Sobre Caboclos, Arquitetos e Astronautas

6 de maio de 2011
0
Por Laís Semis

Caderno de balada à postos. Essa não é apenas mais uma noite no Jack. “Salve ENEA, salve Enxame, salve a brasilidade, salve o groove!”. É a noite da Roça Nova, a festa do Interior, festa do Enxame Coletivo em parceria com o ENEA, que neste ano será sediado na cidade e traz a temática do “interior sem estereótipos”. A casa estava cheia.

- Vamo lá na frente, vamo lá na frente! – foi puxando um dos organizadores do evento, Leandro Fontana durante a apresentação da Estação Primeira de Bluseira.

Lá no palco, o inconfundível Verídico e a sua banda de rock e blues, que não deixam a música brasileira de fora, envolviam com força os ritmos e as pessoas. Uma centopéia de estudantes de arquitetura se enfiava abrindo caminho pelas pessoas até a Estação, saltitantes, empolgadas, gritando as letras.

“Eu sentei na linha do trem
Pra ver a fumaça dançar e pensei
Ai, que saudade do trem...”

Cabeças arquitetas tomaram conta do espaço, desenfreadas, sem direção certa, pulando sem cessar ao som da banda. Parece que era a música traduziu a temática e o espírito do que o evento pretendia ser. “Ú-Ú-Ú ENEA BAURU!”, foi o grito dado pela comissão organizadora do Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura, ressoando pela casa inteira ao fim de “Brasil Novo”.

Nas Ondas da Samanah
Por Laís Modelli

Tiveram muitos pulinhos de reggae no lado da galera da plateia. Já no lado do palco, teve mais que isso. Tiveram duas Tagimas muito bem afinadas em um Sol ensolarado e vários La sorridentes. Ai foi só embalar tudo essa vibração em um repertorio que incluía desde O Rappa e Jorge Bem até musica própria da Samanah.

Teve também uma galera gritando e se apertando perto do palco quando a banda começou a tocar Mutantes. Era uma Minha Menina mais gostosa ainda de se ouvir que o normal, de notas bem gritadas e compassadas metricamente. Aí eu só sei que olhei para o lado e vi um casal se beijando, 2 meninas dançando e um cara enorme, com cara de mal, mas que ficava fofinho quando cantarolava “e eu sou o menino dela”.

Teve também um baixo de notas tranquilas, que sabia ocupar o seu lado esquerdo do palco, não como um zero, mas como o canto do coração, sabe? Teve mais beijo, mais pulinhos... e teve eu indo buscar uma bebida e perdendo a penúltima música. Aí eu só sei que o Thales, o vocal da Samanah, anunciou a saidera. Logo em seguida eu comecei a ouvir uns riffs familiares, espaçados, com uma bateria ao fundo marcando tempo em toques curtos e secos. Peguei a bebida, pulei do balcão e cheguei a tempo de cantar “Ticking away...”.

“The moments that make up a dull day.” Eu já assisti uns três ou quatro shows dos caras da Samanah, nem é mais novidade. Mas eu só sei que me comporto igual criança quando ouço Time na versão Dub Side of The Moon. Só sei que eu vou parar na frente do palco e, quando percebo, eu estou dando os pulinhos e fazendo a minha bengala de guitarra. “Hooome, home again...”

Por Laís Semis

Na discotecagem entrebandas acabou o “Baby Doll de Nylon”. Subiu o telão. Lá do fundo saiu correndo uma menina em direção à banda. Trenzinhos entre a platéia. Vindos do Pará, o Aeroplano era a única banda em terras estranhas. Mas Bauru sabe como recepcionar uma banda de fora.

O show do Aeroplano ao mesmo tempo que absorveu aos resistentes de uma quarta-feira cortando a noite, foi dotado de uma certa leveza. Era pra gente que só queria ficar de boa curtindo uma baladinha e pra gente que tava afim de um rock’n’roll, uma pegada Muse. Soube como se encaixar em meio ao fim de noite combinado ao estado de comemoração em que nos encontramos.

E à procura da identidade do interior paulista, o ENEA Bauru apresentará a cidade aos estudantes de arquitetura do país no mês de julho. Ou pelo menos, um espírito dela. É, essa cidade é mesmo um filme B. Só pode ser.

Nenhum comentário:

Postar um comentário