Isso ainda não é um editorial

6 de janeiro de 2012
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Texto publicado em Aleatoriedades e Afins, 18 de dezembro 2011. 

[Este post foi inspirado no texto Isso não é um editorial #1, lançado em janeiro de 2010 em retrospectiva ao Portal e-Colab em uma perspectiva muito mais pessoal]

Intensidade é a palavra. Entrega é o modismo (estilo de vida?) paralelo aos acontecimentos de 2011. Definitivamente tanta intensidade tornará este ano muito mais do que um ano. Até mesmo porque vivemos pelo menos uns 5, 7 (?) anos em 2011. Foi isso mesmo? 

Festival Contato

Escrevendo um texto sobre a (tão querida) banda Cabana Café comecei a relembrar dentro do e-Colab algumas coisas que realmente marcaram. Então, aqui vai um balanço do que ele foi pra mim dentro do http://e-colab.blogspot.com.

“Até 2012, se todo mundo sobreviver. Só os fortes ficarão!”, acho que essa frase do texto do grande De Buenas foi professada pelo Brisa. Peço licença pra utilizá-la aqui, por acreditar que seja bem por aí mesmo.

2011 foi um ano de muitas descobertas, coisas sendo agregadas, tempo de se fortalecer e poder caminhar sozinho. Foi um tempo de chegadas e partidas sem fim.

1ª Reunião de 2011

O passado passou rasgando e o De Buenas foi se aventurar pelo mundo, nos deixando de herança alguns dos melhores e mais emocionantes textos que tivemos a oportunidade de publicar em nosso blog. Trouxe relatos que me deram a sensação de ter vivido aqueles momentos. Além da disposição infinita em sempre levar no bolso um bloquinho pro caso de alguma coisa acontecer no meio das noites fora do eixo que vivemos.

Acho que com o Paloso aprendemos que os textos tem mesmo é que sair correndo dos padrões e ir de encontro ao que existe correndo nos nossos ventos, nas veias, nos olhos, nos corações. É se deixar levar, ao avesso, por todos os caminhos da vida. Captar tudo aquilo que passar por nós, mesmo que sejam mais ou menos, barulhos e bagulhos. E a nos respeitar como um grupo heterogêneo, ouvir críticas, repensar, mas construir sempre em cima daquilo que acreditamos.

A Bianca Dias, com seu jeito de menininha roqueira, apareceu em casa para a primeira reunião tímida querendo ficar por trás daquelas lentes que ela transforma em arte com cliques. Mas logo de cara, fez que o cheiro de tinta virasse texto e provou que não importa qual seja a sua área, escrever é mesmo se libertar para o que está perante os sentidos e deixar transparecer ao mundo.

Laís, Bianca, Lígia e Jayme no jantar colaborativo

O Jayme Rosica tumultua desde o título. CAIXA ALTA. Troquei nas primeiras vezes, depois, percebi que fazia parte de quem ele era essas caixas altas. Toque de fúria, mesmo em dias de graça. E NÃO OUSE ROTULAR A ARTE COM PALAVRAS. Confesso: ele é a medida de razão entre nós. É o cara que faz 4 meninas tagarelas e insanas se controlarem e se concentrarem no que realmente importa. É o foco. É o nosso ponto de apoio mesmo quando não diz nada, mesmo quando negativa com a cabeça discordando de tudo que dizemos e achando tudo um absurdo. Ah, Jayminho!

Gabriel foi pra Minas, pro Transborda, e escreveu uma literariedade doce, dessas muito das irresistíveis. “Censurada”. A coisa que mais sinto por não estar mais em nossos arquivos (“Ela tem um fiel companheiro na cozinha que a auxilia no corte de vegetais em geral, um pequeno aparelho eletrodoméstico. Desculpe Lucas, deixei passar o nome. O talento vem de família [...] ).

Sem contar que ele, ao lado do Eduardo Porto, que tiraram as rodinhas da bicicleta e nos deixaram correr livres, cair no mundo e sustentar as próprias ideias. E o Eduardo sempre segurando as pontas que fossem necessárias… com cautela, uma paciência enorme para ouvir e explicar… e tentar de novo…

Ana, no show do Marcelo Jeneci
A Ana Assam, no fim das contas, se descabelou, fez que fez e fez de tudo pra conseguir que as coisas dessem certo pro grupo (e também perdeu o controle na grade pra conseguir que o Jeneci mandasse um ‘oi’ pro e-Colab). Acabou se entregando e vendo que de cima do palco as sensações são diferentes.

O Kenji nunca soube dizer não. Ele é do tipo quieto, que se joga e sempre agrega talento no que topa participar.

E o que dizer do Luís Morais? Dedicação sem limites. Afinal, decidir em cinco minutos cair na estrada com quatro estranhos pra ver bandas de que nunca tinha ouvido falar pra experimentar a cobertura colaborativa em um blog de que nem fazia parte a pedidos desesperados de uma amiga, é pra poucos. E ir lá, cair na insanidade jornalística e cair de cabeça… Essa, Bóvis, nem Freud explica

Imergimos, 5 pessoas, 3 dias, piras monstruosas. Ideias e sentimentos avassaladores e daí construímos uma amizade sem limites e comparsa. Hoje, sinceramente, não tenho cara de dizer que somos gestores. Compartilhamos gritarias felizes, risadas e planos diabólicos como cinco pessoas que tem gostos diferentes, extintos diferentes, ideais diferentes e unidos por uma boa causa, que botamos fé. Essa menina enrolada, aquela dos coletes, botinas e suspensóriosa que acha que uma imagem pode transmitir um som, a que corre com os lobos e o garoto crica mesmo! Cara, somos muito diferentes. E, por diversas vezes, quase enlouqueço. Perdemos a cabeça, nos estressamos. Nem sei como fomos cair juntos, na mesma parada. Mas ainda estamos aqui. Sempre penso que isso deve significar alguma coisa.

Aline, Lígia, Jessica, Lais e o Júlio, do The Vain! (:

E aquela imersão, tanta, tanta coisa passando pelas nossas cabeças, acabou surgindo um dos produtos que mais gosto de lembrar. O dia em que pés 39 calçaram sapatos 37; e vestidos quiseram passear em outros corpos; pura tensão no ar, pandas na banquinha, menina descontrolada no volante, nóias circulando pelas ruas, algumas tristezas partindo os corações, desconfianças, risos, vontades, alegrias, manifestos rebeldes, um pouco de chuva, e se você não entende que aqui é só felicidade, nada além disso corre por este corpo, eu já não me importo mais. Uma noite de sono e mais um pouco de imersão.

Dias e dias correndo contra o tempo e tudo mais que aparecer ao lado da Jessica Mobílio, que mesmo quando desacreditada decidia tentar mais uma vez. Madrugadas fritando ideias mirabolantes com a Aline Ramos, momentos de organizar tudo e tomar decisões com a Lígia Ferreira e encontrar no fim de tudo o ar pessimista e confortante do Jayme com suas soluções tão simples para os problemas que pintamos como sem solução.

No meio disso tudo, algumas bandas me marcaram muito em sua passagem por Bauru ou pela vida bauruense; entre elas, como não se lembrar Pé de Macaco sem uma saudade rasgando o peito? E dos já citados Cabanas? Só amor. Do The Vain (intensidade também cabe aqui nessa descrição, né? junto com insanidade, pandalismo e muito carinho!), eu, sinceramente, nem sei o que dizer, meninos…

E pra terminar, roubo suas palavras mais uma última vez, De Buenas.

- Fecha a conta, garçom que por hoje deu.

Mas, amanhã tem mais, gente!

Aí, 2012, traz tudo em dobro que eu quero mais!


Flan

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