, talvez mais lembrado e conhecido do que os outros, também é responsável atualmente por dar espaço a bandas independentes não somente de Bauru mas de outras partes do país.
   Em suma: o affair entre a avenida e o rock existe e não é de hoje, mas continuemos no 10-26.

Exilando os covers

     Desviando da fumaça e chamando a galera, apresentaram-se também a banda 
Recusa (regada a punk e hardcore), com mais de dez anos de estrada.
     Em meio aos shows, a 
Autoboneco de Aran subiu aos palcos trazendo seu autoral pós-punk com improvisações noises. E roubou a atenção de quem escreve. Mindfucking, a banda está prestes a completar 20 anos de estrada e conta com mais de dez álbuns. Sobre o nome da banda, ele explica que não é nada além da pura essência de seu símbolo, criado pelo vocalista aos 13 anos.

    Aran, assim como Khalil, comemora a iniciativa do Exílio em promover esse tipo de evento, dando oportunidade às bandas de usarem um bom espaço e fazer o que tem de ser feito. Como o músico mesmo disse, a cena está voltando a progredir na cidade, e aponta que “uma grande cagada das bandas, público e locais é lotar a casa com shows cover, mas não pagar as bandas autorais, essa desvalorização servil”. A banda reafirma dentro e fora dos palcos a importância do autoral quanto à personalidade e identidade da banda, e mostra que seguir seus ideais na música é plenamente alcançável.
   E para uma noite de sábado, em Bauru, na Avenida Principal, o único desejo que sobra é que o exílio continue.
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